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sexta-feira, 2 de agosto de 2013


Muitos monumentos da Cidade do Rio de Janeiro surgiram a partir de doações por subscrição popular ou pela cordialidade de outra nação.  O Monumento a Amizade entre Brasil e os Estados Unidos é um exemplo dessa iniciativa.

Ofertada pela Câmara de Comércio Americana (American Chamber of Commerce) em 1922, a obra comemora o primeiro centenário da emancipação política do Brasil. Confeccionada em bronze pelo escultor americano Charles Keeke foi custeada por donativos angariados pela entidade com objetivo de selar a amizade entre os dois povos.

Após a doação feita pelo Chanceler Charles Hughes a escultura permaneceu sob a guarda da Companhia Expresso Federal até 1931, quando foi pleiteada pelo Centro  Carioca ao interventor Adolfo Bergamini. Faltava, porém, um pedestal que conferisse à peça o destaque merecido. 

A escultura feminina medindo 4,20 de altura e 8 toneladas de peso  representando a Amizade traz na mão direita uma palma de louros e na esquerda os pavilhões americano e brasileiro ostentados por uma coroa de louros. 



Coube então ao arquiteto Archimedes Memória elaborar o pedestal. O projeto de linhas simples foi complementado com alegorias encomendadas ao escultor Benevenuto  Berna: São duas alianças entrelaçadas sendo que a primeira, composta por folhas de carvalho, emoldura a efígie do presidente George Washington,  simbolizando o Exército do s Estados Unidos. A outra, composta por folhas de louro, traz o Patriarca da Independência do Brasil, José Bonifácio. Na área central das alianças, duas palmas envoltas em folhas de hera – símbolo da amizade perene – representam as duas Nações.



 

Finalmente, em 4 de julho de 1931, às 10:00 h da manhã, o “Monumento a  Amizade”  foi inaugurado oficialmente na Praça Estados Unidos, no cruzamento das Avenidas Presidente Wilson  e Aparício Borges. À solenidade estiveram presentes o então chefe do Governo Provisório, Getúlio Vargas, o embaixador dos EUA,  Edwin Morgan,  o Prefeito do Distrito Federal Adolfo Bergamini,  os ministros Afrânio de Melo  Franco   (Relações Exteriores), Osvaldo Aranha (Justiça), José Américo (Aviação),  Lindolfo Collor (Trabalho), autoridades  civis e militares, inúmeros representantes de entidades comerciais e cerca de 1.500 alunos das escolas municipais.



 
Em 1942, o monumento foi transferido para a Praça Quatro de Julho onde um novo pedestal com 8 metros de altura, foi então construído abandonando o traçado original de Archimedes Memoria.  As efigies criadas por  Benevenuto Berna foram mantidas e uma nova placa de inauguração, incluída no lado oposto às alegorias, com os seguintes dizeres: 
"Amizade
do povo Norte-Americano ao povo Brasileiro
7-9-1822 7-9-1922
A Estátua foi colocada sobre novo pedestal nesta praça
em 4 de julho de 1942
Presidente da República Dr. Getulio Vargas
Prefeito do Distrito Federal Dr. Henrique Dodosworth”.
 Foto dos anos de 1960

Atualmente, as letras em bronze que compunham o texto acima não constam mais do pedestal e não há informações se foram removidas oficialmente. Restam as fotos comprovando sua existência.


Na lado oposto do pedestal esta escrito em baixo relevo, esculpido no granito, as informações sobre o monumento e abaixo o simbolo da Republica do Brasil em bronze.

No Governo provisório da Republica, presidido pelo exmo Sr. Dr. Getulio Vargas, erigiu-se por ordem do Exmo Sr. Dr. Adolfo Bergamini, este monumento, cuja estátua foi obtida por subscrição entre o povo dos Estados Unidos da América do Norte, sob os aspirios da América Chamber of Comner for Brazil, em comemoração do centenário da Independência do Brasil. Inaugurado a 4 de julho de 1931.

 ano de 2000

Archimedes Memória nasceu em 1893 e faleceu em setembro de 1960 no Rio de Janeiro. Foi um arquiteto brasileiro, que iniciou sua carreira no  "Escritório Técnico Heitor de Merllo em 1918. Com o falecimento de Heitor, em 1920, a quem sucedeu, tornou o escritório o maior do Rio de Janeiro até 1935. Projetou alguns dos mais marcantes edifícios cariocas das décadas de 1920 e 1930 Foi professor catedrático de "Grandes Composições de Arquitetura" na FAU/UFRJ e diretor da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Brasil.


Foi responsável pelo plano urbanístico da Exposição Internacional do Centenário da Independência, no Calabouço em 1922; pelo projeto do Palácio Pedro Ernesto - Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro; pelos projetos da Igreja de Santa Terezinha no Túnel Novo, e das sedes do Hipodromo da Gávea e do Botafogo de Futebol e Regatas; pelo projeto do Palácio das Indústrias, hoje Museu Historico Nacional; pelo Palácio da Festas; pelo Rio Cassino, no Passeio Publico; pelo altar-mor da Igreja da Candelária; por inúmeras residências. Seu projeto mais imponente foi o do Palácio Tiradentes, edifício em estilo eclético, destinado a abrigar a Câmara dos Deputados, realizado em parceria com Francisco Cuchet.