domingo, 7 de março de 2021

Elza Osborne a representante das funcionárias públicas.

  

Elza Osborne nasceu em Niterói, se formou em engenharia civil na turma de 1938 da Escola do Largo de São Francisco, onde conheceu seu marido Jones Osborne, com quem sempre teve como companheiro profissional.

Fez concurso e foi admitida na Inspetoria de Águas e Esgotos, que pertencia ao Ministério da Educação. Quando o serviço passou para o âmbito do estado, ela se fez funcionaria da antiga prefeitura.

         A Senhora Elza  além de engenheira, era conhecida como amante das artes, e foi responsável por produziu peças teatrais, publicou livros, incentivou e apoiou iniciativas  que buscava inspiração nos estudos da historia do Brasil, ela dizia “Nada me distrai tanto, que um velho manuscrito sobre o passado brasileiro”. A peça de sua autoria, em colaboração com a advogada Leda Maria Albuquerque, nomeada “Carlota Joaquina”, foi um dos grandes sucessos de Jaime Costa e Heloisa Helena no Teatro Gloria em 1950.


Anúncio da peça de teatro de autoria de Elza Osborn e Leda Maria Albuquerque

Em 1950, Elza Pinho Osborne assumiu o 14º Distrito de Obras da Prefeitura do Distrito Federal, quando conheceu e se encantou com o Teatro Rural dos Estudante, e decidiu criar um Teatro de Arena na Praça dos Estudantes, em Campo Grande, sendo inaugurado em 11 de janeiro de 1958. Nesse teatro foi encenada a peça de Elza, “Zé do Pato” sobre a vida de José de Alencar. Este espetáculos foi levado no Festival de Teatro Amador e recebeu quase todos os primeiros prêmios, uma de suas grandes alegrias como autora teatral de Elza Osborne.

Durante sua gestão no Distrito de Obras, Elza implantou praças ajardinadas, providas de play ground, se dedicou a criar monumento nos bairros. Muitos deles ainda existentes nos bairros de Campo Grande, Santa Cruz e Augusto de Vasconcelos.

 Foram homenageados na sua gestão, Augusto de Vasconcelos, no Largo próximo a estação, Cesário de Melo, Telmo Gonçalves Maia, Mafalda Teixeira de Alvarenga, no largo formado pelas Estradas do Rio do A e Campinho, essas atualmente desaparecidas.

 

  

      Augusto de Vasconcelos                        Cesario de Melo                           Telmo Gonçalves Maia

Artur Azevedo em frente ao teatro em sua homenagem e o grupo de abolicionistas: Francisco de Paula Nei, André Rebouças, Afonso Celso, José do Patrocínio e Joaquim Nabuco.

 

 

    Artur Azevedo                                 Os Abolicionistas

 
              Além desses, instalou a imagem de Santa Sofia, em frente a Igreja de mesmo nome, fez homenagem a Rosaria Trota na praça que a identifica ( desaparecida) e para Filomena Del Cima em frente ao estádio em seu nome.

  
           Santa Sofia                                                                    Filomena Del Cima

Um dos monumentos de grande referência é o “Senhor Quincas”, figura popular, com mais de cem anos de idade que posou para o monumento em comemoração ao septuagenário da Lei Aurea, e representa uma homenagem as religiões de matriz africana na pessoa do Paizinho Preto de Inhoaíba.

 

           Outro homenageado foi Paschoal Carlos Magno, seu monumento foi erguido na Praça dos Estudantes, sobre os auspícios do Teatro Rural de Estudantes, ao diplomata, teatrólogo e líder dos estudantes, com o apoio da Senhora Elza. Este monumento esta desaparecido, mas restou a foto da homenagem.



A Senhora Elza também homeneagou os colegas do serviço público, na pessoa de Franklin Rodrigues da Costa, quando inaugurou seu busto na área ajardinada do viaduto Alim Pedro em 1958. A escolha se deu pela dedicação do mestre de obras. Em 1949, ele sofreu um acidente de carro com o engenheiro Gastão Rangel, que faleceu em decorrência do acidente. O Senhor Franklin voltou ao trabalho ainda se recuperando do acidente,  e sua disponibilidade chamou a atenção da engenheira chefe, sendo ele o representante dos funcionários na homenagem pública de 1958. Não foi encontrada nenhum registro dessa homenagem, somente notícia publicada no Jornal do Brasil em 6 de dezembro de 1958.

Figura  - Notícia publicada sobre o acidente de Franklin Rodrigues da Costa.

Na sua gestão também foram homenageados Ivan de Azenoff, morador de Campo Grande que custeava a Festa da Lavoura, e contribuiu na construção do Teatro de Arena ( projetado por Afonso Reidy), e Álvaro Moreira que ao comemorar os seus setenta anos, foi homenageado pela iniciativa do Grêmio Álvaro Moreira

Na praça João Esberard inaugurou uma cruz de pedra em frente a Igreja Matriz, e na Praça Dom Romualdo instalou uma Fonte Wallace, originária do Centro do Rio de Janeiro que se encontrava em desuso em um depósito da Prefeitura, embelezando as praças.

 
    Praça João Esberard                                                                   Praça Dom Romualdo

Elza Osborne permaneceu como Chefe do 14º distrito de Campo Grande durante oito anos consecutivos, sendo em 1958 destacada para ser a Diretora do Departamento de Parques e Jardins.

 

Imagem: Correio da Manhã 3 de maio de 1958 pág. 83 

No antigo Departamento de Parques, atualmente a Fundação Parques e Jardins, teve como programa a construção de plays grounds nas praças (até hoje presente nos espaços públicos), florir os canteiros, acentuar a poda das árvores e restaurar as antigas estátuas.

Imagem: Diário Carioca 19 de setembro de 1959 pág. 12

 

Imagem: Diário Carioca 15 de abril de 1959 pág. 12

 
 
 Imagem: Bailarina na Praia de Botafogo e em frente ao prédio da Central do Brasil

Em 1962 acumulava o Cargo de Diretora da 4º ( Botafogo) e 5º DC ( Copacabana) e em março de 1966 assumiu como Administradora Regional de Campos Grande, passando a organizar as obras e os eventos da região.

Em 1971, de acordo com O Jornal de 23 de dezembro de 1971, Elza Pinho Osborne foi uma das mulheres brasileiras que mais se destacaram pela integração no processo de desenvolvimento sócio-político e econômico do país, junto de: Maria do Carmo de Abreu Sodré, pelos seus serviços a comunidade; Fernanda Pires da Silva, representando a comunidade luso brasileira; Regina Mello Leitão, jornalista; Zilda Amado Henriques Bremaeker, farmácia; Edilia Coelho Garcis, educação; Madame Campo, beleza; Bella Josef, comunidade israelita; Cristina Ortis, musica; Aristolina Queiros de Almeida, política e Elza Pinho Osborne, representante do serviço publico.


Imagem: Diário de Noticias 19 de julho de 1959

Em 1975, Elza assumiu a Administração Regional de Santa Teresa permanecendo até 1978, completando assim 30 anos de atuação na administração pública.



 Diário de noticias 9 de setembro de 1975  pág. 21

            Elza Osborne foi homenageada em 1958, com uma praça no recanto chamado Rio da Prata em Campo Grande, junto com Mario Valadares. Em 18 de maio de 1993 foi recuperado o Teatro de Arena, onde tudo começou, agora com o nome de Elza Osborne. Esse teatro foi o projeto piloto que deu origem as lonas Culturais no Rio de Janeiro, com o objetivo de promover o desenvolvimento humano através da cultura, mantendo a meta que Elza já difundia nos anos de 1950.