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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Estácio de Sá, o monumento ao fundador da Cidade do Rio de Janeiro.


A história desse monumento se inicia nos festejos do 4º Centenário da Cidade do Rio de Janeiro, em 1965, quando os compositores Haroldo Barbosa e Raul Mascarenhas fizeram um samba que comentava inexistência de um monumento ao fundador da cidade: “Cadê a estátua de Estácio de Sá?”

Esse fato gerou muita polêmica na ocasião, motivando a realização de um levantamento para descobrir que homenagens haviam sido feitas ao fundador da cidade. Passados os anos, a ideia ressurgiu no Instituto de Patrimônio Histórico Nacional, encampada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro.

A primeira intenção previa a construção de uma estátua de Estácio de Sá. Contudo, apesar das pesquisas feitas, não foi encontrada a figura do fundador. O Governo do Estado criou, então, uma comissão, à qual foram apresentados diversos projetos, sendo escolhido o de Lúcio Costa. Finalmente, em 1970, o monumento a Estácio de Sá teve a pedra fundamental lançada pelo primeiro ministro de Portugal, professor Marques Caetano, prevendo sua inauguração em 20 de janeiro de 1972.

O local estava definido, nas proximidades de onde Estácio de Sá lutara contra os índios tamoios e recebera o ferimento que causaria sua morte, ou então o lugar onde ficava o morro do Castelo, hoje uma esplanada.

O projeto de Lúcio Costa previa um monumento dividido em dois ambientes: um ao ar livre, elevado em relação ao nível do parque, ocupando uma área de 450 m², e outro abaixo, formando um grande salão.

A área externa, talvez intencionalmente, recria o belvedere do Passeio Público (primeiro espaço público da cidade), cujo terraço permite a vista do mar, tendo próxima uma pirâmide triangular de pedra de 17m de altura que pode ser vista da Baía de Guanabara, um marco da paisagem da cidade.

                                              
O monumento valoriza o principal símbolo de Estácio de Sá, sua lápide. A partir dela, criou-se uma ambiência de exposição. Instalou-se uma cópia da lápide que está na Igreja dos Capuchinhos, no bairro da Tijuca. Ela está no piso inferior do monumento, no salão, mas é visível do terraço. Para tanto, criou-se uma estrutura de vidro trapezoidal na laje. Esse vidro dá um efeito de claraboia no salão, permitindo que os raios solares entrem e incidam sobre a cripta.
  
Lapide de Estácio de Sá, na Igreja de São Sebastião.

                                                     
                                                                                                                           Vista do piso de vidro no terraço

No salão, a cripta está sobre uma caixa de areia, que representa a areia onde o fundador da cidade desembarcou, ao lado do marco em pedra, réplica do existente na Urca. O piso e as paredes são de pedras extraídas das ruas do Rio de Janeiro, emparelhadas uma a uma para adequação ao projeto.

                                                                     

Outra preciosidade do monumento é sua porta de bronze, que dá acesso ao salão. Ela foi realizada por Honório Peçanha. De um lado dela está o primeiro mapa quinhentista, em relevo; do outro, o brasão do fundador.

                             

Finalmente, em 29 de marco de 1973, às 10h, foi inaugurado o monumento, com a presença do governador do Estado, Sr. Chagas Freitas, e do embaixador de Portugal no Brasil, Sr. José Henrique Saraiva.

Desde sua inauguração até 2010, o Salão do Monumento ficou fechado, o que favoreceu a sua invasão por desocupados, danificando sua porta e instalações.

      Foto de 1998 - Luis Verdugo

Em 11 de novembro de 2010, após permanecer fechado para obras durante três anos, foi inaugurado o centro de visitantes do monumento, idealizado por Lúcio Costa há 40 anos.

O local passou a ser mais uma alternativa de passeio, que permite a visão da Baia da Guanabara com o Morro do Pão de Açúcar ao fundo. Foram instalados computadores que poderão ser usados para pesquisa, além de totens multimídia com conteúdo audiovisual que conta a história do Rio de Janeiro.

O local, que também conta com um espaço para exposições, encenações e apresentações musicais, possui um auditório com capacidade para 37 pessoas, com projetor, telão e televisores LCD de alta definição, podendo ser utilizado para sessões de cinema, palestras, workshops, entre outras atividades.



Finalizo essa história descrevendo que a palavra pirâmide não provém da língua egípcia. Formou-se a partir do grego "pyra" (que quer dizer fogo, luz, símbolo) e "midos" (que significa medidas). A piramide foi então inspiradora no Rio de Janeiro de dois mestres, o Mestre Valentim, no início do século XIX e Lucio Costa no século XX.



Lúcio Costa foi o pioneiro da arquitetura modernista no Brasil. Ficou conhecido mundialmente pelo projeto do Plano Piloto de Brasília. Estudou na Royal Grammar School, em Newcastle, no Reino Unido, e no Collège National, em Montreux, Suíça. Retornou ao Brasil em 1917 e, mais tarde, passou a frequentar o curso de arquitetura da Escola Nacional de Belas Artes. Apesar de praticar arquitetura neoclássica durante seus primeiros anos, rompeu com essa formação historicista e passou a receber influências da obra do arquiteto franco-suíço Le Corbusier.

O arquiteto iniciou parceria com o colega ucraniano Gregori Warchavchik, que construiu a primeira residência considerada moderna no Brasil. Em 1930, foi nomeado para dirigir a Escola Nacional de Belas Artes, com a missão de renovar o ensino das artes plásticas e implantar um curso de arquitetura moderna.

Em 1939, foi co-autor do pavilhão brasileiro para a Feira Universal de Nova York, juntamente com Oscar Niemeyer e Paul Lester Wiener. Em 1957, ao ser lançado o concurso para a criação da nova capital do país, Costa enviou ideia para um anteprojeto, contrariando algumas normas do concurso. Apesar disso, venceu por quase unanimidade (apenas um jurado não votou nele), sofrendo diversas acusações dos concorrentes. Desenvolveu o Plano Piloto de Brasília e, como Niemeyer, passou a ser conhecido em todo o mundo como autor de grande parte dos prédios públicos da capital federal brasileira.

   Lucio Costa 

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Noel Rosa em Vila Isabel.

Noel de Medeiros Rosa nasceu no Rio de Janeiro em 11 de dezembro de 1910. Estamos, portanto, às vésperas de comemorar o centenário de seu nascimento. A importância de Noel Rosa para o bairro de Vila Isabel, onde ele morava, se deve por ser ele um dos maiores e mais importantes artistas da música brasileira em todos os tempos. Noel teve contribuição fundamental na legitimação do samba de morro e no asfalto, ou seja, entre a classe média e o rádio, principal meio de comunicação em sua época, fato de grande importância não apenas para o samba, mas para a história da música popular brasileira.

Logo após a morte de Noel, em 4 de maio de 1937, seus amigos Antônio Nássara (compositor e cartunista) e Orestes Barbosa (cronista e poeta) se empreitaram em imortalizar sua figura no bairro de Vila Isabel. A ideia recebeu fortes adesões do meio musical, como a do compositor Lamartine Babo. O escultor Alfredo Herculano, amigo de Nássara, se propôs a criar a obra.

Então, em 18 de agosto de 1938, foi inaugurada na Praça Tobias Barreto, em Vila Isabel, uma pequena coluna de pedra que ressaltava o perfil característico de Noel Rosa e o violão, instrumento que tanto o acompanhou em suas composições.

Em 1946, a escultura foi transferida para a Praça Barão de Drumond, no final do Boulevard Vinte e Oito de Setembro, eixo principal do bairro.

 

Em 1987, no dia 4 de maio, quando se completaram 50 anos da morte de Noel, a cidade do Rio de Janeiro prestou outra homenagem ao compositor. Foi realizado um pequeno busto, simples e expressivo, feito pelo escultor Mandarino, para marcar a presença de Noel no canteiro central do boulevard, bem próximo aos bares que o homenageado costumava frequentar.

                            
 

A terceira vez em que a cidade prestou reverência a Noel foi em 1996. Para a estátua do compositor, foi criado um largo realizado pelo artista plástico Joas dos Passos no início do boulevard, formando um conjunto escultórico todo de bronze, em cujo centro está a escultura, rodeada de colunas de granito. Aqui a figura é de corpo inteiro – Noel aparece sentado à mesa de um bar, servido por um garçom. Ao lado dele está uma cadeira vazia, para que qualquer pessoa lhe faça companhia.

Essa última homenagem do Rio de Janeiro a Noel Rosa representou a revitalização do boulevard, após uma intervenção urbana no bairro.

 




domingo, 5 de dezembro de 2010

Nossa Senhora da Imaculada Conceição – Escultura que virou uma lenda urbana.

Quando se fala que o Rio de Janeiro é um museu a céu aberto, devemos considerar isso como um fato. A escultura de Nossa Senhora da Conceição que está no Largo do Machado, por exemplo, é uma das mais importantes relíquias da cidade, tombada pelo DGPC pelo Decreto 25693 de 23/08/2005.                                        
                                     
                                    
     
A estátua foi inaugurada em 8 de dezembro de 1954, dia em que a Igreja Católica comemorou o centenário da promulgação do dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Ou seja: o dogma de que a Mãe de Deus concebeu sem a mancha do pecado original, promulgado pelo Papa Pio IX em 1854. Quatro anos após a proclamação do dogma, Maria Santíssima apareceu a Bernadette Soubirous, na cidade francesa de Lourdes, dizendo: “Eu sou a Imaculada Conceição”. Assim, a imagem é representada por Nossa Senhora sobre o globo terrestre, com os pés a esmagar uma cobra, símbolo do pecado original.


                                 
                         
Coube a Dom Jaime Câmara doar a peça ao Rio de Janeiro. A história dessa doação é interessante e está registrada em seu diário. Ela começa no dia 12 de novembro de 1954, quando D. Jaime foi ao Largo do Machado para um segundo encontro com o secretário da Viação e Obras da Prefeitura (Dr. Jorge), o diretor de Parques e Jardins e o professor Edgar Fonseca, da Pontifícia Universidade Católica (PUC), para estudar a construção do monumento a Nossa Senhora, aprovada pelo cardeal.

D. Jaime resolvera aproveitar a estátua da Virgem que estava no Palácio São Joaquim. Ela era criação do escultor genovês Antonio Canova, adquirida por Dom Joaquim Arcoverde Cavalcanti em uma de suas viagens à Europa, por conta da construção do palácio, que abrigava o Ministério do Exterior da Primeira República. A intenção era comemorar com solenidade o centenário da promulgação do dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria. Para isso, não haveria marco melhor que um monumento na praça em frente a uma igreja tão conhecida, a matriz das Laranjeiras.


Em dezembro de 2015 o pesquisador Ivo Korytowski enviou a seguinte informação: " Ampliei a foto no meu computador e vi que se trata de "G NAVONE GENOVA 1907". Ou seja, a estátua não é realmente do Canova, infelizmente, e sim do escultor genovês Giuseppe Navone, bem menos famoso que o Canova, mas agraciado mesmo assim com um verbete na Wikipedia, em italiano, em: https://it.wikipedia.org/wiki/Giuseppe_Navone. Ou seja, não é um joão-ninguém. A versão de que a estátua é do Canova seria mais uma dessas lendas urbanas que acabam virando "realidade", 

                                      

No entanto, levar a escultura do palácio para o Largo do Machado foi um enorme desafio. Como fazê-lo sem danificar aquela preciosa imagem de mármore, dotada de braços e dedos delicados? Uma firma cobrou 30.000 para fazer o transporte, preço considerado exagerado. Uma outra pediu 50.000!

Procurou-se por socorro no Cais do Porto. Lá, o Dr. Francisco Gallotti manifestou boa vontade, mas ele não tinha um guindaste adequado para um ambiente pequeno como o jardim do Palácio São Joaquim.

No dia 2 de dezembro, ainda não havia quem fizesse o serviço. Apenas conseguiu-se que a Marmoraria Santo Cristo apressasse o revestimento do pedestal do monumento. Mesmo assim, no dia 30 de novembro, D. Jaime fora ao Catete fazer uma visita ao presidente Café Filho, para convidá-lo à inauguração da peça.

Felizmente encontrou-se a tempo uma solução para o transporte da estátua. Seriam feitas duas torres no Palácio São Joaquim, uma de ferro e outra de madeira, que seriam depois levadas ao Largo do Machado, tão logo se conseguisse descer a imagem de seu pedestal nos jardins do palácio.

Então, a imagem foi transportada para o Largo do Machado, onde os marmoristas da Companhia Santo Cristo estavam trabalhando dia e noite. Em 8 de dezembro, D. Jaime foi ao local acompanhar as obras. A imagem já estava no pedestal, mas os operários caíam de sono – alguns trabalhavam havia quase 30 horas seguidas. Dr. Alberto Carlos Del Castilho pediu que se fizesse de tudo para atrasar a cerimônia por uma hora, pois faltava desarmar ambas as torres de ferro e de madeira, que os auxiliaram a suspender a imagem. Então, o Presidente foi avisado de que a cerimônia seria às 17h.

A hora se aproximava e os operários, ao desarmar a última torre, simplesmente atiravam tudo abaixo para ser recolhido pelos outros. Apenas deu tempo de abrir as placas de bronze com a bandeira pontifícia e a brasileira, pois o presidente Café Filho estava chegando.

No dia seguinte, 9, foi realizada na Catedral uma missa de graças à firma Severo e Villares, para agradecer pelo empenho de seus diretores, engenheiros e operários, que em apenas duas semanas realizaram a proeza de construir e transportar, com meios quase primitivos, o monumento que agora embelezava o Largo do Machado.

A sinceridade de D. Jaime e a beleza da peça merecem este registro.






domingo, 21 de novembro de 2010

Os monumentos desaparecidos da cidade do Rio de Janeiro – Esculturas femininas

Este blog continua sua série sobre monumentos desaparecidos do Rio de Janeiro, agora falando das muitas esculturas femininas que a cidade vem perdendo ao longo dos anos. A última delas, como já dito aqui, foi a Mulher da Luz, que desapareceu recentemente da Praça das Nações, em Bonsucesso. Mas muitas outras mulheres de bronze, ferro e pedra sumiram antes dessa, lindas peças de história e autoria desconhecidas, sobre as quais não se sabe sequer a data de criação. O único registro de que disponho são as fotos abaixo, encontradas durante uma busca exaustiva em livros, catálogos, arquivos e sites. É graças a estas imagens que se sabe que tais esculturas um dia embelezaram a paisagem urbana carioca.

Uma dessas esculturas femininas ficava sobre o aquário que existia na Quinta da Boa Vista. Essa construção, datada de 1910, ocupava uma área de 314 m2. Em seu topo ficava a estátua, com o braço erguido enrolado por uma serpente. Sabe-se que o monumento foi projetado bem antes pelo arquiteto francês Auguste François Marie Glaziou (1833-1906), mas construído somente depois de sua morte. Durante 50 anos, o aquário foi uma importante atração turística do parque, tendo alcançado em 1916 a visitação recorde de 115.670 pessoas.

                                        

Uma outra foto da Quinta da Boa Vista – com o aquário ao fundo – mostra que havia mais uma escultura feminina no parque, nomeada Primavera. Não se sabe o que foi feito dela, pois não está mais na Quinta nem em qualquer outro espaço público da cidade.
                                       

- Quinta da Boa Vista

Outra escultura feminina desaparecida é a Diva do Silogeu, que encimava o prédio que fora construído entre 1902 e 1906 para abrigar o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), a Academia Brasileira de Letras (ABL), a Academia de Medicina e o Instituto dos Advogados, próximo ao Passeio Público. Para esse edifício tão multidisciplinar, deu-se o nome de Silogeu Brasileiro (a palavra “silogeu” fora criada em 1901 por Ramiz Galvão, para designar locais onde estudos de diferentes naturezas fossem realizados conjuntamente). Com o passar dos anos, cada entidade foi obtendo sua própria sede, permanecendo apenas o IHGB no prédio. Até que, nos anos 1970, a construção foi demolida para permitir o alargamento da Rua Teixeira de Freitas. O último registro da Diva do Silogeu é esta foto da demolição do prédio:



                                               
Escultura do Soligeu

As fotos seguintes comprovam que o Rio de Janeiro teve, ao longo de sua história, muitas outras esculturas femininas das quais não se sabe quase nada. Elas mostram que ainda há muito a se pesquisar e desvendar sobre os mistérios que envolvem o desaparecimento de obras de arte pública.


                                 
Jardim de Alá - 1950

   Foto de Derani em 12.09.2013


                                                     
Praça Saens Pena - Euplebo

domingo, 14 de novembro de 2010

Praça São Salvador, Chafariz La Fonte

Das obras francesas de Val d’Osne no Rio de Janeiro, o chafariz da Praça São Salvador, no bairro de Laranjeiras, é um dos mais belos da cidade. Instalado ali provavelmente em 1903, quando foi construído o jardim no centro do qual a obra fora posicionada.                      


Do conjunto, somente a escultura feminina, datada de 1862, é obra de Louis Sauvageau. As demais são peças sem assinatura, escolhidas do catálogo de Val d’Osne e fundidas sob encomenda.

 

Compondo o chafariz, crianças sobre golfinhos sustentam uma bacia bastante ornamentada. Sobre ela, vê-se a beleza da face e do gesto de uma figura a derramar água de um cântaro, elementos que realçam sua delicadeza.                                   

                                               
 

Na cidade temos uma outra escultura idêntica a essa, localizada no Jardim Botânico. Essas peças são as únicas obras de Sauvageau no Rio de Janeiro, aonde chegaram provavelmente entre 1883 e 1885.


O que intriga nessa história é um outro registro fotográfico, que mostra a mesma escultura em um quarto local da cidade, descrito como sendo a Quinta da Boa Vista. Na foto, a peça aparece sobre um pedestal e decorada por dois animais alados, os Grifos, que hoje estão próximos ao portão do Parque Guinle. Com isso, ficam algumas questões. Seria esta a mesma escultura que hoje está no Jardim Botânico? Se sim, por que foi para lá? E onde foi parar seu pedestal? As peças do Val d’Osne nunca ficavam em contato direto com o solo, para evitar uma forte corrosão do material.


Portanto, supõe-se que uma dessas duas peças de Sauvageau esta desde sua origem na Praça São Salvador, em Laranjeiras, onde se encontra agora. Supõe-se também que a outra peça esteve primeiro na Quinta da Boa Vista, para depois ser levada para sua localização atual, o Jardim Botânico. Mas são apenas suposições. Faltam registros históricos que esclareçam a trajetória de ambas as peças de Sauvageau, idênticas, fundidas a partir de um mesmo molde.

Garantido a preservação do conjunto da Praça São Salvador, o chafariz foi tombado pelo INEPAC (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural) no processo E-18/001.553/98 de 10 de dezembro de 1998 e pelo Município, pelo Decreto nº 19011 de 5 de outubro de 2000.




Veja detalhes do conjunto neste vídeo da Praça São Salvador:










segunda-feira, 1 de novembro de 2010

As obras desaparecidas de Alexander Calder

O Parque do Flamengo foi idealizado por Carlota Macedo Soares, ou Lota, como era conhecida. Amiga do então governador Carlos Lacerda, ela convocou os principais especialistas da época para transformar essa nova área aterrada do Rio de Janeiro em um parque para a população carioca. Com a superintendência de Afonso Eduardo Reidy, ali trabalhou Burle Marx, a quem coube a maior tarefa, o projeto paisagístico.


No entanto, Lota não se esqueceu dos elementos decorativos e, em 1961, propôs ao governador a compra de uma obra do artista plástico americano Alexander Calder chamada “Rio”, de 1951, no valor de Cr$ 1.250.000 (um milhão e duzentos e cinquenta mil cruzeiros). Ao fechar o negócio, Calder não apenas vendeu a escultura em questão, mas também doou uma segunda peça à cidade, chamada “Stable”, de 1940. Assim, o Rio de Janeiro se tornou a única cidade da América Latina a ter obras do artista expostas em espaço público.


                                            - Stable

                                                 - Rio - parque da Catacumba 1979

Naquele mesmo ano de 1961, as duas esculturas de Calder foram instaladas no Parque do Flamengo. Dezoito anos depois, em 1979, o então prefeito Marcos Tamoio, ao inaugurar o Parque da Catacumba, optou pela transferência das peças para o novo local, por ser esse um espaço temático, dedicado à arte contemporânea.

Passados mais cinco anos, em novembro de 1984, ambas as peças foram retiradas do parque, devido à intensa corrosão, sendo transferidas para o depósito da prefeitura no Caju, onde foram desmontadas para serem submetidas a um processo de restauração.

Infelizmente, em novembro de 1985, as duas esculturas de Calder desapareceram do depósito. Apesar do registro da ocorrência na 17ª Delegacia de Polícia e da intensa divulgação do caso na imprensa, as obras nunca mais foram encontradas.

No ano seguinte, 1986, foi noticiado pelos jornais o sumiço de uma outra escultura do Parque da Catacumba, “Revoada”, de Pedro Correia Lima, que havia seguido a mesma trajetória das obras de Calder.




Alexander Calder nasceu em Lawton, no estado norte-americano da Pensilvânia, em 22 de julho de 1898. Faleceu em Nova York, em 11 de novembro de 1976, como um grande nome da arte moderna. Foi o primeiro artista plástico a desenvolver seus móbiles, a arte escultórica em movimento.

Filho de uma escultora com um pintor, Calder criava seus próprios brinquedos quando criança. Formou-se em engenharia e, antes de se dedicar à escultura, foi pintor e ilustrador. Em 1926, indo para Paris, se aproximou dos surrealistas, tornando-se grande amigo de Joan Miró. Naquela época, fez suas primeiras esculturas em arame e, a partir de 1931, construções abstratas. Seus primeiros móbiles são de 1932. Em 1959, visitou o Brasil para expor no Museu de Arte de São Paulo.

Calder ocupa lugar especial entre os escultores modernos por conta de suas peças sólidas, esculturas fixas e móbiles, placas e discos metálicos unidos entre si por fios que se agitam quando tocados pelo vento, assumindo formas imprevistas.

domingo, 24 de outubro de 2010

Afranio de Melo Franco - a ultima obra pública de Bruno Giorgi para a cidade do Rio de Janeiro

Ontem, 23 de outubro de 2010, o Rio de Janeiro recebeu a ultima obra obra pública de Bruno Giorgi, instalada na Avenida Afrânio de Melo Franco, em frente ao número 290, no Leblon, Zona Sul da cidade.

Em dezembro do ano passado, o embaixador Afonso Arinos de Melo Franco, procurou a Sub Gerência de Monumentos e Chafarizes da Prefeitura do Rio para ofertar o busto de Afrânio de Melo Franco, seu avô, que estava em sua residência em Petrópolis e havia sido posto à venda. A peça fora encomendada por Carlos Lacerda a Bruno Giorgi, para ser instalada na avenida que tem o nome do homenageado.

Desde então, foram muitas as reviravoltas nesta história, e a peça acabou ficando no gesso, sem finalização. Anos depois, o embaixador Afonso Arinos mandou fundir a peça e a manteve em sua residência. Mais tarde, diante do momento de vender a casa, ele resolveu doar a escultura à cidade ou ao Itamaraty. Procurou primeiro a Prefeitura, uma vez que a obra havia sido encomendada originalmente para o Rio de Janeiro. De imediato, todos os esforços foram feitos para que o busto passasse para o patrimônio da cidade.

É um busto em bronze, com cerca de 60 cm de altura, fixado em um bloco maciço de granito rosa. Para a sua instalação, foi criado um outro pedestal em granito, incorporado ao original da família, a fim de dar a devida dimensão da obra em espaço público.

 Na residencia de Afonso Arinos, em Petrópolis.

                                   
À direita, Afonso Arinos, seu irmão e tetraneto de Afrânio de Melo Franco



Essa doação enriqueceu o patrimônio da cidade com mais um peça única, original de Bruno Giorgi, pela generosidade de Afonso Arinos de Melo Franco, que, ao doá-la, homenageou não apenas seu avô, mas também o governador Carlos Lacerda e o Rio de Janeiro.  A excepcionalidade do busto de Afrânio de Melo Franco engrandece Bruno Giorgi, que tinha, no mínimo, grande apreço pelo homenageado.

Brasília é a cidade que possui as mais importantes obras de Giorgi, mas o Rio conta com o "Monumento à Juventude", próximo ao Palácio Gustavo Capanema, "Ritmo",doada  pela empresa Ecisa Engenharia Comércio e Indústria, em 1985, situada  em frente à Academia Brasileira de Letras,  ambas no centro da cidade e "Construção", de 1979, que se encontra no Parque da Catacumba e doado à cidade pela Companhia Atlântica Boavista de Seguros.

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 Ritmo

Monumento a Juventude

  Construção

Entre as homenagens à personalidades, Bruno Giorgi realizou outras três para a Cidade. A primeira em 1959 para Villa Lobos, à Teixeira Mendes em 1977 e à Assis Chateaubriand em 1993.


 Villa Lobos

 Teixeira Mendes

 Assis Chateaubriand ( no depósito da Prefeitura)


Afrânio Camorim Jacaúna de Otingi de Melo Franco nasceu em Paracatu em 25 de fevereiro de 1870 e faleceu no Rio de Janeiro no dia 1 de janeiro de 1943. Foi um diplomata e político brasileiro.
Formado na Faculdade de Direito de São Paulo em 1891, foi promotor público em municípios do interior de Minas Gerais e, posteriormente, entrou para a carreira diplomática, tendo sido designado, já em 1896, segundo secretário de legação na embaixada em Montevidéu (Uruguai). Seu segundo posto foi a capital belga, Bruxelas.
Abandonou a carreira e em 1902 candidatou-se e foi eleito deputado estadual em Minas Gerais e, em 1906, deputado federal, tendo sido reeleito para vários mandatos até 1929. Foi ministro da Viação no governo Delfim Moreira e embaixador na Liga das Nações em Genebra, Suíça.
Na Câmara dos Deputados foi atuante em comissões de assuntos internacionais e também foi um dos relatores do Código Civil Brasileiro. Em 1919, comandou a delegação do Brasil na primeira conferência internacional do Trabalho, realizada em Washington.
Partidário da Revolução de 1930, foi ministro das Relações Exteriores, de 1930 a 1934, sucedendo a Otávio Mangabeira.

sábado, 16 de outubro de 2010

Os monumentos desaparecidos da Cidade do Rio de Janeiro

Durante minhas andanças diárias pelas praças, largos, travessas, ruas e parques dos diversos bairros do Rio de Janeiro, é frequente eu ser abordada por moradores que me perguntam pelo paradeiro de alguma peça ou monumento que havia em determinado local. Infelizmente, muitas obras de arte públicas já desapareceram do espaço urbano carioca.

O primeiro caso que relato aqui é muito conhecido dos moradores de Jacarepaguá, especialmente aqueles que vivem nas proximidades da Praça Seca. Trata-se de uma peça escultórica conhecida como “As crianças no guarda-chuva”.
A imagem aparece no site do jornalista e escritor Waldemar S. Costa http://www.wsc.jor.br/fotos/Galeria3/index.htm) com a seguinte informação:
“Foto de 1949, a escultura do casal de meninos com guarda-chuva, colocada na praça na urbanização de 1936. Ao abrir o registro, a água escorria pelo chapéu simulando chuva.” Até a presente data, não encontrei nenhum documento que esclarecesse o seu desaparecimento. Da obra, restam somente as fotos.


Outra obra perdida é o busto de Diana, que integrava a Fonte dos Jacarés (ou Fonte dos Amores), no Passeio Público, que fica no Centro do Rio de Janeiro. Neste caso, existem relatos a respeito em ampla bibliografia, além dos registros fotográficos, mas o desaparecimento permanece um mistério.




Na publicação “História dos monumentos do Rio de Janeiro, Estado da Guanabara”, de Affonso Fontainha, editada em 1963, aparece o mais importante monumento perdido da cidade, pela sua história e pela autoria de Franz Weissmann: o Monumento à Liberdade de Expressão do Pensamento, que ficava na Quinta da Boa Vista.



Inaugurado em 12 de outubro 1954, durante a solenidade de abertura da Assembleia Anual da Sociedade Interamericana de Imprensa, a peça de Weissmann foi simplesmente destruída durante uma obra de ampliação da Quinta da Boa Vista, em 1962, pelo departamento de urbanização da SURSAN. Era uma obra de grandes proporções, com 16m de altura, em forma de um obelisco de concreto. Foi o primeiro monumento à liberdade de expressão a ser erigido nas Américas, além de ter sido a primeira obra pública de Franz Weissmam, encomendada pela Associação das Emissoras de São Paulo.

Em postagens anteriores deste blog, eu já havia mencionado o desaparecimento da Mulher da Luz, que integrava o chafariz da Praça das Nações, em Bonsucesso (http://ashistoriasdosmonumentosdorio.blogspot.com/2010/10/o-chafariz-da-praca-das-nacoes-e.html); da Garça que existia na Praia de Botafogo(http://ashistoriasdosmonumentosdorio.blogspot.com/2010/03/chafarizes-na-praia-de-botafogo-busca.html); e do Monumento a Princesa Isabel, que ficava na Avenida Princesa Isabel, em Copacabana (http://ashistoriasdosmonumentosdorio.blogspot.com/2010/04/princesa-isabel-por-duas-vezes.html).

Agora, com estes três outros casos relatados aqui, inicio uma nova série de histórias.