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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A arte Marajoara de Fernando Correia Dias no Parque da Cidade


Apesar de integrar o acervo do Parque da Cidade, na Gávea, desde 1930, as obras de autoria do “Poeta do Traço”, como ficou conhecido o artista português Fernando Correia Dias, só foram identificadas recentemente.

Em 2013, 83 anos após a implantação, sua neta, Fernanda Correia Dias, procurou a Prefeitura do Rio solicitando a limpeza da fonte que se encontrava coberta por pichações. Na ocasião, apresentou à Gerência de Monumentos e Chafarizes, pesquisa que possibilitou a identificação da autoria do mobiliário existente nos jardins.

A “descoberta” da presença da arte nacionalista de Correia Dias confere charme e valor ao Parque da Cidade e ao acervo público do Rio de Janeiro. Motivo de sobra para se comemorar!


Sobre o artista:

Fernando Correia Dias nasceu 1892, em Lamego, no norte de Portugal.  Estudou artes no Liceu de Coimbra, dedicando-se especialmente à gravura, pintura e desenho.

                 

Mudou-se para o Brasil em abril de 1914, aos vinte e dois anos. Com proposta inovadora, seu trabalho logo se destacou e em 1920 foi convidado pelo escritor Olegário Mariano para ilustrar seu livro,  "Últimas Cigarras". 

 
 Capa e ilustrações , 1920

Em 1922 casou-se com a poetisa Cecília Meirelles assumindo a  ilustração de seus poemas e livros, entre eles  "Baladas para El-Rei" (1925). Em 1987 “Ou Isto ou Aquilo”, de Cecilia foi publicado com as ilustração da neta dos dois, Fernanda Correia Dias.

    

Nesta mesma época, dedicou-se também à produção de cerâmica com motivos de arte marajoara. O sucesso de seus pratos e vasos rendeu-lhe, em 1928, o convite para produção em escala industrial através da Companhia Cerâmica Brasileira e, em 1930, a publicação pela Revista O Cruzeiro, do artigo intitulado: "Cerâmica Brasileira, a Obra Nacionalista de Correia Dias”.


OBS: A Cia Cerâmica Brasileira, fundada pelo empresário Américo Ludolf no Rio de Janeiro em 1910, foi a primeira empresa a produzir  porcelana para revestimentos de paredes e pisos no Brasil. 

Veja: Exposição em Portugal em comemoração aos 120 anos do nascimento de Fernando Correia Dias .http://www.youtube.com/watch?v=_rr8sAbJx-A


A arte Marajoara no Parque da Cidade:

Breve histórico do parque

A história do Parque da Cidade remonta ao século XVI, quando as terras onde hoje se localiza pertenciam à sesmaria doada a Manuel Bento. No início do século XIX, foram adquiridas pelo arquiteto francês Augusto Henry Grandjean de Montigny que, aproveitando os equipamentos existentes, instalou uma olaria para confecção de tijolos destinados às suas obras. Ao arquiteto é atribuído o projeto paisagístico original dos jardins.

Anos mais tarde, José Antonio Pimenta Bueno, o Marquês de São Vicente, comprou a propriedade para utilizá-la como residência de verão. Após a morte do Marquês, as terras foram vendidas ao Conde de Santa Marinha, Antonio Teixeira, que mandou remodelar os jardins e erguer a Capela de São João Batista (1887).
No início do Século XX, a propriedade foi adquirida pela família Guinle, que promoveu diversas obras de reforma, moldando a configuração atual do Parque. É nesse momento, no auge da febre do estilo Neomarajoara que a piscina e os jardins da residência passam a abrigar a arte de Correia Dias.

 


 
                                                                                                                    detalhe da cerâmica do piso

Enquanto na piscina a cerâmica compõe a parede e o piso, nos jardins foram introduzidas uma bela fonte com o rosto de um índio, em bronze, e dois bancos que passaram a se destacar no parque. 
                                  


                               


                                  
                                              












Em 1939, a família Guinle vendeu a propriedade ao então Distrito Federal (Cidade do Rio de Janeiro) que a utilizou como sede de 1941 a 1948, quando foi transformada em parque público.