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domingo, 30 de maio de 2010

O coreto de Affonso Eduardo Reidy



  - Placa do coreto

Affonso Eduardo Reidy nasceu em Paris, em 26 de outubro de 1909 e faleceu no Rio de Janeiro, em 1964. É considerado um dos pioneiros da arquitetura moderna no país.

Aos 17 anos ingressou na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, onde se formou arquiteto. Em 1931, venceu um concurso para a construção de um albergue, de concepção moderna. No ano seguinte ingressa no serviço público onde permanece por 30 anos até se aposentar no início da década de 1960, alternando-se nos cargos de Diretor do Departamento de Habitação Popular e de Urbanismo.

Os projetos que definiram o Aterro do Flamengo eram de sua responsabilidade, o paisagístico é de autoria de Roberto Burle Marx (1909 - 1994). Ele não apenas concebeu o projeto do parque, mas também foi o responsável pelo projeto do Museu de Arte Moderna - MAM.

Reidy desafiou a engenharia ao projetar a passarela em frente ao MAM, executada pelo engenheiro Sydney Santos em homenagem ao amigo Paulo Bittencourt.

Foi a primeira passarela do parque e tinha como finalidade, permitir aos pedestres a travessia das pistas de tráfego direto. Destaca-se aqui a elegância da passarela em curva contínua. No todo resulta em elemento estrutural de concreto aparente muito elegante e esbelto com 56 metros de vão livre.




No seu arrojo, projetou um coreto, no Parque do Flamengo ( próximo ao restaurante) conhecido como "Estrela", com apoio central e fortes linhas retas, tanto verticais como horizontais.




Trata-se de uma estrutura de concreto composta por quatro lajes, fixadas numa coluna central por ângulos inclinados que formam vazados entre elas, permitindo assim leveza e movimento.

 


Na sua cobertura embutiu refletores, direcionando homogeneamente a luz para o piso, deixando uma atmosfera lúdica na construção.

O coreto de Reidy é uma obra de arte moderna pouco conhecida e admirada pelos cariocas.



Veja a ficha cadastral:
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=1324&iMONU=Coreto%20Estrela







segunda-feira, 24 de maio de 2010

Padre Miguel nome de uma estação de trem ou escola de samba?

                                           

Padre Miguel, nome conhecido por todos os cariocas pela escola de samba, foi o primeiro monumento de gratidão de uma comunidade a um padre.

                                        

Miguel de Santa Maria Mochon, o Padre Miguel nasceu em 1879, foi ordenado sacerdote em 29 de junho de 1908 na Espanha, ficou famoso pelos trabalhos comunitários realizados na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Realengo, por cerca de 40 anos. Foi considerado o maior benemérito da região, após a ter sido desmembrada de Realengo em meados do século 20.

Espanhol da Aldeia de Dilar, na Catalunha, Padre Miguel chegou a Realengo com apenas 19 anos. O físico franzino não impediu que tivesse uma vida intensa em favor dos pobres, semeando escolas, creches e bibliotecas.

O trabalho rendeu prestígio político. Assistente religioso dos Cadetes da antiga Escola Militar do Realengo, conheceu muitos generais. Amigo do Presidente Getúlio Vargas, obteve dele a instalação de um posto da Legião Brasileira de Assistência. O Ministro de Viação e Obras Pública, General Juarez Távora, resolveu dar o nome à Padre Miguel a estação vizinha a de Realengo, já que esse estava estabelecida pelos moradores.

Nomeado em 1910 como primeiro vigário da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Realengo, foi um reformador da Igreja e criador da primeira Escola Regular da Região, estendendo suas viagens de catequização aos engenhos de N. Sra. da Conceição da Pavuna e do Botafogo, pelo chamado "Caminho do Padre".

Segundo aqueles que escreveram a sua biografia, ele paciente e resignado, previu aos 67 anos a sua morte para o dia 19 de março, solenidade de São José, patrono da Igreja, do qual era devotíssimo. No dia, uma multidão, nas primeiras horas, foi até a igreja para saber notícias do Padre, e constataram a sua morte, resultando em grande consternação.

O testamento deixado por Padre Miguel, datado de 7 de março de 1947, doze dias antes da sua morte, era comentado e refletido por todos: “Nasci pobre, vivi pobre e morro pobre; sou um pobre pecador. Ultimamente, devido a minha enfermidade, eu me tornei neurastênico e malcriado; a todos peço perdão; o que recebi gastei com a Igreja e com os pobres”.

Como hábito da época foi sepultado na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, a qual tanto se dedicou.

Após sua morte, pelo Decreto nº 9.314, de agosto de 1948, a praça em frente a Igreja passou a ter a denominação de Praça Padre Miguel.



No ano seguinte, foi inaugurado o monumento, no dia 8 de setembro de 1948, obra do escultor Paulo Mazzuchellicomo um ato de gratidão do povo, para ser reconhecido por todos os moradores da região.

Veja a ficha cadastral:
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=951&iMONU=Padre%20Miguel

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Chafariz da Praça XV - Parte da história da Cidade


As sucessivas transformações urbanas ocorridas ao longo de três séculos em torno do chafariz da Praça XV, de autoria do Mestre Valentim e a persistência dessa construção no espaço urbano, demonstram a importância, inicialmente utilitária, dessa obra muitas vezes relegada e depreciada.

Em 1750 foi construído o primeiro chafariz na Praça XV.

Quando veio para o Brasil o Vice Rei Luis de Vasconcelos, em 1778, tinha em frente ao seu Palácio na Praça XV, um chafariz que era utilizado por escravos, aguadeiros e marinheiros. A cidade não tinha cais, os navios permaneciam ancorados distante da praia e os marinheiros vinham em pequenos barcos e caminhavam até esse chafariz com suas vasilhas.

Em 1789 o Vice Rei, a pretexto de mudar o chafariz do lugar, queixava-se que o mesmo atrapalhava as marchas militares e com a falta de conservação estava em ruína. Assim solicitava à corte autorização para a construção de um outro próximo ao cais para a chegada dos navios, o que foi concretizado em 1789.


                          


 “ Parada Militar do Largo do Paço” de Leandro Joaquim de 1789, retrata o novo chafariz e o novo cais em solenidade com os cavaleiros alinhados.


Anos mais tarde, nesse cais da Praça XV, às quatro horas da tarde do dia 8 de março de 1808, a família real desembarcou. Dom João desceu do navio Príncipe Real e passou para uma galeota e subiu as escadas do cais.

                                

 A aquarela de Richard Bates de 1808, apresenta duas escadas próximas ao chafariz e uma mureta.

Anos se passaram e o cais foi se deteriorando devido às ressacas e ao movimento de carga e descarga dos navios. Há relatos que D. João mandou recuperar, em 1817, a escada de acesso, ajardinar o lugar em painéis contornados por meios-fios de pedra dando impressão das marinhas.


A aquarela de Thomas Ender de 1817 retrata os escravos no entorno do Chafariz, recolhendo água, o cais com assentos e lampiões. Vê-se que a preocupação de D. Luis de Vasconcelos de afastar escravos foi seguida, sem uma bacia para acumular água, com o jorro para distribuição acima da altura dos aguadeiros. Observa-se também um desenho de piso que direciona as linhas para o chafariz.

                           

O registro de 1826, apresenta a movimentação de pessoas no Largo.


                                    

 A tela de Debret, de 1825, mostra que ali ocorria venda de mercadoria, um peitoril a beira mar e a presença de navios ancorados.

 A partir de 1849 já apresenta o transporte de mercadorias e o chafariz afastado e um aqueduto para abastecer os navios.



Com o assoreamento resultante dos detritos da cidade, os navios tiveram que se afastar, mas o chafariz se manteve como fonte de abastecimento através de um aqueduto improvisado, bem representado na aquarela de 1850.

Em 1857 construiu-se o segundo cais, o Cais Pharoux. O antigo piso da praça foi aterrado, elevando-se um metro, dividindo a praça em grandes triângulos, delimitados por granito e tendo centro preenchido por areia. Como o piso subiu, foram aterrados cinco degraus do acesso ao prédio do Paço e três degraus do chafariz diminuindo a dimensão do seu embasamento.

Entre 1859 e 1862 executaram-se novamente obras de reconstrução no cais devido às ressacas que exigiam constantes consertos.

                                           

Em 1865, aparece o chafariz e o piso em todo o largo.


Somente nesta foto de 1861 de Revert Henrique Klumb, aparece uma grande bacia no entorno do Chafariz da Praça XV, com lavadeiras utilizado-o como tanque. Ao lado do seculo XIX.

 

Na foto de 1889, de Georges Leuzinger, parece a praça sem a antiga movimentação e sem a bacia apresentada anteriormente.

                                        
 R. H. Klumbcerca de 1875


O chafariz do Mestre Valentim forneceu água provavelmente até os anos 80,do século XIX, quando o Aqueduto da Lapa tornou-se obsoleto. Este em 1896 foi transformado em viaduto para a circulação de bondes pela Companhia Ferril Carioca, passando o primeiro bonde elétrico a 1 de setembro.

A remodelação da Cidade promovida por Pereira Passos nos anos de 1902/06 também chegou à Praça XV. A foto revela o plantio de árvores e calçamento e o chafariz como um Monumento no meio do largo.



A partir desta data e com da construção posterior do Mercado Municipal e da Estações das Barcas, a Praça XV passa a ter grande movimentação.


A foto de 1928 mostra o chafariz seco, cercado por um gramado no nível da praça.

O cenário da Praça XV mudou novamente quando surgiu o Elevado da Perimetral, a construção de viadutos era sinônimo de crescimento. Essa obra começou no governo do Prefeito Negrão de Lima, impulsionado pelo trânsito de veículos na cidade e pelas transformações com o aparecimento dos arranha-céus.

Outra modificação ocorreu quando foi construido um lago no entorno do chafariz. A foto do arquivo da Fundação Parques e Jardins, mostra o lago e uma passagem de acesso para a porta principal ainda em madeira.


 Foto Jaime Klintowitzm de 24 de agosto de 1972, Arquivo Nacional, Fundo Correio da Manhã

O lago é confirmado pela foto de 1986 que mostra o seu abandono com detritos, no mesmo nível da praça.

                                    Arquivo GMC

De acordo com Olinio Coelho "o espelho dágua foi projeto de "mise-en-valeur, de minha autoria e equipe da então Divisão de Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Guanabara, aprovado pelo IPHAN. Esse projeto recebeu premiação - Hors-Coucours- do IAB, em 1970".

Em 1988 ocorreu outra iniciativa de recuperar o valor histórico do Chafariz do Mestre Valentim. A Prefeitura realizou uma pesquisa arqueológica na busca do antigo cais que foi palco de verdadeiros acontecimentos históricos. Envolveram-se nesse projeto arqueólogos, engenheiros, arquitetos e historiadores para descobrir o píer do antigo cais inaugurado em 1789.

O Jornal O Globo em 1988 noticia a descoberta dos degraus.
                                 
       

A partir desse resgaste, o chafariz passou a ter um novo lago somente na área frontal, a fim de permitir a visualização dos degraus de cantaria originais. Nas escavações observou-se o afloramento do lençol freático, que foi aproveitado para compor com essa exposição, a situação de quando o mar banhava o Chafariz da Praça XV. O trecho restante da área escavada foi gramado permitindo assim a dimensão do que foi o cais criado por Mestre Valentim.

Devido à diferença de nível, foi cercada na face frontal, entre a área escavada e o atual piso da praça o que permanece até hoje para garantir a segurança dos transeuntes. A foto de 1991 mostra o lago em frente ao chafariz.

 

Em 1994 iniciou-se a construção da primeira via subterrânea da Cidade, denominado pelos cariocas de " Mergulhão”. Essa obra visava atravessar a Praça XV num trecho de 200 metros a cerca de 5 metros abaixo do nível da praça e 2,5 metros abaixo do nível do mar, praticamente em frente ao chafariz do Mestre Valentim. Para tanto foram construídas quatro pistas para veículos e os ônibus foram transferidos para a via, onde possuía baia lateral para evitar os congestionamentos. Para acesso de pedestres à via, foi construída uma escadaria principal ao lado do chafariz e outra em frente à estação das barcas.




A foto de abril de 1998, registra ao lado do chafariz, o acesso ao mergulhão e os degraus descobertos em 1988.

 

Em 2016 com as reformas no Túnel Subterrâneo do Mergulhão com a construção do Túnel Marcelo Alencar, o acesso a pedestres e a ventilação existentes desapareceram. O trecho foi aterrado e criado um espaço verde, limitado por uma pequena murada, preservando expostas a antiga murada e os degraus de acesso ao mar.

   


Essa sucessão de fotos deixam claras a importância da obra de Valentim, que superou o uso demasiado da população para se abastecer de água, que deu condições para firmar a cidade, como um porto seguro e que passou a ser um elemento decorativo, com o fim de sua fonte natural e, principalmente, garantiu a esta obra de arte pública, uma referência artística e histórica da Cidade do Rio de Janeiro.




Veja a ficha cadastral:

http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=211&iMONU=Chafariz%20do%20Mestre%20Valentim%20ou%20Chafariz%20da%20Pir%C3%A2mide