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sexta-feira, 11 de abril de 2014

Manoel Branco Mendes - A homenagem reencontrada.

  • A grata tarefa de resgatar fatos e personagens da nossa história.
     
     Transformações urbanas não são novidades no dia a dia de grandes cidades como o Rio de Janeiro. Justificadas pelo progresso, pelo desenvolvimento e pelo conforto da população muitas vezes resultam em perdas referenciais e afetivas de seus moradores. Nada que um pouco de sensibilidade e persistência não possam, quando possível ou por sorte, resgatar e devolver a seu devido lugar na história dos cariocas. Veja só! 

  •      Em novembro de 2013 o jornal O Globo publicou em sua primeira página a existência de uma “coleção de cabeças” guardadas no depósito da Prefeitura. Todas sem identificação há mais de 20 anos, aguardando algum indício que permitisse seu reconhecimento.
         Com a divulgação das peças, a expectativa municipal era a de que familiares, amigos ou possíveis moradores vizinhos pudessem identificar os homenageados ou fornecer fotos de época que facilitassem seu reconhecimento, permitindo assim, que suas histórias fossem conhecidas.
          E não é que deu certo?
      
  •  Foto do Jornal O Globo publicada em 3/11/13
Eram 6 (seis) cabeças e um busto guardados no depósito da Gerência de Monumentos e Chafarizes sem  qualquer referência sequer de suas respectivas localizações.



No dia seguinte à publicação, um familiar do Sr. Manoel Branco entrou em contato com a redação do jornal, informando que havia reconhecido entre as peças, a que representava seu patriarca. Fotos da inauguração do monumento, em Campo Grande, comprovavam o reconhecimento.

  

 Fotos cedidas pela Sra Theresa Branco, filha de Manoel Branco.

A partir dessa identificação, a Gerência de Monumentos deu início aos contatos com a família para a recuperação do personagem, a reconstituição dos “passos” percorridos pelo monumento e sua reintrodução no cenário carioca.
Com base nas informações obtidas, sabemos agora que a imagem de Manuel Branco foi confeccionada por Miguel Pastor, seu amigo, e instalada sob o Viaduto Prefeito Alim Pedro, em Campo Grande, por volta de 1980. Devido aos inúmeros furtos ocorridos na região, foi recolhida por precaução ao depósito municipal e lá permaneceu até então.


  Molde em argila de Manoel Branco ao lado de Miguel Pastor. Foto cedida pela família Mendes Branco.

A partir da identificação, em 27 de março de 2014, o monumento foi reinaugurado na presença de seus familiares, no canteiro ajardinado da Praça Alim Pedro, recuperando a história e a justa homenagem daquele que, no passado, participou ativamente da formação do bairro de Campo Grande




Agora vamos conhecer Manoel Branco, segundo relato de sua filha Maria Thereza
Manoel Mendes Branco, filho de José Gonçaves Branco e Joaquina Mendes Branco, nasceu em Guimarães, berço da nacionalidade portuguesa, na Província de Minho, em 14 de setembro de 1898, falecendo em Campo Grande - Rj aos 62 anos, vítima de cancer ( 23/11/1960).  
Manoel Banco chegou ao brasil em 1914, para São Cristóvão - Rj, trazendo o seu curso técnico, feito na Escola Industrial, sendo além disso, profundo conhecer pirotécnico ( tradição de família) e de entalhador, que se aperfeiçoou nos estudos realizados.
Morou em São Cristóvão (1 ano) com seus pais e irmãos (8). Gostava de participar de serestas com amigos.
O amor por Campo Grande foi à primeira vista. Aconteceu quando veio trabalhar numa carpintaria e marcenaria na Rua Coronel Agostinho.
Na vinda para Campo Grande, seu pai instalou uma fábrica de fogos na Rua Butiá ( Morrinho do Fogo).
Manoel Branco cumpriu o ultimo desejo de seu pai, pediu que trouxessem um punhado de terra da cidade de Guimarães para a sua  sepultura.
Manoel branco depois de trabalhar 6 anos na marcenaria, abriu seu próprio negócio, uma casa funerária e com artigos religiosos.
Em Campo Grande, conheceu a jovem libanesa, Farides José Audi, filha de um comerciante conhecido na Colônia Síria do Brasil. Ela veio com 1 ano de idade para o Brasil. Os pais da jovem não aprovavem o namoro, por ele não ser patricio. Para acabar com o romance, a filha foi para a Argentina e lá ficou um ano, na ocasião ela estava com 17 anos. Mas os namorados se comunicavam por cartas, com a ajuda da amiga Olinda Ellis. Mas o amor v enceu. O casamento foi contratado, com ela ainda na Argentina. Foi destaque a noticia num jornal local. Casram em 25 de outubro de 1924, na Igreja Nossa Senhora do desterro. Farides foi sua grande companheira e colaboradora durante toda sua existencia.
Com poucos anos de morador de Campo Grande, Manoel Branco tornou-se um dos principais organizadores de festas de grande significação popular, como a de Santo Antonio ( Curva do matoso), Igreja de Sant'Ana ( Capoeiras), etc. Sendo que na Igreja de Cosmos, foi com grande esforço que conseguiu para seu amigo e comprade Comendador Serafim Sofia, a imagem de Santa Sofia, quase desconhecida.
Mesmo em muitos templos do Estado do Rio, sua fama de organizador de monumentais festas religiosas se propagou; em Piraí de Santana, Itacuruça e em Volta Redonda chegou a realizar grandes festividades na Companhia Siderurgica Nacional.
A festa de Nossa senhora de Fatima Peregrina, que empolgou a população de Campo Grande, deve grande parte de seu brilhantissimo ao trabalho de Manoel Branco.  Ele foi o artificie artístico do carrro triunfal e de vários outros serviços que rpestou com inexcedível dedicação e boa vontade.  Fez esculturas dos meninos pastores, carneiros, etc para o carro com Nossa Senhora de Fátima.
Manoel Branco foi um elemento luso estimadissimo em todas as camadas sociais de Campo Grande. Não gostava que alguém falasse mal do Brasil. "Nuca mediu os esforços, no sentido de melhor servir ao lugar e ao povo que escolhera como companheiros. E os campo-grandenses admiravam a sinceridade do lusitano que já era considerado o mais brasileiros dos brasileiros" (Folha Democrática, 20/12/1960).
Manoel Branco foi um grande inentivador nas festividades esportivas, religiosas e culturais onde estiver, sempre presente o seu toque mágico. Foi ele sem duvida alguma, um dos primeiros a organizar coretos e carros alegóricos para os festejos carnavalescos. As sociedades musicias sempre mereceram especial atenção. Já doente, duas bandas de música passaram e tocaram em frente de sua casa, como ultima homenagem ao seu grande incentivador.
Tinha um apurado gosto pela música clássica, chegava a cantar algumas árias de óperas. Ia sempre com a família ao Teatro Municipal e ao Teatro Arthur Azevedo para assistir óperas e balé.
Colaborou muito com o Teatro Rural de Estudantes. O TRE o homenageou com a entrega de um perfil em bronze, feito pelo artista Miguel Pastor.
Quando a juventude de Campo Grande precisou de um espaço para praticar esporte, Manoel Branco não pensou duas vezes, abriu o portão da sua casa. Numambiente de alegria e respeito foi criado o Gremio Manoel branco, organizado pelos professores Alcides Gils, Olavo e Dirceu Magno de Carvalho, Aquiles e outros, sem fins lucrativos. Praticavam volei, basquete, futebol de salão e pingue pongue. O famoso Algodãp frequentava o gremio. O gremio desfrutava campeonatos com clubes da região.
A quadra de seportes, mais tarde, foi emprestada para o seu grande amigo Professos Passos, um dos proprietarios do Colégio Cesario de Melo, até a conclusão da nova sede.
As festas juninas organizadas por Manoel branco em sua residencia eram grandiosas. Os clubes locais temiam a concorrência. ....Era só alegria.
Inaugurou também um pequeno cinema, em Cosmos, onde tinha vários amigos, principalmente portugueses.
Ainda na sua casa encontramos trabalhos belíssimos entalhados na madeira, tocheiros e colunas, usadas nos carros funerários....
Estava sempre presente, colaborando nos eventos em Campo Grande. Surgiu então, uma grande amizade com a engenheira Elza Osborne, chefe do Distrito de Obras. Depois de morto foi homenageado pela Administração Regional de Campo Grande, Dra Elza Osborne, com um busto em bronze, numa Praça Pública, junto ao Viaduto Negrão de Lima .
Doente recebeu a visita do Governador Carlos Lacerda, que o deixou muito alegre.
Transcrito de um jornal local, "Moderno edifício construído, graças ao idealismo de um grande homem, Manoel Branco, constitui a melhor construção já erguida no coração da capital dos subúrbios cariocas."
O Jornal Imprensa Rural, em 21/12/1959...mas a nossa homenagem no setor de atividade industrial, cabe ao Sr. Manoel Branco que nas circunstancias de todos conhecidas ( o avanço da doença), sozinho dotou Campo Grande de um de seus mais modernos edifícios.O sr. Manoel Branco é sem dúvida, o homem do ano."..

... Ao morrer, por iniciativa da amiga Elza Osborne, engenheira e chefe do Distrito de Obras da Prefeitura, a Administração Regional de Campo Grande o homenageou com um busto em bronze, instalado em praça pública, junto ao Viaduto Negrão de Lima, em Campo Grande. E a Câmara de Vereadores concedeu seu nome a uma rua em Vila Nova. Deixou 6 filhos: Walter Branco casado com Maria Helena Caldas Branco; Nilvanda Branco Quinhões casada com- Hugo Garcia Quinhões; Valdir Branco casado com Celia Amieiro; Thereza Audi Branco Serra - Luiz Jose Serra; Eduardo Branco - Maria Alice C. Osório Branco; Elizabeth Souza - Alcides Gils.

Uma homenagem da família. Ao meu ilustre e tão amado pai,
Thereza Audi Branco Serra


Matérias de jornais:
03/11/2013- O mistério das cabeças sem dono http://oglobo.globo.com/rio/o-misterio-das-cabecas-sem-dono-10671210
05/11/2013 - Fim do mistério para uma das cabeças esquecidas em depósito  http://oglobo.globo.com/rio/fim-do-misterio-para-uma-das-cabecas-esquecidas-em-deposito-10687241#ixzz2khsTU43o