quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Alfredo Agache e o plano urbano para a Cidade do Rio de Janeiro



O Rio de Janeiro do início do século XX era uma nova capital com a reforma empreendida pelo prefeito Pereira Passos e Paulo de Frontin, que visava criar uma nova feição da cidade. Com apoio de setores da elite da sociedade, promoveu um “bota-abaixo”, como ficou conhecido o prefeito.
Incentivado pelo presidente Rodrigues Alves, Pereira Passos começou as reformas em 1903 durando até 1906, no fim de seu mandato. O Presidente da República levantou os recursos para o prefeito realizar as obras, bem como para o médico sanitarista Oswaldo Cruz, diretor do Serviço de Saúde Pública, higienizar a cidade.
A reforma na cidade do Rio de Janeiro, fortemente impactada pelo plano de Haussmann (Georges-Eugène Haussmann foi nomeado prefeito de Paris por Napoleão III e remodelou a cidade de Paris), ocorrido entre os anos de 1853 a 1870, promoveu intervenções de ordem sanitária, viária e estética. O principal objetivo de Pereira Passos foi o embelezamento, dando nova fisionomia arquitetônica à cidade através da valorização dos espaços centrais, determinando recuo das edificações substituindo as antigas vielas por ruas mais largas e arborizadas. Foram realizadas obras de escoamento das águas pluviais, privilegiando a área central da cidade, os bairros vizinhos e parte da zona sul, destacando também o esgotamento sanitário e sistema de abastecimento de água.

Francisco Marcelino de Sousa Aguiar foi prefeito do Distrito Federal entre 1906 e 1909, nomeado pelo presidente Afonso Pena, com a missão foi concluir obras da administração Pereira Passos. Em 1909 foi nomeado para o cargo de prefeito, pelo então presidente Nilo Peçanha, Serzedelo Correa, que exerceu o cargo durante 15 meses, de 24 de julho de 1909 a 15 de novembro de 1910, período em que realizou um trabalho de organização, reestruturando vários órgãos municipais e criou o Serviço Sanitário da Instrução Pública. A Bento Ribeiro prefeito de 16 de novembro de 1910 a  16 de novembro de 1914 coube a implantação de um programa rigoroso de contenção de despesas, na tentativa de estabilizar as finanças municipais. De 1914 a 1920, a cidade teve seis prefeitos, com gestão de no máximo 2 anos, impedindo ações de planejamento de médio prazo.
A administração de Carlos Sampaio (1920- 1922) se dedicou à comemoração do Centenário da Independência. Realizou a demolição do Morro do Castelo, a abertura da Avenida Rui Barbosa, dando continuidade à Avenida Beira-Mar ligação do Centro à Copacabana; executou obras de saneamento e embelezamento na Lagoa Rodrigo de Freitas.  Intensificou a retirada do centro da cidade de residências de baixa renda, direcionando a ocupação dos subúrbios, mas teve as instituições de classe de arquitetos e engenheiros apontando a necessidade de elaborar planos urbanístico para a cidade.
A seguir, na gestão Alaor Prata (1922-1926), o debate em torno da confecção de um plano de remodelamento para a cidade foi encampado por outros setores da sociedade, como o recém criado Rotary Club do Rio de Janeiro.
Assim, Prado Júnior (1926-1930), em janeiro de 1927, convidou o Professor Alfredo Agache para vir ao país, a fim de realizar  palestras sobre urbanismo, perante as críticas de diversos arquiteto.
   
Figura 1: O Jornal de 5 de junho de 1927 ( Segunda secção pagina 1).

Alfred Hubert Donat Agache, mais conhecido como Alfred Agache, nasceu em Tours em 1875 e faleceu em Paris em 1959. Lecionou como titular da cátedra de História de Arte no Collège Libre des Scienes Sociales. Em 1903, ganhou seu primeiro Concurso Internacional para a reformulação da Capital da Austrália, Camberra. Neste mesmo ano publicou "La Housing - question a Londres", um estudo da habitação popular em Londres. Após a primeira guerra mundial, escreveu "Reconstruire nos cités détruites, Notions d'urbanisme s'appliquant aux villes, bourgs et villages". A partir de 1919, ele foi responsável pelos planos de urbanização de Paris, de Dunquerque, de Orleans e de Lisboa.

 
Busto na Praça Paris de Alfredo Agache


Em 22 de maio de 1927, o prefeito Prado Júnior anunciou a vinda do arquiteto para organizar estudos de remodelação da cidade, abrangendo serviços indispensáveis a uma grande capital.
A contratação de Agache foi promovida pelo Sr. Francisco Guimarães, diplomata brasileiro em Paris que fazia campanha por um plano para o Rio de Janeiro desde 1919, no valor de 100 mil francos, mais as passagens de ida e volta a Paris. Desde as reformas promovidas por Pereira Passos na área central da cidade e seguidas pelos prefeitos que o sucedeu, inúmeras críticas a todas as intervenções que “abandonou” aos moradores mais pobres, demonstrava ao desconhecimento da importância de um plano urbano com um diagnóstico exato da Cidade e de uma atuação em sintonia com as ideias urbanísticas.
Em 20 de junho de 1927, Agache desembarcou na cidade. No dia 5 de julho, realizou a 1ª Conferência no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, na presença do Presidente do Brasil e do Prefeito desta cidade, com a apresentação inicial do Rotariano Mattos Pimenta, que expôs a carreira do conferencista.  Agache na ocasião se dedicou a explanação do que é o Urbanismo, sobre a tarefa de um urbanista, encerrando sua apresentação com o histórico do desenvolvimento de Paris, ilustrando a exposição com projeções luminosas.
Nos primeiros dias na cidade, Agache procurou promover palestras, na busca de apoio, principalmente para os mais interessados em conhecer uma nova forma de pensar as cidades. No dia 15 de julho, se apresentou no Salão de honra da Sociedade de Geografia, promovida pela Liga Esperantista Brasileira; no dia 20 promoveu a 3ª Conferencia com o tema “Cidades tentáculos e cidades satélites. Solução para a cidades jardins”;  dia 23 do mesmo mês, no Automóvel Clube, expôs sobre os novos métodos de fotografia aplicados ao estudo dos planos das cidades. 
Por outro lado, é manchete de um jornal da cidade “Convivendo com as almas simples – O urbanista Agache foi homenageado ontem com uma feijoada completa, que lhe foi oferecida pelos moradores do Buraco Quente, no morro da Favela”.

   
Figura 2, O Jornal dia 19 de julho de 1927, página 7

Além das favelas o urbanista percorreu todas as áreas da cidade para a elaboração do plano. Cabe aqui o diagnostico no texto de Agache (1930).
“O problema das favelas está ligado a questão do preparo dos subúrbios operários. Pode-se dizer que são o resultado de certas disposições nos regulamentos de construção e da indiferença manifestada até hoje pelos poderes públicos, relativamente as habitações da população pobre. Perante as dificuldades acumuladas para obter-se uma autorização de edificar – requerimentos e formalidades só alcançam o seu destino depois de muito tempo e taxas onerosas – o operário pobre fica descoraçado e reúne-se aos sem teto para levantar uma choupana com latas de querosene e caixas de embalagem nas vertentes dos morros próximos a cidade e inocupadas onde não lhes reclamam impostos nem autorização.
Pouco a pouco surgem casinhas pertencentes a uma população pobre e heterogênea, nasce um princípio de organização social, assiste-se ao começo do sentimento da propriedade territorial. Famílias inteiras vivendo lado uma da outra, criam-se laços de vizinhança, estabelecem-se costumes, desenvolvem-se pequenos comércios.
É um fato curioso, grave sob o ponto de vista social estimar-se a população das favelas em 200.00 almas, grave igualmente porque o abandono aos morros representa o abandono a uma liberdade individual ilimitada criada dos sérios obstáculos não só sob o ponto de vista da ordem social e da segurança, como sob o ponto de vista da higiene geral da cidade, sem falar da estética. Não devemos esquecer, no entanto, que se as favelas são bairros infectados eles não faltam, pela sua situação, nem sol, nem de ar e sol, gozam de um horizonte invejável e não é para surpreender se a população pobre se encontra ali mais a vontade do que em numerosas vilas e avenidas construídas para ela e onde falta ar e espaço”.
Das áreas residências suburbanas aponta: “Até a hora atual, os subúrbios operários da Leopoldina e da Central do Brasil desenvolveram-se sem plano de conjunto e a maior parte deles são a justaposição de loteamentos ao acaso de propriedades particulares. Eles se assinalam pela falta de ossatura de vias principais que permitam comunicações fáceis e transportes rápidos para o centro urbano ou os lugares de trabalho, a ausência de jardins, largos ou espaços livres para jogos; afora algumas ruas mais importantes, a maior parte das calçadas não tem revestimento e cada chuva de alguma intensidade as transforma em barrancos; o abastecimento de água é insuficiente e os esgotos, totalmente inexistentes desde que nos afastamos do centro”.
Ao se deter no seu Plano Diretor, evidencia-se o caráter científico da proposta, inicialmente com o estudo historiográfico detalhado da evolução urbana. A seguir, percebe-se que a topografia da cidade tem atenção central, devido à grande presença de montanhas. Por fim, nos “grandes problemas sanitários”, Agache aborda a questão do abastecimento d’água, do esgotamento sanitário e das inundações. A sua formação sociológica, associada a uma investigação cuidadosa e metódica de dados estatísticos (dados do Censo de 1920), no sentido de planejar o zoneamento, permitiu um diagnóstico da cidade até então inexistente.
Diferentemente da proposta de Pereira Passos, que focou na área central, o Plano Agache teve como objetivo ordenar a cidade através de um zoneamento e de uma legislação urbanística. Ele estabeleceu duas funções principais: (i) político-administrativo, devido à posição da cidade enquanto capital; e (ii) comercial-industrial, pela condição de porto, na área central.
O deslocamento das indústrias para a áreas distantes, de acordo com os projetos das elites, desde a gestão Pereira Passos (1902-1906), com a expulsão das populações pobres do Centro e da Zona Sul, foi mais evidente quando  Agache, definiu as favelas como “conjunto de habitações precárias dos morros do Rio de Janeiro”. Agache propôs a sua destruição e a transferência desta população às vilas operárias, as quais seriam construídas nas regiões suburbanas. Convém observar que esta proposta foi retomada nos anos de 1960 pelo governador Carlos Lacerda.
Entre as inúmeras propostas, Agache apresentou, a partir do estudo das bacias hidrográficas, a necessidade de construção de barragens, de barragens-reservatórios, destacando a importância da conservação das obras, a proteção do solo pela arborização, projetos de rede de saneamento. Apresentou a possibilidade de construção de linhas de Metrô e esquemas de construções para as nove zonas que diferenciou na cidade.

 
                                            Planta 1 – Planta de zoneamento proposta pelo Plano Agache

 
Planta 2 -  Proposta da Cidade Universitária na Praia Vermelha, unificando prédios num único ambiente acadêmico.

Planta 3 – Proposta de rede de esgoto sanitário da área urbana.

O plano idealizado por Agache foi entregue nos últimos meses da administração do prefeito Prado Junior. Em outubro de 1930 é deposto o Presidente Washington Luís e consequentemente o prefeito, determinando a descontinuidade das propostas e desconfiança, bem como o retorno de Agache a França. O plano foi finalmente revogado pelo novo prefeito Pedro Ernesto (1931-1936).
Em 1939, Agache retornou ao Rio de Janeiro, passando a ser o consultor da empresa de engenharia Coimbra Bueno & Cia Ltda. Entre os anos de 1940 e 1943 foi um dos responsáveis pelo plano de urbanização da cidade de Curitiba, através da empresa que era consultor. Também elaborou projetos urbanísticos para São Paulo, Vitória e Recife, e cidades de outros países, como São Petersburgo, Chicago, Lisboa e Istambul.
Do Plano Agache, presente até os nossos dias na paisagem urbana da cidade do Rio de Janeiro, está a Esplanada do Castelo e a Praça Parisprojeto do arquiteto paisagista André Redonte a concepção da Avenida Presidente Vargas.


O legado de Alfred Agache, bem como de sua equipe formada pelos arquitetos E. de Gröer e W. Palachon e o engenheiro sanitarista A. Duffieux., foi a consolidação do primeiro Plano Diretor completo, com a metodologia e um diagnóstico detalhado da situação urbana da cidade do Rio de Janeiro.  A partir dele podemos pensar o planejamento urbano como ciência a ser aplicada na nossa cidade.








quarta-feira, 10 de outubro de 2018

As fontes e bicas do Parque Nacional da Tijuca.


O Parque Nacional do Rio de Janeiro foi criado através do Decreto N° 50.932, emitido pela Presidência da República em 6 de julho de 1961, com aproximadamente 3 200 ha. A diversidade natural, foi sem dúvidas um dos atributos importantes para tornar a área um Parque Nacional.  Além disso, a ocupação humana ao longo de quatro séculos disponibilizou uma herança histórico-cultural, que passou a ser reconhecida, no mesmo ano, como patrimônio a ser preservado, já que a Floresta da Tijuca acompanha a história da cidade do Rio de Janeiro desde o período colonial. Através do processo 762-T-1962, o parque foi tombamento no Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico na Inscrição nº 42, de 27 de abril de 1967, que o indica como área natural-cultural, como um todo, e lhe confere, por meio do instrumento legal do tombamento, o status de patrimônio protegido.

Em 2012, a Cidade do Rio de Janeiro passa a ter reconhecimento do valor da sua paisagem urbana como "Rio de Janeiro: Paisagens Cariocas entre a Montanha e o Mar", tendo recebido o título concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) de Paisagem Cultural, cujo área do Parque Nacional e seus elementos introduzidos como paisagem cultural foram também considerados.

Trata-se, portanto, de um patrimônio cultural, por sua história, ainda que seja uma floresta, com cascatas, jardins paisagísticos, rios, fontes, grutas e matas.

A Floresta da Tijuca foi reflorestada no século XIX após anos de desmatamento e plantio (principalmente de café). O reflorestamento foi uma iniciativa pioneira e a pessoa responsável pelo reflorestamento, apontada pelo Imperador Pedro II em 1861, foi o Major Gomes Archer, o primeiro administrador.

O segundo administrador, Barão Gastão d'Escragnolle continuou o replantio de 1874 a 1888, e criou espaços, como um parque para uso público, inserindo espécies exóticas, pontes, fontes, lagos e locais de lazer com auxílio do paisagista francês Augusto Glaziou. A obra do Barão pode ser admirada ainda hoje, nos resquícios de rocailles imitando pedra roliça, nas fontes, nos  mirantes e lagos que batizava com nomes de suas predileções literárias – caso da gruta “Paulo e Virgínia” e a do “Excelsior”, em homenagem a Bernardin do Saint Pierre e Longfellow, respectivamente – ou de familiares, como a Ponte da Baronesa, Cascata Gabriela (sua irmã) e a Vista do Almirante (homenagem ao avô, Almirante Beaurepaire).

No século XX, Raymundo Ottoni de Castro Maya, administrou a floresta de 1943 a 1946, fez ressurgir o parque, que havia ficado esquecido durante os primeiros anos da República. Em parceria com o arquiteto Vladimir Alves de Souza e com o paisagista Roberto Burle Marx, Castro Maia recuperou a floresta introduzindo obras de arte, edificações e recantos. Foram também implantados serviços e sanitários e restaurantes.

Esse levantamento se dedicará as fontes existentes, identificadas como do século XIX e as do século XX.

Apesar da pouca documentação, a pesquisa iconográfica se dedicou a identificar os elementos decorativos, a fim de resgatar a originalidade dessas fontes, atendendo ao tombamento de 1967.


As fontes século XIX

1   
           1.    Fonte Midosi

A história dessa fonte está ligada a residência do Major Manuel Gomes Archer no sitio Midosi ( local do restaurante “A Floresta”) antiga propriedade de Guilherme Midosi, cafeicultor, que ali residiu, até 1856, quando passaram suas terras para a Fazenda Imperial. 

Nessa pesquisa iconográfica foi possível identificar que a fonte possuía uma escultura neoclássica até os anos de 1960. Na segunda foto aparece a parede azulejada e saída direta da agua, o que permanece na foto de 1998. Em 2014 se verifica a inclusão de outro elemento, uma cara de leão de cimento.

  Anos de 1940 durante a gestão de Castro Maya
 Anos de 1960 – s/identificação

 



2.  Fonte do Vaso na Cascatinha

As fotos dos anos de 1940, permite a hipótese que essa fonte se encontrava em outro local diferente, pois não há possível visão do céu atrás da fonte, bem como o apoio foi modificado. A situação atual que pode ser constatada na segunda foto, com um painel de azulejos e  torres laterais. 

  Anos de 1940 


 

3.    Fonte da Medusa

Foi instalada inicialmente no trecho da curva em frente a da Vista Chinesa, a peça foi transferida para uma murada construída, provavelmente nos anos de 1940, junto com o guarda corpo de proteção do monumento. 

 Cartão postal s/data

 


4. Fonte do Humaitá ( perto da gruta Paula e Virginia )

A primeira foto apresenta uma escultura neoclássica sobre o pedestal, nos anos de 1940, com uma rosácea e tubo para o jorro da água. Seguindo a hipótese que essa fonte é anterior a gestão do Gestor Castro Maia, a instalação da bacia de mármore foi a inclusão executada por esse gestor, como todas as outras criadas por ele. A foto atual apresenta a fonte sem a escultura e a rosácea, contudo ocorreu a inclusão de outro elemento, uma cara de leão de cimento. 

 


5. Fonte da Hípica

A fonte é uma das mais simplórias, unica no setor da Floresta sem a bacia de mármore, incluída no período de Castro Maya. 

 




As fontes século XX

I.  Na Floresta da Tijuca

De acordo com a matéria publicada por Castro Maya - Prestação de Contas, Administração - no Diário de Notícias de 14 de setembro de 1947, “ foram construídas pontilhões, fontes, muralhas de sustentação e colocados inúmeros bueiros”.

As banheiras de mármore que foram introduzidas no Parque,  são de origem desconhecidas até hoje, porém diversas fontes de água, foram montadas a partir dessas peças e pode-se observar pelo de estado de conservação que se encontram atualmente, que provável a instalação, tem cerca de 50 anos de exposição.

Outra característica para identificar as fontes como desse período, foram o conjunto de fontes e bancos revestidos de azulejos ou cacos, ora com motivos florais ora por motivos geométricos em azul, que pode ter sido fabricada no Brasil ou mesmo ser portuguesa. 



       1. Fonte dos Azulejos

Pequena construção, que a partir de uma calha, direciona a água do riacho. Toda revestida por cacos de azulejos, é o destaque num recanto criado por uma pequena murada de blocos de pedra.

 


2.Fonte abaixo da Ponte Job de Alcântara

Fonte composta por um mural recortado, revestida com azulejos florais com destaque ao peixe estilizado em porcelana pintada. A água é recolhida através de uma banheira de mármore de Carrara com a figura de dois sátiros na sua frente.

 



3.  Fonte jardim da Capela Mayrink

Fonte composta por um mural recortado, revestida com cacos de azulejos com destaque a figura estilizado em argamassa. A água é recolhida através de uma banheira de mármore de Carrara com a figura de dois sátiros na sua frente.

 


4.   Fonte do Largo do Bom Retiro

Fonte composta por um mural recortado, revestida com azulejos decorados, diferente da anterior,  com destaque a figura estilizado. Essa fonte tem linhas  semelhantes a existente no jardim da capela Mayrink.

 


5. Fonte do largo da Cascatinha

Fonte composta por um mural de pedra, onde está instalado um painel de azulejaria com o mapa da Floresta, e uma banheira de mármore.  A água jorrava diretamente na banheira sem nenhum elemento decorativo. Recentemente foi inserida uma “ cara de leão” de cimento.

 



 6. Fonte do Lago das Fadas 

 Fonte composta por um mural revestido por seixos rolados e uma coluna revestida ao redor com azulejos com uma pia redonda de mármore.  Possuía originariamente um dragão alado em bronze de onde vertia água. O Lago das Fadas, nome dado por Escragnolle, tem paisagismo original de Glaziou, no antigo charco. Foi represado e restaurado pelo arquiteto Vladimir Alves de Souza, durante a gestão de Castro Maya. 

 



      7.  Fonte Wallace

Fonte criada a pedido do filantropo inglês Richard Wallace, de autoria de Auguste Lebourg, para fornecer água ao povo francês. Proveniente das Fundições Val d’Osne, essa fonte é uma das peças mais difundidas em todo o mundo, sendo que a cidade do Rio de Janeiro, conta com três exemplares.  Trata-se de uma peça em ferro fundido ornada por quatro cariátides que representam a bondade, a simplicidade, a caridade e a sobriedade e sustentam uma cúpula ornamentada com escamas de dragão, terminando numa ponteira. A água que sai do interior da cúpula e cai numa pequena bacia colocada aos pés das cariátides.

As Fontes Wallace chegaram ao Brasil através do Prefeito Pereira Passos, em 1906. Há relatos da presença dessas fontes no Passeio Público, na Ilha do Governador, na Avenida Rio Branco (no pátio interno da Caixa Econômica Federal no Centro do Rio); e no  bairro de Santa Cruz. No Jornal do Brasil de 8 de março de 1977, cita que na gestão de Castro Maya o Jardim dos Manacas foi recuperado e instalada a Fonte Wallace, talvez a transferida da Caixa Econômica.

Na Floresta da Tijuca o registro dos anos de 1940, permiti verificar a pintura da vestimenta das cariátides, para evidenciar as figuras.


 




II.   Na Estrada da Castorina

As fontes instaladas na Estrada da Castorina, apresentam características semelhantes, isto é, foram construídas com blocos de granito, com bicas sem elementos decorativos, e uma bacia para esgotamento.
No jornal “Diário de Notícias” em janeiro de 1938,  na gestão do Diretor Geral de Viação e Obras Públicas, Sr. Edson Passos, noticia a construção de um vasto plano na localidade conhecida como Mesa do Imperador, como um terraço para turistas fazerem refeições e admirar a cidade. Nessa época desaparece o caramanchão rustico, sobre uma mesa de madeira, instalado por Pereira Passos e aparece uma fonte em frente a mesa.


 
Revista da Semana 1906


1.    Fonte do Imperador

Fonte composta por mural com uma bica e uma bacia. Confeccionada em pequenos blocos de pedra de granito na murada de contenção do local .

   2001


1    2. Fonte das Duas Bicas

Fonte composta por um reservatório, um mural com duas bicas e uma bacia. Confeccionada em blocos de pedra de granito em cantaria, formando um recanto no caminho do riacho.




 3.   Fonte das Três Bicas

Com dimensão superior a anterior, a fonte é composta por um reservatório, um mural com três bicas e uma bacia, semelhante a anterior.

 


1   3. Fonte de Pedra I

Fonte composta por mural com uma bica e uma bacia. Confeccionada em blocos de pedra de granito no caminho do riacho.



4.    Fonte de Pedra II

Fonte de conjunto semelhante a anterior contudo com blocos pequenos de pedra. 





  Fontes construídas depois de 1967 ( Tombamento)

Na pesquisa se verificou que os anos de 1970, a conservação do parque esteve deficiente, com inúmeras matérias em jornais sobre o descaso e desgaste dos recantos e monumentos do Parque.  No Jornal do Brasil de 18 de dezembro de 1980, anuncia a reabertura da Floresta da Tijuca, com a substituição do portão do Museu do Açude, a restauração da Capela Mayrink e da Fonte Wallace, a reforma dos sanitários públicos, a pintura dos gradis, a limpeza dos lagos, o asfaltamento das vias principais, a construção de churrasqueiras, a instalação de bancos e bicas.

Esses serviços foram promovidos pela fábrica Souza Cruz, numa parceria com o  IBDF ( Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal). Provavelmente esse período foram construídas as fontes abaixo, caracterizadas por utilização de azulejos comerciais da época, tentando uma reprodução das fontes do período de Castro Maya, um salvo histórico para o parque.


1  1.   Fonte próxima a Mesa do Imperador



1  2. Fonte do Lago do Açude


                                           


1  3.   Fonte da Gruta Paulo e Virginia



4. Fonte do Recanto dos Pintores