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domingo, 21 de novembro de 2010

Os monumentos desaparecidos da cidade do Rio de Janeiro – Esculturas femininas

Este blog continua sua série sobre monumentos desaparecidos do Rio de Janeiro, agora falando das muitas esculturas femininas que a cidade vem perdendo ao longo dos anos. A última delas, como já dito aqui, foi a Mulher da Luz, que desapareceu recentemente da Praça das Nações, em Bonsucesso. Mas muitas outras mulheres de bronze, ferro e pedra sumiram antes dessa, lindas peças de história e autoria desconhecidas, sobre as quais não se sabe sequer a data de criação. O único registro de que disponho são as fotos abaixo, encontradas durante uma busca exaustiva em livros, catálogos, arquivos e sites. É graças a estas imagens que se sabe que tais esculturas um dia embelezaram a paisagem urbana carioca.

Uma dessas esculturas femininas ficava sobre o aquário que existia na Quinta da Boa Vista. Essa construção, datada de 1910, ocupava uma área de 314 m2. Em seu topo ficava a estátua, com o braço erguido enrolado por uma serpente. Sabe-se que o monumento foi projetado bem antes pelo arquiteto francês Auguste François Marie Glaziou (1833-1906), mas construído somente depois de sua morte. Durante 50 anos, o aquário foi uma importante atração turística do parque, tendo alcançado em 1916 a visitação recorde de 115.670 pessoas.

                                        

Uma outra foto da Quinta da Boa Vista – com o aquário ao fundo – mostra que havia mais uma escultura feminina no parque, nomeada Primavera. Não se sabe o que foi feito dela, pois não está mais na Quinta nem em qualquer outro espaço público da cidade.
                                       

- Quinta da Boa Vista

Outra escultura feminina desaparecida é a Diva do Silogeu, que encimava o prédio que fora construído entre 1902 e 1906 para abrigar o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), a Academia Brasileira de Letras (ABL), a Academia de Medicina e o Instituto dos Advogados, próximo ao Passeio Público. Para esse edifício tão multidisciplinar, deu-se o nome de Silogeu Brasileiro (a palavra “silogeu” fora criada em 1901 por Ramiz Galvão, para designar locais onde estudos de diferentes naturezas fossem realizados conjuntamente). Com o passar dos anos, cada entidade foi obtendo sua própria sede, permanecendo apenas o IHGB no prédio. Até que, nos anos 1970, a construção foi demolida para permitir o alargamento da Rua Teixeira de Freitas. O último registro da Diva do Silogeu é esta foto da demolição do prédio:



                                               
Escultura do Soligeu

As fotos seguintes comprovam que o Rio de Janeiro teve, ao longo de sua história, muitas outras esculturas femininas das quais não se sabe quase nada. Elas mostram que ainda há muito a se pesquisar e desvendar sobre os mistérios que envolvem o desaparecimento de obras de arte pública.


                                 
Jardim de Alá - 1950

   Foto de Derani em 12.09.2013


                                                     
Praça Saens Pena - Euplebo

domingo, 14 de novembro de 2010

Praça São Salvador, Chafariz La Fonte

Das obras francesas de Val d’Osne no Rio de Janeiro, o chafariz da Praça São Salvador, no bairro de Laranjeiras, é um dos mais belos da cidade. Instalado ali provavelmente em 1903, quando foi construído o jardim no centro do qual a obra fora posicionada.                      


Do conjunto, somente a escultura feminina, datada de 1862, é obra de Louis Sauvageau. As demais são peças sem assinatura, escolhidas do catálogo de Val d’Osne e fundidas sob encomenda.

 

Compondo o chafariz, crianças sobre golfinhos sustentam uma bacia bastante ornamentada. Sobre ela, vê-se a beleza da face e do gesto de uma figura a derramar água de um cântaro, elementos que realçam sua delicadeza.                                   

                                               
 

Na cidade temos uma outra escultura idêntica a essa, localizada no Jardim Botânico. Essas peças são as únicas obras de Sauvageau no Rio de Janeiro, aonde chegaram provavelmente entre 1883 e 1885.


O que intriga nessa história é um outro registro fotográfico, que mostra a mesma escultura em um quarto local da cidade, descrito como sendo a Quinta da Boa Vista. Na foto, a peça aparece sobre um pedestal e decorada por dois animais alados, os Grifos, que hoje estão próximos ao portão do Parque Guinle. Com isso, ficam algumas questões. Seria esta a mesma escultura que hoje está no Jardim Botânico? Se sim, por que foi para lá? E onde foi parar seu pedestal? As peças do Val d’Osne nunca ficavam em contato direto com o solo, para evitar uma forte corrosão do material.


Portanto, supõe-se que uma dessas duas peças de Sauvageau esta desde sua origem na Praça São Salvador, em Laranjeiras, onde se encontra agora. Supõe-se também que a outra peça esteve primeiro na Quinta da Boa Vista, para depois ser levada para sua localização atual, o Jardim Botânico. Mas são apenas suposições. Faltam registros históricos que esclareçam a trajetória de ambas as peças de Sauvageau, idênticas, fundidas a partir de um mesmo molde.

Garantido a preservação do conjunto da Praça São Salvador, o chafariz foi tombado pelo INEPAC (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural) no processo E-18/001.553/98 de 10 de dezembro de 1998 e pelo Município, pelo Decreto nº 19011 de 5 de outubro de 2000.




Veja detalhes do conjunto neste vídeo da Praça São Salvador:










segunda-feira, 1 de novembro de 2010

As obras desaparecidas de Alexander Calder

O Parque do Flamengo foi idealizado por Carlota Macedo Soares, ou Lota, como era conhecida. Amiga do então governador Carlos Lacerda, ela convocou os principais especialistas da época para transformar essa nova área aterrada do Rio de Janeiro em um parque para a população carioca. Com a superintendência de Afonso Eduardo Reidy, ali trabalhou Burle Marx, a quem coube a maior tarefa, o projeto paisagístico.


No entanto, Lota não se esqueceu dos elementos decorativos e, em 1961, propôs ao governador a compra de uma obra do artista plástico americano Alexander Calder chamada “Rio”, de 1951, no valor de Cr$ 1.250.000 (um milhão e duzentos e cinquenta mil cruzeiros). Ao fechar o negócio, Calder não apenas vendeu a escultura em questão, mas também doou uma segunda peça à cidade, chamada “Stable”, de 1940. Assim, o Rio de Janeiro se tornou a única cidade da América Latina a ter obras do artista expostas em espaço público.


                                            - Stable

                                                 - Rio - parque da Catacumba 1979

Naquele mesmo ano de 1961, as duas esculturas de Calder foram instaladas no Parque do Flamengo. Dezoito anos depois, em 1979, o então prefeito Marcos Tamoio, ao inaugurar o Parque da Catacumba, optou pela transferência das peças para o novo local, por ser esse um espaço temático, dedicado à arte contemporânea.

Passados mais cinco anos, em novembro de 1984, ambas as peças foram retiradas do parque, devido à intensa corrosão, sendo transferidas para o depósito da prefeitura no Caju, onde foram desmontadas para serem submetidas a um processo de restauração.

Infelizmente, em novembro de 1985, as duas esculturas de Calder desapareceram do depósito. Apesar do registro da ocorrência na 17ª Delegacia de Polícia e da intensa divulgação do caso na imprensa, as obras nunca mais foram encontradas.

No ano seguinte, 1986, foi noticiado pelos jornais o sumiço de uma outra escultura do Parque da Catacumba, “Revoada”, de Pedro Correia Lima, que havia seguido a mesma trajetória das obras de Calder.




Alexander Calder nasceu em Lawton, no estado norte-americano da Pensilvânia, em 22 de julho de 1898. Faleceu em Nova York, em 11 de novembro de 1976, como um grande nome da arte moderna. Foi o primeiro artista plástico a desenvolver seus móbiles, a arte escultórica em movimento.

Filho de uma escultora com um pintor, Calder criava seus próprios brinquedos quando criança. Formou-se em engenharia e, antes de se dedicar à escultura, foi pintor e ilustrador. Em 1926, indo para Paris, se aproximou dos surrealistas, tornando-se grande amigo de Joan Miró. Naquela época, fez suas primeiras esculturas em arame e, a partir de 1931, construções abstratas. Seus primeiros móbiles são de 1932. Em 1959, visitou o Brasil para expor no Museu de Arte de São Paulo.

Calder ocupa lugar especial entre os escultores modernos por conta de suas peças sólidas, esculturas fixas e móbiles, placas e discos metálicos unidos entre si por fios que se agitam quando tocados pelo vento, assumindo formas imprevistas.