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terça-feira, 26 de julho de 2011

A estátua de Carlos Drummond de Andrade no Rio de Janeiro


Em 2002, foram muitas as comemorações pelo centenário de nascimento do escritor Carlos Drummond de Andrade, no Brasil e no exterior. A Cidade do Rio de Janeiro optou por homenagear Drummond com uma estátua. Em contato com a empresa Paralelo 3, que vinha desenvolvendo o projeto nacional, a Prefeitura contratou o artista Leo Santana, nascido na cidade mineira de Itabira – assim como o poeta –, para reproduzir uma antiga foto que mostrava o escritor sentado na Praia de Copacabana. A foto foi feita pelo fotógrafo Rogério Reis em 1983, para a revista Veja.


No dia 30 outubro de 2002, véspera do aniversário de 100 anos de Drummond, a estátua foi inaugurada às 16h, sem discurso nem cerimonial, informalidade devida ao grande número de jornalistas e admiradores que se aglomeravam no local. Logo após a retirada do pano sobre a estátua, todos os presentes passaram a tirar fotos ao lado dela, gesto que vem sendo repetido diariamente por moradores e turistas desde então.

 Prefeito Cesar Maia


 Leo Santana

 



A partir de então, a estátua de Drummond passou a ser unanimidade no Rio de Janeiro. Cada vez que ela foi vítima de vandalismo, tal fato repercutiu na sociedade, evidenciando o quanto esse monumento se tornou querido pelos cariocas. Não é exagero dizer que essa escultura tornou o poeta mais conhecido entre os moradores e os visitantes da cidade.




Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira do Mato Dentro, Minas Gerais, em 31 de outubro de 1902. De uma família de fazendeiros em decadência, ele estudou na cidade de Belo Horizonte e também com os jesuítas do Colégio Anchieta de Nova Friburgo, no estado do Rio de Janeiro, de onde foi expulso por “insubordinação mental”. De volta a Belo Horizonte, Drummond começou a carreira de escritor como colaborador do jornal Diário de Minas, que aglutinava os adeptos locais do incipiente movimento modernista mineiro.

A insistência familiar obrigou Drummond a obter um diploma. Então, ele se formou em farmácia em Ouro Preto, em 1925. Mas não era esse seu principal interesse. Fundou com outros escritores A Revista, importante veículo de afirmação do modernismo em Minas. Ingressou no serviço público e, em 1934, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde foi chefe de gabinete de Gustavo Capanema, ministro da Educação. Em 1945, deixou o gabinete e passou a trabalhar no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, onde mais tarde se tornou chefe da Seção de História, na Divisão de Estudos e Tombamento. Naquele mesmo ano, publicou “A Rosa do Povo” e a novela “O Gerente”. Enquanto isso, colaborava no suplemento literário do Correio da Manhã e na Folha Carioca. A convite de Luís Carlos Prestes, foi editor do diário comunista Imprensa Popular, junto com Pedro Mota Lima, Álvaro Moreyra, Aydano do Couto Ferraz e Dalcídio Jurandir. Meses depois, afastou-se do jornal por discordar de sua orientação.

Em 1946, Drummond recebeu o Prêmio pelo Conjunto de Obra, da Sociedade Felipe d'Oliveira. Daí em diante, publicou diversos trabalhos, como “Poesia até Agora” (1948); “Claro Enigma”, “Contos de Aprendiz” e “A Mesa” (1951); “Cadeira de Balanço” (1966); “Amar se Aprende Amando”, “O Observador no Escritório” (memórias), “História de Dois Amores” (livro infantil) e “Amor, Sinal Estranho” (1985).

Drummond também colaborou como cronista no Correio da Manhã (desde 1954) e no Jornal do Brasil (desde 1969). Como funcionário público, aposentou-se em 1962. Quando morreu, no dia 17 de agosto de 1987, no Rio de Janeiro – poucos dias após a morte de sua filha única, a cronista Maria Julieta Drummond de Andrade –, Drummond já era um dos mais admirados e festejados escritores brasileiros.

Partiu de Minas Gerais a iniciativa de divulgar e comemorar o centenário de nascimento de Carlos Drummond de Andrade, em 2002, com diversas ações no Brasil. Foram realizadas exposições itinerantes pelas escolas de várias cidades de Minas, Brasília e Rio de Janeiro, tendo como ápice as apresentações de textos do autor e peças teatrais em sua cidade natal, Itabira (MG). O Ministério da Educação promoveu uma teleconferência através de sua TV Executiva, em homenagem ao poeta. Foi lançada uma moeda comemorativa, criada e modelada por Luciano Dias de Araújo e Katia Dias, com tiragem inicial de 7.000 unidades em prata, projeto do Banco Central do Brasil e da Casa da Moeda do Brasil.


O centenário de nascimento de Drummond também teve comemorações apoiadas por embaixadas brasileiras no exterior. A Embaixada do Brasil em Buenos Aires, por exemplo, incluiu uma celebração durante a XVIII Feira Internacional do Livro de Buenos Aires, realizada no período de 15 de abril a 6 de maio daquele ano. Em Lisboa, a Embaixada Brasileira organizou, no dia 28 de outubro, em colaboração com o Instituto de Cultura Brasileira da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, uma Jornada Comemorativa do Centenário de Drummond. As jornadas relativas a Carlos Drummond de Andrade foram incluídas na agenda cultural de abertura do semestre letivo da Universidade de Lisboa. A Embaixada do Brasil em Roma, por sua vez, promoveu um seminário sobre Drummond em novembro. E o Itamaraty distribuiu a alguns postos selecionados no exterior – onde existissem Centros de Estudos Brasileiros – cópias do documentário “Poeta de Sete Faces”, de Paulo Thiago.







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domingo, 3 de julho de 2011

As obras francesas de mármore do inicio do século XX no Rio de Janeiro

O início do século XX no Rio de Janeiro é marcado por inúmeras transformações na cidade. Entre aberturas de grandes vias, implantação de canteiros ajardinados e arborização, surgiu espaço para as obras de arte como incremento da urbanização. Desta vez, dedico-me a falar das requintadas esculturas francesas de mármore carrara que estão em nossas ruas e que são muito representativas do grande valor de nossas obras públicas.

Um conjunto de peças que chama atenção é o do artista François Auguste Hippolyte Peyrol (1856-1929), filho de Hippolyte Peyrol, um dos mais célebres pintores franceses da época. François montou sua própria fundição, para manter a qualidade do seu trabalho, sendo um dos melhores escultores da sua geração. Diversas peças em bronze de sua autoria são disputadas até hoje nos leilões internacionais. O Rio de Janeiro, contudo, possui trabalhos seus em mármore carrara, em tamanho natural: as esculturas “Leoa à Procura” e “Leoa à Espreita”, inauguradas em 1906 e hoje dispostas na Praça Paris, na Glória.

 

A escultura “O Homem Derrota a Leoa”, também criada por François Auguste Hippolyte Peyrol, encontra-se no Parque da Catacumba, em frente à Lagoa Rodrigues de Freitas.

 

Também é de Peyrol o “Leão” que está na Avenida Edson Passos, no Alto da Boa Vista, originalmente instalado na Praça Marechal Floriano, no Centro



No Jardim de Alá, encontramos a peça “Proteção”, também de Peyrol.

 




Do mesmo ano de 1906, temos a escultura “Crepúsculo”, de Henri Weigele, que está nos jardins da Praia de Botafogo. Weigele nasceu em 20 de setembro de 1858 na cidade francesa de Schlierbach, na região de Haut-Rhin, perto da fronteira com a Suíça. Ele viveu e trabalhou em Paris, onde teve aulas com Jules Franchesi e desenvolveu uma reputação considerável trabalhando em bronze e mármore, tendo produzido obras figurativas de temas alegóricos e clássicos. Seu trabalho foi exibido no Salão de Paris em 1893, onde recebeu uma menção honrosa. Em 1902, Weigele se tornou um membro do Salon des Artistes Français. Em 1907, foi premiado com uma medalha de terceira classe, para dois anos depois receber uma de segunda classe. Suas peças de mármore com temas clássicos foram muito procuradas, como sua “Mulher Ateniense”, agora na coleção da Galeria de Arte Walker, em Liverpool, na Inglaterra. Entretanto, ele também foi um escultor de renome em bronze. Weigele morreu em Neuilly-sur-Seine, em 1927. Seus trabalhos podem também ser encontrados em Paris.


A “Poesia em Ruínas”, de Jean-Marie Joseph Magrou, inaugurada em 1910, é outra escultura francesa de mármore a embelezar o espaço público carioca. Ela está no canteiro central da Praia de Botafogo, em frente ao prédio do Centro Empresarial Rio. Magrou estudou no Lycée Henri IV e era muito interessado em mitologia. Sua paixão pela escultura foi despertada cedo. Em 1898, casou-se com Jeanne Rixens, sobrinha do pintor André Rixens (1846-1925). É autor de diversos monumentos. Magrou recebeu ordens do Estado do Jubileu de Louis Pasteur e da Sorbonne, tendo sido professor de escultura e desenho nessa prestigiada universidade francesa. Em 1907, participou da “Educação Cooperativa” criada por Marie Curie. Em 1931, publicou o livro “A Escultura e Beleza na Grécia Antiga.

 

Outro conjunto que se destaca na cidade do Rio de Janeiro são as obras presentes no Campo de Santana. A escultura do “Pescador Napolitano”, por exemplo, situada em um lago do parque, é obra de François Rude (1784-1855). O artista nasceu em Dijon, na França, e trabalhou no negócio de seu pai até os 16 anos, recebendo ao mesmo tempo treinamento em desenho de François Devosges. Depois, matriculou-se na Escola Real de Desenho de Dijon e dali transferiu-se para Paris, em 1809, onde estudou com Pierre Cartellier. Em 1812, Rude recebeu o Prêmio de Roma. Seus maiores sucessos vieram após 1833, quando ele recebeu a cruz da Legião de Honra por sua estátua “Jovem Pescador Napolitano Brincando com uma Tartaruga”, original de 46cm x 61cm. A partir de então, Rude foi procurado para executar frisos e outros trabalhos para o Arco do Triunfo em Paris, conjunto conhecido como “A Marselhesa”, obra cheia de energia e movimento que imortalizou seu nome.

 

Também no Campo de Santana, temos as esculturas “Primavera” e “Outono” – de Gustave Frédéric Michel (1851-1924) – e “Verão” e “Inverno” – de Paul Jean Baptiste Gasg. Michel foi um dos mais famosos escultores franceses das primeiras décadas do século XX, embora hoje seja praticamente desconhecido. Pouco se sabe também sobre Gasg.

 


Finalizando, o Verão e o Inverno são de Paul Jean Baptista Gasg.

 

Por fim, temos a escultura da “Bailarina”, de Paul Darbefeuille (1855- 1930), fundida originalmente em ferro fundido no Val D’Osne, mas presente no Rio de Janeiro em mármore carrara. Dentre todas as peças aqui mencionadas, esta foi a que mais “passeou” pela cidade. Há registros de que ela fora inicialmente instalada na Praia de Botafogo, em 1908. Fotografias de 1954 a mostram no Jardim do Méier. Em 1960, ela estava na Avenida Presidente Vargas, em frente à Central do Brasil. Em 1992, a peça foi encontrada no Largo do Tanque, em Jacarepaguá, tendo sido transferida em janeiro de 1996 para a Praça Leony Mesquita, no mesmo bairro, onde permanece até hoje.
                                               
          Na Avenida Presidente Vargas
 No Jardim do Meier

 No Largo do Tanque

 Na Praça Leony Mesquita

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