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sábado, 21 de julho de 2012

O Chafariz "Dança das Aguas"

O chafariz situado hoje em frente ao prédio da Prefeitura do Rio de Janeiro foi uma criação de Remo Bernucci, premiada no Salão de Belas Artes de 1965, quando o artista tinha 23 anos de idade. Com a premiação da escultura, chamada “As Ninfas – Dança das Águas”, o governo encomendou a obra para adornar a área contínua da Praça Paris.

O tema Danças das Águas, oriundo da Grécia, apresenta três figuras femininas como ninfas: Oceania representa as águas do oceano, Nereida simboliza as águas dos mares e Naiades remete às águas das fontes. De acordo com a mitologia grega, essas figuras, atreladas à ideia de juventude eterna, protegiam quem se banhasse em suas águas e dotavam de fertilidade quem bebesse de suas fontes.



No final da década de 1970, todos os equipamentos elétricos e hidráulicos do chafariz foram roubados, o que exigiu que a Prefeitura do Rio de Janeiro promovesse sua recuperação. No inicio dos anos 1990, o chafariz continuou a sofrer inúmeras depredações, principalmente pela frequente presença de pessoas que se banhavam naquelas águas. A situação piorou com o cercamento da Praça Paris, que deixou o chafariz de fora dos seus limites, o que dificultava o seu funcionamento e facilitava a depredação. Assim, por um longo período, o lago permaneceu seco e o chafariz, desativado. 


Em 1997, desapareceu uma das ninfas. No ano 2000, uma outra foi esquartejada e estava sendo carregada por dois catadores de latas quando guardas municipais os interceptaram, encaminhando-os à 9ª Delegacia de Polícia, no Catete.





Sem as outras ninfas para compor o conjunto, a figura restante foi retirada e removida para o depósito da Prefeitura, junto com os pedaços recolhidos na delegacia.

Passados alguns meses, a prefeitura iniciou a restauração das esculturas e decidiu pela sua transferência.

As esculturas foram reproduzidas com a assistência do escultor que realizou a obra e chegou a colaborar na confecção da modelagem das peças.

Uma ninfa foi refeita; a outra, recomposta com reproduções das partes que desapareceram quando do seu esquartejamento: um braço, parte de uma perna e a cabeça.









Finalmente, em 2002, as ninfas em bronze da Dança das Águas foram instaladas no novo chafariz, uma reprodução.




Assim, seguindo as recomendações de preservação do patrimônio, a obra de Bernucci foi transferida com o único objetivo de sua preservação.






Caso alguma foto aqui inserida esteja em desacordo com os direitos de propriedade, sem a fonte e/ou legenda, por favor, envie correção para veradias2009@hotmail.com, ou se for o caso solicite a retirada.

domingo, 15 de julho de 2012

Jardim do Valongo, as esculturas do jardim suspenso.





A história das esculturas do Jardim Valongo se inicia em 1843, quando o arquiteto Grandjean de Montigny promoveu a implantação de um cais na atual Praça Barão de Tefé, na região central do Rio de Janeiro, a fim de preparar o local para o desembarque da imperatriz D. Teresa Cristina Maria, que viria a ser esposa de D. Pedro II. Não disponho de informações sobre a procedência dessas esculturas, mas sabe-se que elas foram o elemento decorativo na murada construída junto ao mar para o desembarque da futura imperatriz. Na foto abaixo (acervo Fernando França), aparece uma estátua à esquerda, próxima ao mar – esta imagem confirma que havia esculturas na linha do mar adornando o cais.




A denominação de Valongo provém da Rua Camerino, que se chamara outrora Rua do Valongo, por ali estarem em grande parte os armazéns onde se vendiam os escravos chegados da África. Em portaria de 31 de julho de 1843, o nome mudou para Rua da Imperatriz, em honra de D. Teresa Cristina. Proclamada a República, passou a ter a denominação atual, pelo decreto 1165 de 31 de outubro de 1917.

O Jardim do Valongo foi mandado construir pelo prefeito Pereira Passos em 1906, dentro do conjunto de projetos de embelezamento urbano encampados por sua administração. Está situado sete metros acima do nível da rua, na parte alargada da Rua Camerino. Tratado ao gosto romântico da época, para lá foram transferidas as quatro estátuas que ficavam originalmente no cais projetado por Grandjean de Montigny.

Há relatos de que as esculturas foram restauradas naquele momento, para serem transferidas.  Na imagem abaixo, aparecem as esculturas no jardim suspenso, acima do nível da murada frontal.


Da inauguração do Jardim do Valongo, com as quatro esculturas do cais da Imperatriz, não disponho de nenhuma informação, nem sobre as condições do espaço e a situação das esculturas. Somente em 1996 passei a ter registros do jardim, após uma primeira vistoria com técnicos do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), quando havia a intenção de um grupo de restauradores em verificar as condições da peças. Naquele momento, o jardim se encontrava abandonado havia muito tempo, sendo um local de desocupados.

As esculturas estavam envoltas em mato e com muitas pichações. Após a limpeza do antigo jardim, pôde-se verificar a dimensão dos danos. 









Uma tentativa de remover as pichações das esculturas foi realizada no próprio jardim, sem sucesso, devido ao longo período de exposição das peças ao tempo, o que provocou uma porosidade no mármore e permitiu uma penetração mais profunda da tinta na pedra, agravando as condições das obras.


Diante de tal degradação, acentuada pela queda de uma árvore sobre uma das esculturas e pela insegurança do local, as peças tiveram que ser removidas, em 1998,  para a garantia de sua preservação.



Já em um depósito da Prefeitura, as esculturas receberam tratamento de limpeza e restauração. Foi retirado o piche aderido à base das peças de mármore e removidas as crostas negras que se formaram nas áreas de sombras, provenientes do acúmulo de sujeira. As pichações e manchas receberam tratamento cuidadoso para a remoção. Com pasta de cal, a superfície desgastada das estátuas foi recuperada.









Com as quatro esculturas restauradas, iniciou-se uma outra etapa. A intenção era realizar réplicas das peças, a fim de garantir a preservação das originais em exposição permanente, com os cuidados necessários para a sua preservação. Assim, no ano de 1999, foram realizadas as cópias dessas esculturas, em pó de mármore e cimento branco, atualmente expostas no Jardim do Valongo, mantendo o projeto original de Pereira Passos. As originais agora decoram o jardim do Palácio da Cidade do Rio de Janeiro, na Rua São Clemente, em Botafogo, onde estão protegidas, livres da ação de vândalos.




As réplicas, entretanto, não foram imediatamente instaladas no Jardim de Valongo. Por algum tempo, elas estiveram expostas no Parque Noronha Santos, no Centro, onde fica o depósito da Prefeitura. Foi somente em 2012 que as réplicas foram transferidas para sua atual localização, a fim de cumprir sua função de embelezar e preservar a história das esculturas trazidas para o Brasil em 1843 por Grandjean de Montigny, primeiramente para adornar o cais da Imperatriz e, em seguida, o jardim suspenso de Pereira Passos.

As originais sendo transferidas para o Palácio da Cidade



 
Originais no jardim do Palácio da Cidade

 
Réplicas no Parque Noronha Santos


Retornando ao Jardim do Valongo - imagem da internet 



Com a finalização da restauração do Jardim, por determinação do Prefeito as originais foram transferidas do Palácio da Cidade para o Jardim do Valongo e as rélicas foram deslocadas para o Palacio, descumprindo a intenção da reprodução. 

No ano de 2016,consegui identificar a origem das esculturas Minerva e Ceres,  bem como de onde foi reproduzida a escultura Mercurio, conforme fotos abaixo. No entanto permanece desconhecido a autoria das nossas peças.

                                      Minerva 

Athena de Giustiniani: (. C 400 aC) uma cópia romana Antonine de uma escultura grega de Pallas Athena com a serpente Erichthonius Foi provavelmente uma imagem de culto. Ele foi descoberto no início do século 17 nas ruínas de um nymphaeum dez lados no monte Esquilino que, assim, erroneamente identificado como um templo de Minerva Medica. É admiravelmente preservada no melhor mármore de Paros. Relacionada com a Athena Velletri com himation ligeiramente diferente eliminados. Museus do Vaticano.

                                 Ceres


 Faustine. Thomas Regnaudin.1685, Jardim de Versailles.

                                Mercurio 

 Palazzo Altemps (Museo Nazionale Romano), Roma, Itália
Artista / Criador Desconhecido
Estátua decapitado de Hermes com capa e caduceu do viajante. Mármore, cópia romana do século 1 dC depois de um original de bronze do século 5 aC.
dimensões não especificados

 Sem identificação mais proximo ao nosso com  o braço direito na cintura.





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domingo, 1 de julho de 2012

São Pedro do Mar – Baia de Guanabara

No dia 29 de junho se comemora o dia de São Pedro. O santo é homenageado nas populares festas juninas, assim como Santo Antônio e São João. Contudo, somente São Pedro é reverenciado pela cidade do Rio de Janeiro com uma imagem sua em espaço público, localizada no bairro da Urca. Conhecido como guardião das portas do céu e protetor dos pescadores, o santo é anualmente homenageado na cidade com festejos e procissões marítimas.

A ideia de se implantar na Baía de Guanabara a imagem de São Pedro surgiu em uma dessas comemorações, na festa promovida pelos pescadores de Jurujuba, em Niterói, que tradicionalmente promovem a procissão marítima mais importante do estado. Em alguns anos, essas procissões chegam à Urca, onde os peregrinos atiram flores à imagem.


A escultura foi instalada em frente à Igreja de Nossa Senhora do Brasil, em uma pequena pedra nas proximidades ao Iate Clube do Rio de Janeiro, de onde se tem uma bela visão da baía.

A imagem foi inaugurada em 5 de julho de  1959, tendo sido elaborada pelo escultor Edgar Duvivier. É uma peça em bronze, de linha moderna, com 2,30m de altura. São Pedro aponta com as mãos as direções do céu e do mar.



Não disponho do histórico da inauguração; contudo, em pesquisa sobre essa imagem, encontrei uma matéria de jornal “O Globo”, de 29 de Junho de 1993, que relata o desaparecimento da escultura nos dias anteriores, presumivelmente derrubada por um barco. Passados alguns dias, a estátua reapareceu na areia, de modo que algumas pessoas chegaram a pensar em milagre, mas o mistério logo foi desvendado. No dia seguinte ao seu desaparecimento, mergulhadores a resgataram no fundo do mar e, como era noite, deixaram-na na areia.


Outro caso de desaparecimento da imagem de São Pedro aconteceu 15 anos depois, em 21 de setembro de 2008, um domingo. Moradores da Urca testemunharam a retirada da estátua por volta das 17h30, à luz do dia, por aproximadamente cinco homens, sem o devido cuidado, dando a impressão de que a estavam subtraindo. Na verdade, como a peça estava solta, os pescadores resolveram protegê-la mais uma vez, antes que caísse no mar, levando-a na ocasião ao Iate Clube, para a devida restauração.


Pedro, antes de se tornar um dos discípulos de Cristo, era chamado de Simão e trabalhava como pescador. Nasceu em Betsaida. Era filho de João e irmão de André, que também se tornou apóstolo de Jesus. Eram “empresários” da pesca e tinham uma frota de barcos, em sociedade com Tiago.

Segundo o episódio chamado de Pesca Milagrosa, relatado em Lucas 5:1-11, Pedro teria conhecido Jesus quando este lhe pediu permissão para pregar em uma das suas barcas. Pedro, que estava com Tiago e João, concedeu-lhe o lugar na barca. Ao fim da pregação, Jesus lhes disse que fossem pescar de novo, com as redes em águas mais profundas. Pedro, então, respondeu que já haviam tentado isso à noite, sem nenhum sucesso. Jesus insistiu e os orientou a persistir, no que foi atendido. O resultado surpreendeu Simão, que teve uma pescaria de grande monta. A partir de então, Simão passou a ser Pedro, o pescador dos homens, seguindo Jesus.

O dia 29 de junho, antigo dia da festa de Rômulo e Remo, considerados pais de Roma, foi escolhido como o dia para a festa de São Pedro e São Paulo.





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