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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A estátua de João Caetano

Esse monumento foi uma iniciativa do ator Francisco Correia Vasques, que buscou a sua realização com subscrição popular, muitas vezes solicitadas em espetáculos. O movimento começou tão logo a morte de João Caetano, em 1863, porque anos antes, 1860, ele havia organizado no Rio uma escola de Arte Dramática, com o ensino gratuito. Deve-se a ele a primeira companhia dramática nacional e formação do teatro brasileiro, com atores nacionais.

A estátua em bronze foi inicialmente modelada em gesso em 1850 pelo escultor Chaves Pinheiro e somente fundida, pela fundição S Michele, em Roma, em 1860. Portanto o monumento tem 150 anos.

Foi inaugurada em 3 de maio de 1891 em frente a antiga Escola de Belas Artes, antiga Academia Imperial de Belas Artes, em 1909 o Monumento foi transferido para o Campo de Santana, talvez pela mudança da Academia.




Em 24 de maio de 1916 foi finalmente para a Praça Tiradentes, em frente ao Teatro João Caetano, onde era o Teatro São Pedro.


                                     
O Monumento apresenta João Caetano em tamanho natural representado com os trajes da tragédia de Arnault, do personagem principal da peça Oscar, filho de Ossion, um dos seus maiores triunfos.

A única parte faltante na obra é a espada ou punhal, que foi roubada pela primeira vez 1985,e recolocada 1988. Em 2002 foi novamente perdida, contudo o pedestal sempre tem cartazes colados, que deixa resíduos na pedra original.

Em junho de 2012 a estátua foi retirada para a execução de um novo punhal tendo sido recolocada em setembro, recuperando assim o monumento.  Veja o video da retirada: .http://www.youtube.com/watch?v=LUp5cEcj3W4

Em 2015 a mesma espada foi furtada novamente.

Veja a ficha cadastral:

http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=77&iMONU=Jo%C3%A3o%20Caetano


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A Fonte Adriano Ramos Pinto - Fonte da Juventude

Entre as duas bocas do túnel em frente ao Shopping Rio Sul, no lado de Botafogo, esta a Fonte Adriano Ramos Pinto, toda em blocos maciços de mármore, cujo conjunto apresenta um grupo de mulheres, tentando escalar um cume em direção ao amor, representado por Cupido.

Quando a Cidade no início do século XX, passava por extensa remodelação urbanística realizada no quadriênio do presidente Rodrigues Alves, o prefeito Francisco Pereira Passos realizava grandes obras, entre muitas a abertura da avenida Beira Mar,onde se construiu novas muralhas, implantaram monumentos e jardins, os quais, converteram a orla dos bairros da Glória a Botafogo na nova atração comercial do incipiente mercado imobiliário da Capital Federal.

Na Glória, em 1904 com a demolição de um velho mercado abandonado, criou-se um belo jardim de traçado romântico ornado de estátuas.

Foi nesse momento que dois industriais vinícolas portugueses, os irmãos Adriano Ramos Pinto, do Pôrto, decidiram erguer e doar um monumento para novo jardim próximo à igreja da Glória. Quando os irmãos encontraram a maquete da escultura intitulada “Fontaine de Jouvence” , do artista Eugéne Thivier, logo trataram de encomendar a sua ampliação e execução. Assim, adquiriram um bloco de mármore de carrara com 37 toneladas e sete metros de altura.




A obra foi inaugurada a 24 de janeiro de 1906, porem as opiniões sobre a obra foram divergentes. O Prefeito que gostou muito da escultura, sentiu que as “performances” femininas eram muito insinuantes, chegando até em pensar em chamar o escultor brasileiro Rodolfo Bernardelli, o maior escultor nacional, para entalhar alguns saiotes nos “traseiros”...

Mas as qualidades artísticas da obra, falaram mais alto e a fonte ali permaneceu por quase trinta anos, até que, em 1935, o prefeito Pedro Ernesto mandou removê-la para a entrada do túnel do Leme.


                                                    

Até 1983 funcionou como fonte, quando foi suspenso o abastecimento de água e a fonte cercada por grades.
                                                   




Essa obra de arte tão delicada exposta a mais de cem anos, às agressões de vândalos e da natureza fez com que os rostos finos, os polidos contornos, sofressem com o tempo profundos desgastes.

                                                     


Contudo a história mais interessante surgiu quando conheci a publicação de Ana Filipa Correia, a "Fonte Adriano Ramos Pinto - O vinho do Porto e a arte da Belle-èpoque no Rio de Janeiro". Nesta publicação na página 48 apresenta uma foto da fisionomia original do cupido,de longos cabelos e olhar feliz... em nada se parece com a que hoje existe.

Decapada anos atrás, um falso elemento foi anexada a obra, descaraterizando o trabalho de Eugene, que poderia se perpetuar, sem essa importante pesquisa de Anna Filipa Correia.



Veja a ficha cadastral:
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=313&iMONU=Fonte%20Ramos%20Pinto

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Mercurio e as Atenas do Rio de Janeiro

Entre as esculturas expostas na Cidade do Rio de Janeiro um artista criou um conjunto muito especial e intrigante de deusas, que estão espalhados em vários bairros.

O primeiro, Mercúrio, conhecido pela denominação grega de Hermes, mensageiros dos Deuses, um dos mais conhecidos filhos de Zeus, está na frente do Planetário da Cidade.


As esculturas que figuram a Deusa Atena têm as mesmas características artísticas, isto é: Fisionomia, panejamento, material e altura, porém com três representações diferentes.

Atena era uma das filhas prediletas de Zeus, a que lhe concedeu muitas das suas prerrogativas. Ela tinha o dom da profecia e tudo que autorizava com um simples sinal de cabeça era irrevogável. Filha de Zeus e Métis, combina, de forma harmoniosa, poder e sabedoria. É a partir dessa idéia que se desenvolvem os principais aspectos a ela atribuídos.

Diferente da maioria dos deuses gregos, sua divindade não está associada às forças naturais, mas sim ligada à proteção e preservação do Estado e das instituições sociais.

É a divindade patrona do Estado, da autoridade, da justiça, das leis e da ordem, nas cortes e assembléias populares. Atena é a deusa da razão e da sabedoria e a sua lança não significa guerra, mas sim estratégia de vencer. É o símbolo da inteligência, da guerra justa, deusa da cidade de Atenas.

Protetora da vida civilizada, das atividades artísticas, foi ela quem ensinou às mulheres a arte de tecer.

No Bosque da Freguesia, em Jacarepaguá, Atena esta representada como protetora das artes, com um machado de escultor na mão direita e um ponteiro na esquerda, um pequeno busto ao seu lado e uma clave de sol aos seus pés.

 

Como a protetora da agricultura, criou o arado e o ancinho, bem como a oliveira, sua maior dádiva, inventou o arado e ensinou a atrelar o boi ao arado, a criar cavalos e lhes por a rédea (outra invenção atribuída à deusa).

Em Campo Grande na Praça dos Estudantes, Atena está representada com um pequeno arado preso em uma das suas mãos.

 

Atena é também a protetora da industria, foi à inventora do freio, dos navios e a confecção de sapatos. No Jardim do Méier, está representada com duas rodas dentadas numa engrenagem.



Finalizando qualquer coisa que dê ao Estado, força e prosperidade, tais como a agricultura, a arte e a industria , bem como tudo o que protege e preserva tais aspectos das influências externas, pertencem à esfera de atuação de Atena, e a Cidade do Rio de Janeiro tem três representações da Deusa deixadas por um artista desconhecido.


Veja a ficha cadastral:
Mercúrio na Gávea:
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=507&iMONU=Merc%C3%BArio%20na%20G%C3%A1vea

Atena no Bosque da Freguesia:
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=1099&iMONU=Atena%20do%20Bosque%20da%20Freguesia

Atena de Campo Grande:
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=969&iMONU=Atena%20de%20Campo%20Grande

Atena do Jardim do Meier:
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=881&iMONU=Atena%20do%20Jardim%20do%20M%C3%A9ier

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

A arte do Mestre Valentim - 5




No belvedere ou terraço que Valentim projetou para admirar a Baia da Guanabara, vê-se uma pequena fonte, com a figura de uma criança, na face oposta a fonte dos jacarés.

Originalmente a fonte era composta por um menino de mármore segurando um cágado, que por sua vez lançava água para um barril de granito. A legenda "Sou útil, inda que brincando", acompanhava a escultura.

A escultura do menino da bica, chamada de gênio de mármore pelo historiador Monsenhor Pizarro, foi substituída por uma cópia de chumbo, fundida em 1841, bem como, criado um barril para saída da água degrau de granito
A réplica da escultura foi criticada por muitos historiadores, pois foi confeccionada com o dobro do tamanho da original.

A réplica em chumbo também foi outra vítima do vandalismo. Em 1992, seus braços foram cortados e a faixa arrancada, sendo restaurada em 1995.

 Em 1994 em chumbo

Em 2001 novamente seus braços foram arrancados, exigindo outra intervenção.

Perante esses sucessivos danos na peça em chumbo, a Prefeitura refez uma réplica em bronze com o intuito de preservar o original de 1841.

 Em 2004 em bronze

A nova peça foi instalada e guardada a de chumbo no depósito da Prefeitura. Repetindo, em 2007 parte da figura foi serrada e furtada.

                
 2007 em bronze

Em 2011 nova faixa foi executada e instalada na escultura do Menino recompondo  o conjunto.

   2011 em bronze

Atualizando, no ano de 2016,  novamente a escultura foi danificada, com a perda da mão direita e a tentativa que furtar o braço esquerdo.  Essa a peça foi removida,  para a restauração, o que  não foi realizada até maio de 2017, permanecendo o espaço vazio.

2016 
                                                                                                                                                   2017

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A arte do Mestre Valentim - 4

O arquiteto do Passeio Publico

Mestre Valentim projetou o Passeio Publico, traçando as alamedas em linhas retas formando desenhos geométricos de diversos tamanhos. As duas principais na forma de uma cruz.

                                   

Por trás da Fonte do Jacarés, construiu duas escadas de pedra que levavam ao belvedere, que se debruçava sobre a Baía da Guanabara. O terraço tinha piso de mármore policromado em preto e branco. Junto ao parapeito, sofás de alvenaria, revestidos por azulejos de inspiração mourisca.

                                         

Hoje o que resta, é mural em gnaisse, que finaliza a Fonte dos Jacarés e permite o acesso ao antigo terraço por escadas. O mural, em blocos macicos, é esculpido em volutas, finalizado com o pedestal para o medalhão da coroa. O guarda corpo que protege a escada é outro esmero do mestre, que a realizou em ferro fundido forjado, isto é, as barras foram modeladas quentes até atingir a forma desejada sem nenhum parafuso ou solda.

                                           
       

O medalhão símbolo da coroa portuguesa, com as armas do Vice-Rei D Luiz de Vasconcelos, em pedra lioz é original do período colonial brasileiro e encontra-se de desgastada pelo tempo. Minuciosamente trabalhado em um bloco maciço, guarda até os dias de hoje o desenho barroco do Mestre.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A arte do Mestre Valentim - 3

O artista das pedras.


As esculturas dos jacarés fazem da parte de um reservatório de água criado por Valentim, para abastecer e adornar o Passeio Publico. Da boca dos jacarés jorra a água que se acumula em uma bacia. Toda em gnaisse (pedra existente na Cidade do Rio de Janeiro), esta foi esculpida bloco por bloco, num perfeito encaixe onde cada um tem formato único com a face interna lisa e inclinada, maiores em cima e menores em baixo, e na face externa em curvas e boleadas, tanto no sentido horizontal como vertical, cujo desenho acompanha até o piso.  Esse trabalho do século XVIII, permanece até hoje no Passeio Publico, apesar de ter sido enterrado por cerca de 100 anos.

Acredita-se que na reforma promovida por Glaziou em torno de 1870, realizou-se um aterro no local, deixando parte da bacia enterrada. Em 2004 através de pesquisas, encontrou-se o restante do piso, recuperando a dimensão da obra do Mestre Valentim.

                                     




terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A arte de Mestre Valentim - 2

A obra de Valentim resiste, apesar das depredações.


Criadas em torno de 1783, as esculturas dos jacarés, encontravam-se em 2002 cobertas por inúmeras camadas de tintas. Em outras épocas, pintaram e aplicaram óleo queimado, para aumentar o brilho do bronze ou talvez para esconder alguma imperfeição, resultando assim numa superfície disforme e escamada, escondendo o refino da obra.

   2004


As caudas foram quebradas, as línguas retiradas e os dentes arrancados pelo vandalismo que sempre depredaram as obras de arte.

 1998


Felizmente, a importância da obra, fez com que se dispunha de muitas fotografias, arquivadas em diversas instituições, em diversos ângulos. Isso permitiu que 2004 a restauração realizada pela Prefeitura conseguisse realizar a modelagem e a fundição das partes faltantes, recompondo o conjunto.
Dois dados são importantes a serem frisados aqui: A importância da fotografia e a divulgação das partes recompostas, o que permitirá no futuro o conhecimento da história da obra, dados que hoje não dispomos.

 2004

 2004

Infelizmente em 2008, novamente um dos jacarés sofreu outra depredação e mais uma vez quebraram uma das línguas, apesar de ter sido soldadas. Em 2011 novas lingas foram fundidas e instaladas completando novamente a figura. Em 2016, devido o afastamento da guarda municipal do parque, os rabos, linguas e dentes foram arrancados, danificando a obra do Mestre Valentim.

 2011

 2016



segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A arte do Mestre Valentim - 1



Valentim da Fonseca e Silva, o Mestre Valentim, nasceu em Servo, Minas Gerais. Veio para o Rio de Janeiro por volta de 1770 onde foi o artista de maior destaque do barroco no Rio de Janeiro. Durante a gestão do Vice-Rei Dom Luiz de Vasconcelos, entre 1779 e 1790, foi o principal construtor de obras públicas da cidade nas áreas de saneamento, abastecimento e embelezamento urbano. Foi projetista, escultor, entalhador. Faleceu em 1813 nesta cidade.

A arte de Valentim é valorizada no Memorial ao Mestre Valentim no Jardim Botânico, porem as suas obras ainda originais estão no Passeio Publico, na Praça XV de Novembro e na Praça General Osório. No Jardim Botânico, as figuras de Eco e Narciso de extrema delicadeza e expressão são réplicas em bronze.

Veja os jacarés no Passeio Público que são resquícios do grande mestre. As esculturas em bronze traduzem fielmente os animais. Os corpos entrelaçados, as formas e as proporções de acordo com o ambiente da fonte, declaram a potencialidade da obra. Os jacarés com as mandígulas abertas, figurando uma ação de um ataque ou disputa, contrapõe com a sua função, a de docemente fornecer água para aqueles refinados da época que frequentavam o Passeio Publico.

A perfeição das formas, surpreendem a quem deles se aproxima. A fundição,com minucioso detalhe no corpo, as pequenas rugas na boca, os dentes são raras para uma obra do seculo XVIII.
A caracterização da fauna nativa brasileira denuncia a inspiração.
Não é a toa que o seu nome precede da palavra Mestre.