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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A Ponte dos Jesuítas – resquício do século XVIII na cidade do Rio de Janeiro

Ao longo de dois séculos de permanência no Brasil, os jesuítas criaram várias aldeias, sendo que algumas delas alcançaram um certo poderio político e econômico, após seu importante papel na integração dos índios à Colônia.


O inicio da ocupação da Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro  aconteceu com  Cristóvão Monteiro, ouvidor-mor do Rio de Janeiro e morador de São Vicente, casado com Marquesa Ferreira e pai de dois filhos, recebeu uma sesmaria de terras que ia de Sapiaguara a Guaratiba. Com a morte de Cristóvão, a Marquesa resolveu dividir as terras de Guaratiba e Guarapiranga em duas partes iguais. Doou uma parte à filha Catarina, e outra à Companhia de Jesus. Catarina, no entanto, também cedeu sua parte à Ordem de Santo Inácio: esta foi a gênese da fazenda de Santa Cruz. A posse se deu no ano de 1589 e, a partir de então, essas terras jesuíticas passariam por algumas aquisições, aumentando sua capacidade produtiva.
A Fazenda de Santa Cruz tinha dez léguas quadradas em seu auge produtivo e era considerada a mais importante propriedade do sul do Brasil. Contava com milhares de escravos, além de técnicas avançadas para a época. Chegou a ter 22 currais, onde eram criados gado vacum, equinos, suínos, caprinos e ovinos, fora os animais domésticos. Entre outros produtos, cultivava feijão, mandioca, fumo, algodão e cacau, destacando-se a produção de açúcar, arroz e farinha. Contava também com manufaturas, que atendiam às necessidades internas, como era comum nas grandes propriedades do período colonial. A fazenda abrigava olaria, ferraria, carpintaria, serraria, fábricas de cerâmica, de canoas, de móveis e de artigos em couro, tanoaria, atividades de ourives, de prateiros e de tecelagem, forno de cal, casa de farinha, engenhos, oficinas de descasca de arroz, engenhoca de aguardente e engenho de açúcar.



Para interligar a Fazenda de Santa Cruz à região de São Cristóvão, os jesuítas abriram uma estrada e construíram a Ponte dos Jesuítas, feita em 1752. Concebida pelo padre Pero Fernandes, a ponte tinha função de regularizar o fluxo das águas na baixada, promovendo a irrigação natural para manter os níveis de umidade dos pastos e evitando inundações. A ponte foi feita de pedras sobre o Rio Guandu, daí um dia ter sido chamada de Ponte do Guandu, ou ponte D. Pedro I

Para que a Ponte dos Jesuítas cumprisse seu papel, foram traçados mapas com a rede hidrográfica, as elevações, os vales, os morros e as depressões. Dois jesuítas foram pesquisar na Holanda – país que possuía problema semelhante – os procedimentos que deveriam ser adotados. Assim, eles concluíram que se deveria conter o leito dos rios nos pontos de inundação e abrir valas e canais para o escoamento das águas, que seriam manobradas conforme a necessidade, solucionando os problemas tanto de enchentes como de secas

Funcionando como comporta, a Ponte dos Jesuítas possui arcos em cantaria de dimensões variadas, que eram deixados abertos para o escoamento natural do rio ou fechados para represá-lo, a fim de que o excesso de água refluísse para cima, indo vazar pelo canal que havia sido construído com esse fim (atual “valinha”), desviando parte das águas para o Rio Itaguaí
           
Com seus 50m de extensão e 6m de largura, a Ponte dos Jesuítas servia também como passagem para tropeiros e pedestres que iam e vinham do interior em direção ao Rio de Janeiro.

     
Do lado do reservatório,a ponte possui quatro arcos, os óculos, que retinham a água – na saída, a velocidade era reduzida com a divisão dos canais em duas paredes


Uma represa que permitisse o melhor desenvolvimento das colheitas representava um grande avanço na época. O marco da presença jesuíta e sua capacidade artística foram expressos nessa construção. Um medalhão barroco, esculpido em gnaisse no centro da ponte com o símbolo jesuíta, enriquecem a obra: I.H.S. ( “Jesus Salvador dos Homens”).

A ponte traz também a seguinte inscrição em latim: “Flecte genu, tanto sub nomine, flecte viator. Hic etiam reflua flectitur amnis aqua” (“Dobra o joelho sob tão grande nome, viajante. Aqui também se dobra o rio em água refluente”). É também ornamentada por colunas com capitéis em forma de pinhas portuguesas, esculpidas em pedra, trabalhadas com cinzel.

 

Com a expulsão dos jesuítas, em 1759, a fazenda foi incorporada aos bens da Coroa e ficou subordinada diretamente ao vice-rei, passando a produção por um período de decadência.

Foi só a partir de 1790 que seu desenvolvimento recebeu maior atenção da metrópole. Assim, a plantação de cana-de-açúcar e a construção de engenhos foram incentivadas, mas não houve o resultado esperado e a produção passou por novo declínio, com a consequente venda de terrenos. Com a carta régia de 7 de novembro de 1803, foram desmembradas de sua área os engenhos de Itaguaí e Piaí, o que agravou a situação de decadência da Fazenda de Santa Cruz, cuja pequena renda era obtida da exploração dos arrendamentos, pastos e extração de madeira.
Com a canalização do rio Guandu, o conjunto arquitetônico da Ponte dos Jesuítas foi destituído de sua função original, mas constitui um dos mais belos e raros monumentos da arquitetura jesuítica no Rio de Janeiro, sendo consagrada por sua importância histórica e arquitetônica desde 1938, com o seu tombamento nacional.





Veja o video: http://www.youtube.com/watch?v=8U_cYpjMgp0





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