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segunda-feira, 9 de maio de 2016

O general O’Higgins e suas ‘andanças’ pela cidade do Rio de Janeiro

Alguns monumentos da cidade do Rio de Janeiro mudaram de localização com o passar das décadas, mas a escultura que homenageia o general O'Higgins é o que mais que teve inaugurações nos últimos 40 anos. 

Em 1959, foi inaugurada a Avenida Chile, no Centro, nova via de circulação aberta mediante o desmonte do Morro de Santo Antonio. Em 1965, por ocasião do IV Centenário de sua fundação, o Rio de Janeiro recebeu do governo do Chile o monumento do seu primeiro presidente eleito, o general Bernardo O'Higgins, primeiro governante das Américas e o primeiro a abolir a escravidão.

A estátua foi instalada  no canteiro central da Avenida Chile, próximo ao Largo da Carioca. No pedestal do monumento existia, então, uma placa em bronze com a seguinte inscrição: “VIVIR CON HONOR O MORIR CON GLORIA” (tradução: “Viver com honra ou morrer com glória”).

Foto: 1979
 
Em 1979, o monumento foi retirado do local para as obras de construção do metrô do Rio de Janeiro. Com isso, a estátua foi guardada no depósito da Fundação Parques e Jardins. Em 1992, quando assumi a tarefa de cuidar dos monumentos da cidade, encontrei a mesma sem os braços.

 Foto: 1993

Em janeiro de 1995, o embaixador do Chile solicitou a recolocação da estátua na Avenida Chile em 20 de agosto, data do natalício de O’Higgins. Contudo, somente no ano seguinte a peça foi restaurada, com o apoio do governo do Chile. 

A restauração foi realizada por Santiago Rojas, enviado pelo governo chileno. Ele alterou a posição do braço direito da estátua, que tinha a mão em direção ao peito, substituindo-o por um braço estendido segurando na mão um chapéu. Uma espada em bronze foi fixada junto à perna direita. O monumento foi reinaugurado em 22 de maio de 1996, sobre um pequeno pedestal num recuo do jardim da avenida.


                                                

Em 2005 o monumento teve a espada e o chapéu furtados. Para a construção de um novo prédio na Avenida Chile – o Ventura Corporate Tower –, a estátua foi novamente retirada do local. 

 Foto: Em 2005 na Avenida Chile
 Foto: Em 2006 no depósito da prefeitura

Após negociações entre o Consulado do Chile e o prefeito César Maia, o monumento foi reinstalado na Praia do Flamengo, próximo ao prédio do consulado, para melhor controle da obra. O monumento ficou sobre um pedestal de concreto revestido com placas de granito. 

Assim, com a visita da presidente do Chile, Michelle Bachelet, em 19 de janeiro de 2007, o monumento foi reinaugurado nessa nova localização, onde permanece desde então.

  


sábado, 21 de novembro de 2015

300. 000 visitantes

Hoje o blog completou uma marca que entendo, representa o interesse e curiosidade  pela historia da cidade do Rio de Janeiro e seus monumentos públicos.


Atualmente "ashistoriasdosmonumentosdorio" recebe cerca de 200 visitas diárias e 5000 por mês com 100 post publicados, o que me incentiva a disponibilizar as informações que obtenho através de pesquisas, nesse instrumento que atinge  aqueles que buscam o conhecimento da historia da nossa cidade com muita facilidade.


Obrigada a todos pelas visitas!

Visitantes pelo origem do  público:
Brasil - 252519
Estados Unidos - 16472
Alemanha - 9045
China - 5034
Portugal - 3691
Russia - 1813
França - 954
Ucrania - 594
Espanha - 346
Suiça - 291




domingo, 18 de outubro de 2015

Reproduções de esculturas do jardim do Palácio de Versalhes no Rio de Janeiro.



Esculturas clássicas do jardim do Palácio de Versalhes, na França, criadas por diversos autores em mármore de Carrara no século XVII, têm reproduções espalhadas pelo Rio de Janeiro, embelezando os espaços públicos da cidade. 

O principal conjunto está na Praça Paris, inaugurada em 1930 com participação do urbanista francês Alfred Agache. O projeto foi inspirado no Jardim de Versalhes, de estilo clássico, que tinha intenção de demonstrar o poder do homem e a elegância de seu espaço, que abriga obras de arte e esculturas. 

 Inauguração da Praça Paris.

No jardim da Praça Paris, quatro esculturas emolduram o chafariz. São conhecidas como “As Estações do Ano”. 

 Primavera   Primavera   Ceres de François Girardon. 

 Inverno     Theophrastus de  Simon Hurtrelle. 

 Outono  Faune de Jacques Houzeau   

 Verão  legros Pandora de Pierre.  

Outro conjunto de peças – também reproduções das existentes no Jardim de Versalhes – está no Chafariz Monumental do Jardim do Monroe, na Cinelândia.

Originariamente, no chafariz existiam quatro golfinhos em bronze, colocados pelo prefeito Pereira Passos nos socos de pedra da escadaria. No ano de 1924, as peças foram retiradas pelo Dr. A. Baptista Ramos Bittencourt, engenheiro chefe do 6º distrito da repartição das Águas e Esgotos, que as instalou no Açude do Morro do Inglês. Nos anos seguintes, na administração do prefeito Prado Júnior (1926 a 1930), o lugar que antes era ocupado pelos golfinhos no chafariz da Cinelândia passou a abrigar as esculturas de mármore que reproduzem obras do Jardim de Versalhes, cópias adquiridas da família Guinle pela Prefeitura.



                                                                    



Amorinos I, Reprodução de  Pierre Le Gros.



  



A morinos II, Reprodução de Simon Baziere.

 

Amorinos III, Reprodução de  Philippe Granier.







Amorinos IV, Reprodução de  Pierre Laviron

 Enfants au miroir.  Pierre Legros 1er.

Outro conjunto, mais nobre, são reproduções da obra de Louis Lerambert que se encontram à frente do portão monumento do Parque Guinle, no bairro das Laranjeiras. Até então, porém, é desconhecida a data de sua instalação.


        

Em Paris:

 

A mais antiga reprodução de Versalhes presente no Rio de Janeiro é a escultura chamada “Ceres”, que se encontra desde 1906 no Jardim do Valongo. Essa peça foi inicialmente instalada no cais do porto, em 1843, por ocasião do desembarque da imperatriz Teresa Cristina, que vinha ao Brasil para se tornar esposa de Dom Pedro II. 

Do conjunto até hoje existente no Jardim Suspenso do Valongo, “Ceres” é uma reprodução da “Faustine” de Nicolas Fremery, presente no  Jardim de Versalhes. “Minerva”, por sua vez, é cópia da “Atena Giustiniani” que está no Museu do Vaticano. Ambas as figuras são femininas. As outras duas peças do conjunto são “Marte” e “Mercúrio”, cujos originais clássicos até hoje não foram identificados. 


 Ceres   Faustine                                                                                                                                  de Nicolas Fremery, 

         Minerva    
A da direita - Cópia Grego romana de origem atribuído a Fídias, Museu do Vaticano. Atena Giustiniani, encontrada no Templo de Minerva, conhecida como Minerva Medica. 


O “Mercúrio” do Valongo, especificamente, não é cópia de nenhuma peça de Versalhes, mas é uma clara reprodução (com pequenas modificações na composição) de uma peça greco-romana de autoria desconhecida – a original existe sem a cabeça, mas aqui está reproduzida com cabeça e de forma desproporcional.

                 Mercurio    

O vaso “Triomphe de Galatée”, obra do escultor François Girardon (1628-1715), foi encomendado pelo rei Luís XIV para adornar os jardins do Palácio de Versalhes. Uma reprodução desta peça se encontra numa praça no bairro da Lagoa – trata-se de uma cópia exata do molde de 1,05m de altura do original.

  





quinta-feira, 1 de outubro de 2015

O busto de Ataulfo de Paiva deve ser instalado em Paquetá ou permanecer no depósito da prefeitura?

Vários monumentos guardados no depósito da prefeitura do Rio de Janeiro estão sem identificação, sem uma referência de quando foram executados, por quem e por que se encontram armazenados ali. O busto de Ataulfo de Paiva (Ataulpho, na grafia original) foi identificado recentemente através de fotos encontradas na internet. Sua história, porém, permanecia desconhecida. E a escultura segue aguardando uma oportunidade de ser instalada em espaço público.

 Foto de Arquivo.

 Busto no depósito.

Ataulpho Nápoles de Paiva nasceu no município de São João Marcos, no Rio de Janeiro, em 1º de fevereiro de 1867, e faleceu no Rio de Janeiro, capital, em 8 de maio de 1955. Além de ter sido eleito em 9 de dezembro de 1916 para a cadeira 25 da Academia Brasileira de Letras, Paiva ocupou os cargos de juiz do Tribunal Civil e Criminal e de presidente da Corte de Apelação do então Distrito Federal. Foi ministro do Supremo Tribunal Federal, presidiu o Conselho Nacional do Trabalho e representou o Brasil nos Congressos Internacionais de Assistência Pública e Privada de Paris e Milão.

Em 4 de agosto de 1900, Paiva fundou com amigos médicos e intelectuais a Liga Brasileira Contra a Tuberculose, porque a doença estava em franca ascensão no Brasil e no mundo devido à urbanização. A liga, hoje Fundação Ataulfo de Paiva, buscava desempenhar atividades contra a doença e desenvolver trabalho assistencial. Paiva presidiu a entidade entre 10 de julho de 1912 e 26 de agosto de 1914 e, depois, de 27 de agosto de 1919 a 8 de maio de 1955 (ano de sua morte). Criou a assistência domiciliar e foi responsável pela implantação do serviço de vacinação da BCG, além de criar o Preventório Rainha Dona Amélia, em Paquetá, e o Preventório da Ilha Grande.


Preventório em Paquetá

Uma das curiosidades de Paquetá é um pedestal vazio que se encontra no Parque dos Tamoios. Diz-se que a peça está lá desde os anos 1950. A história é contada pelo médico veterinário Carlos Ramalho em seu blog, Ilha de Paquetá: 


O pedestal vazio que fica logo depois do busto de Carlos Gomes (para quem vai na direção do Preventório Dona Maria Amélia) e é um monumento bastante singelo: apenas uma pequena coluna de pedras sustentada por uma base também de granito ... e quem me explicou a razão dele ser assim foi o Dr. José Porto, que me disse que esse pedestal fora feito para homenagear o Dr. Ataulpho de Paiva que, como Presidente da Fundação que tem o seu nome e que administra o Preventório, vinha sempre à Paquetá para visitá-lo e, no seu percurso, tinha que passar pelo Parque dos Tamoios que, por isso, seria o melhor local para homenageá-lo e, assim, tomaram todas as devidas providências para que isso acontecesse, mas quando o Dr. Ataulpho de Paiva soube da intenção dessa homenagem, quis vir à Paquetá, o que fez com uma grande comitiva, para verificar in loco o lugar que lhe haviam reservado para isso e, então, chegando ao Parque dos Tamoios, passaram primeiro, como era imperativo, pelo imponente busto de Carlos Gomes, uma obra do grande escultor Ugo Taddey, para logo a seguir chegarem no local do pequenino pedestal onde pretendiam homenageá-lo e, então, abriu mão dessa honraria, com a seguinte ponderação: “Eu não quero que o meu busto fique aqui de jeito nenhum, porque depois que as pessoas passarem pelo imponente busto de Carlos Gomes, o grande maestro, certamente perguntarão quando chegarem ao meu: ... E esse outro, quem é ? ... E eu não quero ser o outro de jeito nenhum!”...E foi por isso...
(Texto de 17/12/2011, reproduzido da página http://ilhadepaquet.blogspot.com.br/2011/12/o-pedestal-vazio.html)

Uma outra versão diz que Ataulfo de Paiva possuía vastas madeixas e ostentava com grande garbo um topete tipo “Pão de Açúcar”. O escultor responsável pela execução do busto, fiel ao modelo, reproduziu aquele “Pão de Açúcar”, não agradando ao homenageado, que vetou a colocação do seu busto no referido pedestal.

No pedestal existe hoje uma placa explicativa que descreve que o homenageado não aceitou a honraria.

Recuperada esta história dos anos 1950, fica a questão: o busto de Ataulfo de Paiva merece ir para Paquetá, sendo instalado no local que lhe foi destinado há décadas, ou deve permanecer no depósito da Prefeitura?