Google+ Followers

domingo, 17 de março de 2013

A Bica da Rainha, no Cosme Velho

A primeira fonte de águas ferruginosas utilizada no Brasil ganhou o nome de Águas Férreas e ficou conhecida como Bica da Rainha. A fonte, que está no Cosme Velho, bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro, era conhecida dos índios locais, que lhe atribuíam poderes curativos e qualidades fantásticas.

O registro mais antigo que eu conheço da Bica da Rainha é uma pintura de Maria Graham, artista que esteve no Rio de Janeiro entre 1821 e 1823. Ao retratar o Vale das Laranjeiras, ela mostrou a fonte.

A Bica da Rainha, uma construção alta e estreita, ficava à margem de um rio e tinha um arco de acesso.

Maria Grahan, 1821


Inicialmente, a bica não tinha o aspecto atual, pois, em 1845, foram-lhe feitas adaptações, deixando-a com uma aparência nitidamente neoclássica, por conta das estruturas de alvenaria que recebeu.


Bertichem, 1856 
                                                           
Conforme a estética do período, a edificação contava com quatro colunas com capitel. Nas laterais havia óculos. No centro ficava a bica. Na platibanda havia quatro delicadas pirâmides, coincidentes com as colunas. 

 1965

A feição original da construção foi alterada em meados do século passado.   Hoje, ela tem uma fachada clássica com duas pilastras, ligadas superiormente por uma cimalha que suporta uma platibanda, onde se lê a data de 1845. De cada lado, há uma rosácea.


 

Abaixo aparece a inscrição “Bica da Rainha”. Ao centro da fonte, há uma esquadria de ferro fundido em delicado ornato. Na base, encontra-se uma grossa bica a jorrar sobre o piso, que colhe a água numa calha de pedra natural.


A Bica da Rainha está em nível inferior à rua, de onde se desce por uma escada de nove degraus em blocos de pedra originais, que leva a uma área livre, hoje de piso de cantaria de granito.
  
Ao abrir o gradil, verifica-se que no interior existe um reservatório que acumula a água, direcionada para a bica externa. É uma construção sólida, de paredes de pedra emboçada.

                     

Em 1992, a bica foi cercada por um gradil, com o objetivo de afastar os mendigos e ladrões que se escondiam ali para atacar os transeuntes. Com isso, a construção histórica ficou praticamente inacessível aos cariocas.

 

Fotos de 1943, revelam algumas perdas, como gardil, a caranca no gradil frontal, a alça em forma de peixe e a água.




 O nome “Bica da Rainha” vem do período em que Carlota Joaquina, mulher do príncipe regente Dom João VI, visitava com frequência o lugar. Ela sofria de um problema de pele e, por isso, procurava fontes medicinais para aliviá-lo. Carlota Joaquina levava consigo Dona Maria, a louca, mãe de D. João, acreditando que tais poderes ajudariam a curar também a loucura de sua sogra. Por ser destinada a visitantes da realeza, a fonte recebeu o nome de Bica da Rainha, após as primeiras obras feitas no local.

Em suas idas à bica, a rainha e sua nora eram seguidas por damas da corte e escravas, dando origem, assim, à expressão popular “Maria vai com as outras”, usada para criticar aquelas que não sabem se governar e seguem os passos de outrem. Diz-se que Dona Maria costumava praticar inúmeras loucuras na fonte, o que escandalizava a corte e atraía muitos curiosos.

Em 1938, a Bica da Rainha foi tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, no livro de Belas Artes e no livro Histórico, com a forma que conhecemos hoje em dia.


Caso alguma foto aqui inserida esteja em desacordo com os direitos de propriedade, sem a fonte e/ou legenda, por favor, envie correção para veradias2009@hotmail.com, ou se for o caso solicite a retirada.

domingo, 3 de março de 2013

Monumento a Pedro I na Praça Tiradentes



                              

A história do primeiro monumento erguido no Brasil começa em 7 de setembro de 1854, no Rio de Janeiro, quando a Câmara Municipal, em sessão extraordinária, por ocasião do trigésimo aniversário da Independência do Brasil, sob a presidência de Francisco Lopes da Cunha, apresenta a proposta do Dr. Haddock Lobo de erguer um monumento, “mandando levantar na Praça da Constituição da Corte e Capital do Império do Brasil uma estátua à memória de S. M. I., o Sr. D. Pedro, primeiro Imperador e defensor perpétuo do Brasil”.


O monumento seria à Constituição do Brasil, promulgada em 25 de março de 1824 por D. Pedro I, a primeira do país. O local escolhido foi a  Praça da Constituição, atual Praça Tiradentes, por causa de sua importância histórica, pois foi lá que D. Pedro l jurou a Constituição Política do Império, no Real Teatro São João.

O projeto incluía a designação de uma comissão de cinco membros, para adotar as providências necessárias, e regulava a maneira de custear a execução da grande obra, além de indicar as suas principais características.



Em 12 de março de 1855, iniciou-se o prazo para apresentação dos modelos. Foram 35 projetos apresentados até 25 de junho, no Palácio da Academia de Belas Artes.


A comissão premiou com um conto de réis cada um dos seguintes trabalhos subscritos: “Independência ou Morte”, do brasileiro João Maximiano Mafra; “Dem berten strebe nack”, do alemão Luiz Jorge Bappo; e “Vivere arbitratu suo”, do francês Louis Rochet. O projeto escolhido para ser executado foi o primeiro, sendo imediatamente contratado em Paris o estatuário Louis Rochet, para fundir o bronze (com provável participação de Auguste Rodin, de quem ele era discípulo na época).


Rochet, ao estudar a localização do monumento, propôs algumas modificações no projeto, sendo a principal delas a adaptação do pedestal a um formato octogonal. O contrato com o escultor francês foi assinado em 6 de março de 1856, estabelecendo o preço de 670 mil francos pela execução total do monumento. Os trabalhos se iniciaram em 1959 e foi somente em 19 de outubro de 1861 que a peça chegou da França, no navio Reine du Monde. Em 17 de novembro, Luis Rochet chegou ao Brasil.


Em 1º de janeiro de 1862, foi lançada a pedra fundamental, iniciando-se as obras do levantamento da estátua.


A solenidade de inauguração estava marcada para 25 de março de 1862, mas, devido a um temporal, ela foi transferida para o dia 30, um domingo. Na data marcada, a população se concentrava na Praça da Constituição, à espera do Imperador D. Pedro II, que inauguraria a estátua em homenagem à proclamação da Independência do Brasil.





Em sua edição de 30 de março de 1965, o “Jornal do Brasil” conta como foi a cerimônia: “Fogos de artifício anunciaram a saída de dom Pedro II e sua comitiva do Paço Imperial, na atual Praça 15. Quando o monarca chegou à Praça da Constituição houve salvas de artilharia. O visconde de Cabo Frio, que exercia a função de porta-estandarte, desfraldou a bandeira da Independência e o marquês de Abrantes desenrolou o texto original da primeira Constituição, que conduzira em um cofre de ouro, e o exibiu para a multidão. O vigário da Igreja da Cruz dos Militares benzeu o monumento e um coro de mais de 600 cantores acompanhados por mais de 200 músicos cantou o Te Deum, de Neukomm.”

O monumento estava coberto por um grande manto de cetim verde e amarelo. Bandeiras nacionais, galhardetes e colchas vistosas debruçavam-se nas janelas das casas residenciais da praça e pela encosta do vizinho morro de Santo Antônio.





Às 17h, toda a família imperial chegou de carruagem ao local, pela Rua da Constituição. Os monarcas e seus acompanhantes saltaram em frente ao Teatro de São Pedro e encaminharam-se para a estátua, passando pelo pórtico erguido para a cerimônia.

Retirado o pano auriverde, ecoou “Viva a Independência Nacional!”, seguido de salvas da artilharia.





Dom Pedro II montou no cavalo e passou em revista as tropas. Em seguida, abrigou-se da chuva no Teatro São Pedro de Alcântara, atual João Caetano, onde foram pronunciados vários discursos em presença do monarca, lembrando a glória do primeiro imperador do Brasil.

: 
                                                                                     Klumb - 1862 - Instituto Moreira Salles



Inaugurado o monumento, as alterações de Rochet provocaram indignados protestos no meio artístico nacional, em defesa do trabalho de Maximiano Mafra.

O monumento tem 15,7m de altura, sendo 3,30m da base de cantaria, 6,40m da coluna onde estão os conjuntos alegóricos e mais 6m da estátua equestre, tendo em destaque a figura de D. Pedro I vestido com o uniforme de general, com o braço direito levantado, representando o ato da independência.
  

 


O peso total do bronze é de 55 mil quilos, sendo 28 mil quilos do pedestal, 12 mil quilos da estátua equestre, 10 mil quilos dos dois grandes grupos de alegorias e 5 mil quilos dos dois pequenos grupos de alegorias.


Nas suas faces principais, abaixo da estátua de D. Pedro l, encontram-se quatro alegorias que simbolizam grandes rios brasileiros: São Francisco, Madeira, Amazonas e Paraná.


O rio São Francisco é representado por um índio sentado perto de um tamanduá bandeira e uma capivara.

O rio Madeira aparece na figura de um índio com arco e flecha, em atitude de disparar, próximo a uma tartaruga, uma ave e um peixe.



 O rio Amazonas é simbolizado por uma índia com uma criança nas costas e um índio com os pés sobre um jacaré, além de uma arara.



O rio Paraná tem como alegoria um índio segurando uma flecha e uma índia tocando maracá, próximos a uma anta, um tatu e duas grandes aves.



No friso do pedestal, estão nomeadas as vinte províncias do Brasil da época, com uma coroa sobre cada uma.



  

Na parte superior da face principal estão as armas do Império e a seguinte inscrição: “A Dom Pedro Primeiro, Gratidão dos Brasileiros”.




Nas faces laterais do monumento estão as armas bragantinas, vigiadas por dragões dourados.



O gradil não existia quando o monumento foi inaugurado, tendo sido instalado em 1865. A pavimentação entre o gradil e o monumento é em mármore, formando um desenho que segue o formato octogonal.




O gradil de ferro fundido, de refinado trabalho, apresenta, entre círculos e alternadamente, a coroa imperial e a legenda Pedro I.




De cada quina do gradil, eleva-se uma coluna artisticamente ornada, que sustenta um lampião a gás, encimado por uma coroa.


 

Nas bases dessas colunas, estão gravadas as seguintes datas em placas de bronze:
- 2 de outubro de 1798: nascimento de D. Pedro I;
- 6 de novembro de 1817: primeiro casamento de D. Pedro l;
- 17 de outubro de 1829: segundo casamento de D. Pedro I;
- 9 de janeiro de 1822: Dia do Fico, quando D. Pedro I desobedeceu às ordens de Lisboa e disse que permaneceria no Brasil;
- 13 de maio de 1822: quando D. Pedro I aceitou o título de defensor do Brasil;
- 12 de outubro de 1822: aclamação de D. Pedro l como Primeiro Imperador do Brasil;
- 1º de dezembro de 1822: Sagração e Coroação de D. Pedro l;
- 25 de março de 1824: Juramento da primeira Constituição do Império.





O requinte deste Monumento a D. Pedro I pode ser observado no vídeo abaixo, que mostra fotos de sua restauração em 2005: http://www.youtube.com/watch?v=60dGxj4YB8I&list=UUi-xnu-MrwnbKx5TnpKfwSQ




Caso alguma foto aqui inserida esteja em desacordo com os direitos de propriedade, sem a fonte e/ou legenda, por favor, envie correção para veradias2009@hotmail.com, ou se for o caso solicite a retirada.