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domingo, 20 de março de 2011

Lima Barreto: dupla homenagem no Rio de Janeiro

A prosa de Lima Barreto, um dos grandes escritores brasileiros da virada do século XIX para o XX, é especial para a cidade do Rio de Janeiro. Isso porque sua obra é representativa na descrição de como era viver na então capital federal naquela época, por ter ele narrado tão bem o cotidiano humilde da pequena classe média do subúrbio carioca, universo vivenciado a fundo pelo autor. De descendência mestiça, Lima Barreto foi um crítico ferrenho da vida social daquele período. Seus textos são marcados também pelos momentos trágicos de sua vida.

Treze anos após a morte de Lima Barreto, ocorrida em 1922, um grupo de artistas e intelectuais – encabeçados por Agripino Grieco, Guttmann Bicho, Phocion Serpa e Jordão de Oliveira – resolveu erguer um busto em sua homenagem. O local escolhido para a instalação da obra foi uma praça na Ilha do Governador, onde Lima havia passado sua infância, longe do Centro da cidade.

Há relatos de que a primeira opção tinha sido um lugar próximo à Igreja Nossa Senhora da Ajuda, na Praça Calcutá; porém, essa possibilidade foi rapidamente descartada: “O escritor não era religioso”. Assim, o busto foi para a Ilha, perto do mar, pois foi Lima quem disse: “Pouco olho o céu, quase nunca a lua, mas sempre o mar”. Em 20 de janeiro de 1935, foi inaugurado o pequeno busto de Lima Barreto, obra de autoria de Francisco de Andrade.



Foto de 1951 onde aparece o busto no centro da praça.

                                      

Em 1989, surge uma confraria chamada Casa Lima Barreto, cujo objetivo é divulgar a obra de seu patrono. Desde 2006, ela vinha buscando junto à Prefeitura do Rio de Janeiro um lugar no Centro da cidade onde se pudesse reconhecer a importância da obra de Lima Barreto. Assim, em meados de 2010, a Prefeitura iniciou o processo da execução de um novo busto, a ser implantado na Rua do Lavradio, onde o escritor havia morado. Não teria sido razoável simplesmente transferir para o Centro o busto que já existia na Ilha do Governador, por tratar-se de uma obra que é uma referência forte para a população local, além de estar instalada em um lugar profundamente identificado com a vida de Lima.

Finalmente, no dia 12 de março de 2011, foi inaugurada a nova peça, criada por Edgar Duvivier, na referida rua, realizando um “sonho da Casa Lima Barreto”, como marco da comemoração pelos 130 anos do nascimento do importante escritor, tornando-o mais visível a todos os cariocas.



A biografia de Lima Barreto:




A inauguração: http://www.youtube.com/watch?v=BHuZev90bvQ&feature=player_embedded

quinta-feira, 3 de março de 2011

Os coretos da Cidade do Rio de Janeiro

Os coretos são construções situadas nas praças públicas. Inicialmente, eles eram um espaço de descentralização e democratização cultural. Surgiu com os ideais de igualdade da Revolução Francesa, quando a cultura saiu dos ambientes fechados e pode ser exposta nas áreas públicas. Os coretos foram palcos de manifestações políticas e testemunhas de transformações sociais.

O primeiro coreto instalado na cidade do Rio de Janeiro foi inaugurado em 21 de junho de 1903, na Praça XV de Novembro, no Centro. Naquele ano, o espaço fora reformado pelo então prefeito Pereira Passos, com o ajardinamento e a arborização em torno dos monumentos existentes na época. O coreto foi construído à custa da Companhia de Carris Urbanos, através de um contrato firmado com a Prefeitura. O primeiro concerto realizado ocorreu no dia de sua inauguração, com a Banda de Música da Marinha do Brasil.

                               

Esse mesmo coreto foi parar mais tarde na Praça Washington Luiz, em Sepetiba, no dia 30 de novembro de 1949, por ocasião da inauguração da luz elétrica no bairro. O general Ângelo Mendes de Moraes, então governador do Distrito Federal, comandou o evento, recepcionando o prefeito, secretários, senadores, deputados federais, vereadores e o padre Arruda Câmara. Todas as solenidades aconteceram no coreto.

Permanece até hoje em Sepetiba, tendo sido muito mostrado na televisão em 1973, por ter servido de locação para a telenovela “O Bem Amado”, de Dias Gomes.


                                       

Acredito que, no governo de Pereira Passos (de 1902 a 1906), muitos coretos foram instalados na cidade, mas desapareceram com o passar do tempo. Consegui recuperar alguns registros, que compartilho a seguir.

Na Praça da Harmonia, no bairro da Gamboa, existiu um, com uma cobertura muito interessante, conforme comprova a foto. Há registro de sua inauguração em 1º de janeiro de 1912, mas nenhuma informação sobre sua desmontagem

Também há registro da existência  no Largo da Glória e na Praça da Bandeira,conforme imagens abaixo.

 Largo da Glória

 Largo da Glória

 Praça da Bandeira

 Praça Condessa Paulo de Frontim 1915


Estes coretos acima são de ferro fundido, talvez por ser esse o padrão da época, principalmente pela influência francesa das fundições do Val d’Osne.

Nesse mesmo período, foram erguidos dois coretos em argamassa no Rio de Janeiro. O primeiro, na Praça Afonso Viseu, no Alto da Boa Vista, inaugurado em 26 de abril de 1903, para a realização de concertos populares com e tocadas de bandas de música. Desconheço a data de sua retirada.
                            
O segundo de argamassa dessa época imita troncos de bambu. Ele está até hoje no Parque Nacional da Tijuca e é conhecido como Vista Chinesa, tendo sido inaugurado em 12 de outubro de 1903, como um belvedere da cidade.

                                             

                                          

Em 11 de novembro de 1906, foi inaugurado o maior coreto da cidade do Rio de Janeiro, o do Campo de São Cristóvão, com material importado da Europa. Ele permanece no mesmo local.

                                                     

                                                          

Em 12 de outubro de 1910, foi inaugurado mais um coreto, agora na Quinta da Boa Vista. Ele recebeu o nome de Pagode Chinês. O projeto é de Paulo Villon, arquiteto da Prefeitura, semelhante ao da Vista Chinesa, reproduzindo em argamassa os troncos de bambu.


                                             



Em 30 de abril de 1911, na gestão do prefeito Bento Ribeiro, foi inaugurada a Praça Saens Peña, com um coreto em ferro.


Com a construção da estação de metrô da Praça Saens Peña, o coreto foi desmontado e transferido para a Praça Catolé do Rocha, no bairro de Vigário Geral. Foi inaugurado ali em 14 de setembro de 1977.


Em 1914, foi inaugurado o primeiro coreto de madeira do Rio de Janeiro, projeto de Pedro Fernandes Viana da Silva, no Jardim do Méier, cujo modelo foi repetido na Praça Barão da Taquara, em 1923, e no Santuário da Igreja da Penha.

 1916

                  Jardim do Méier

                          Praça Barão da Taquara - Seca


     
Santuario da Igreja de Nossa Senha da Penha - em 2009

Em julho de 2013 foi reinaugurado apos  restauração executada pelo IRPH - Insituto Rio Patrimonio da Humanidade, do Municipio do Rio de Janeiro


       Em 31 de outubro de 1917, foi a vez da Praça de Quintino Bocaiúva ganhar esse equipamento urbano. O coreto de ferro fica em frente à estação ferroviária de Quintino, da Central do Brasil, e até hoje é utilizado nas festas locais.

                                           

Desconheço a construção de novos coretos entre 1920 e 1980. O tombamento dos existentes em 1985 pelo INEPAC (Instituto Estadual de Patrimônio Cultural), através do decreto E-18/300.288/85, confirma a necessidade de preservar essas obras, que estavam desaparecendo do espaço urbano.

O coreto da Praça Manguetá, na Ilha do Governador, apesar de descaracterizado na sua cobertura, é referencia central da Praça. Originariamente foi construido como um mirante, devido a sua localização e a bela vista de toda a Baia da Guanabara. A foto de 1938, mostra que o equipamento anteriormente a urbanização do local.

 Foto cedida por Jaime Moraes


 foto de 1941

 foto de Jaime Acioli

Na década de 60, Affonso Eduardo Reidy projeta um coreto moderno, o  Estrela, no Parque do Flamengo.  Com um apoio centro, a obra se destaca pelo arrojo da cobertura e pequena altura de embasamento.


Provavelmente era de Reidy o coreto que existiu na Praça XV de Novembro em Marechal Hermes.  Situado em frente a outra obra de Reidy, o Teatro Armando Gonzada, foi demolido em 2003 com as obras do Rio Cidade e reconstruido em 2013.

1994
 2013


Em 1980, foi construído um coreto de concreto de autoria de Antonio Moreira de Souza, na Praça São Roque, na Ilha de Paquetá, onde está a capela dedicada ao santo homônimo. Lá, realiza-se anualmente a festa do padroeiro da ilha. Fica aqui uma homenagem a Renato Araujo Antunes, voluntário que sempre promovia as festividades.


Provavelmente o do Campo de Marte em Deodoro e da Praça Marechal ( inaugurado em 1957) próximo a estação ferroviaria da Vila Militar,sejam do mesmo periodo.

 Campo de Marte

Praça Marechal


Em concreto outro coreto muito lembrado é o bairro do Grajau.

 Praça Edmumndo Rego 1960

Em 1996 na implantação do Rio Cidade Catete, a Praça São Salvador foi contemplada com um coreto tematico.


Em agosto de 1998, foi erguido um outro coreto estilizado na Barrinha, na Praça Desembargador Araujo Jorge, voltado para o uso interno.


Finalmente, em 2002, foi erigido um coreto de concreto e madeira na Praça H, em Sulacap, com outra finalidade. O equipamento foi instalado entre duas quadras de futebol de salão, para vigilância do espaço, com banheiro e vestiário no seu embasamento.

                                     

Na mesma época foi erguido outro coreto no bairro de Ricardo de Albuquerque, no Praça Claudio e Souza, em estrutura metálica para eventos locais



A seguir, deixo o registro de dois outros coretos, sobre os quais disponho de poucas informações. Quem sabe a exposição deles aqui sirva para novas pesquisas? O primeiro se situa na Praça Enzo Osborne, na localidade conhecida como Rio da Prata, em Campo Grande.




O segundo fica na Praça Coronel Assunção, ou Harmonia, no bairro da Gamboa, datado de 1978. É o que entendo por “coreto caramanchão”, reformado em 2012 e instalada uma cobertura. A foto abaixo de 1936 aparece o coreto original da praça.

 1936

                                       

Em 2011, o coreto finalmente recebeu uma cobertura, completando a obra de 1978


Os deslocamentos desses equipamentos para o subúrbio fez com que hoje os coretos sejam o principal patrimônio dessa área da cidade.



Em:  O Rio de Janeiro de Pereira Passos: uma cidade em questão II/ Gioanna Rosso Del Brenna organizadora - Rio de Janeiro:Index, 1985, na pagina 82, sobre o antigo coreto da Praça XV atualmente no bairro de Sepetiba.

"Recebemos da Directoria da Companhia Carris Urbans a seguinte comunicação:
"Faltando em uma..."verdaeira desilusão para todas aquelles que, embalados pelo promettido, contavão em lugar do actual pavilhão do Largo do Paço uma construcção leve, elegante e architectonica, senão original, pelo menos como essas que vem desenhadas nos livros especiaes que se occupam do assumpto..."fazeis cesura injusta á Companhia Carris Urbanos.
Cumpridores dos nossos compromissos com a Prefeitura, somos ciosos dos nossos créditos; desculpareis,pois, se pedimos espaço editorial para a defesa.
Elegante ou desgracioso o pavilhão, a  Companhia fez mais do que aquillo a que estava obrigada. Tendo ajustado, em troca de abrigos, construir dois pavilhões para musica, de valor approximado de 12:000$ cada um, a Companhia recebeu da Prefeitura a planta a executar, com desenhos e detalhes, que por empreitada lhe custa 15:000$, excesso com que se resignoua pedido do Prefeito.
Essa planta não foi, alias, feita para o acaso, mas aproveitada entre propostas apresentadas, a um dos anteriores Prefeitos; e, se não foi a melhor, foi pelo menos das mais caras.
Pensamos, Sr. Redator, que na escolha do pavilhão a Prefeitura correspondeu em parte aos vossos desejos; pois o projecto escolhido vem desenhado no Jornal Les Metaux Ouvrés, publicado em Pariz desde 1883, um dos mais conhecidos de serralheira artistica, que o destacou como modelo dentre os pavilhões expostos pela casa Srs. Farinha, Carvalho & C., casa das mais reputadas desta praça.
A base foi desenhada por techico da Prefeitura; e se tem apparecias herculeas é talvez pela altura, que obedeceu à preocupação de aproveitar a parte inferior para guardar as estantes de musica. Garantimos, entretanto, e os desenhos podem ser vistos na referida casa Farinha, Carvalho & C., que as proporções forão conservadas as mesmas da base do pavilhão Jouffroy, apenas com mais 0m,20 de altura, insignificante em 2m,0 e que de modo algum podia beneficiar à Carris Urbanos (...)" - Várias, J.C. 9.6.1903


Veja a ficha cadastral de cada coreto:

1. Coreto de Vigario Geral na Praça Catolé do Rocha
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=933&iMONU=Coreto%20de%20Vig%C3%A1rio%20Geral

2. Coreto da Praça Barão da Taquara, conhecida Praça Seca.
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=1054&iMONU=Coreto%20da%20Pra%C3%A7a%20Bar%C3%A3o%20da%20Taquara,%20conhecida%20Pra%C3%A7a%20Seca

3. Coreto do Largo da Barrinha
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=1068&iMONU=Coreto%20do%20Largo%20da%20Barrinha

4. Coreto da Vista Chinesa
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=1210&iMONU=Coreto%20da%20Vista%20Chinesa

5. Coreto Estrela
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=1324&iMONU=Coreto%20Estrela

6. Coreto do Santuario da Penha
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=902&iMONU=Coreto%20do%20Santu%C3%A1rio%20de%20Penha

7.Coreto do Campo de São Cristovão
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=683&iMONU=Coreto%20do%20Campo%20de%20S%C3%A3o%20Cristov%C3%A3o

8. Coreto de Ricardo de Albuquerque
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=934&iMONU=Coreto%20de%20Ricardo%20de%20Albuquerque

9. Coreto de Quintino
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=913&iMONU=Coreto%20de%20Quintino

10. Coreto da Praça Elza Osborne
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=987&iMONU=Coreto%20da%20Pra%C3%A7a%20Elza%20Osborne

11. Coreto da Praça Harmonia
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=568&iMONU=Coreto%20da%20Pra%C3%A7a%20Harmonia

12. Pagode Chines
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=659&iMONU=Pagode%20Chin%C3%AAs

13. Coreto do Jardim do Méier
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=878&iMONU=Coreto%20do%20Jardim%20do%20M%C3%A9ier

14. Coreto da praça José Lorena
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=1188&iMONU=Coreto%20da%20Pra%C3%A7a%20Jos%C3%A9%20Lorena

15. Coreto da Praça São Salvador
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=278&iMONU=Coreto%20da%20Pra%C3%A7a%20S%C3%A3o%20Salvador

16. Coreto da Praça Marechal Hermes
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=1017&iMONU=Coreto%20da%20Pra%C3%A7a%20Marechal%20Hermes

17. Coreto e Mirante do Parque Darke de Mattos.
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=1146&iMONU=Coreto%20e%20Mirante%20do%20Parque%20Darke%20de%20Mattos

18. Coreto do Campo de Marte
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=1019&iMONU=Coreto%20do%20Campo%20de%20Marte

19.Coreto de Sepetiba
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=1024&iMONU=Coreto%20de%20Sepetiba

20.Coreto da Praça dos Bichinhos
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=739&iMONU=Coreto%20da%20Pra%C3%A7a%20do%20Bichinhos