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domingo, 30 de dezembro de 2012

O chafariz da Glória.

 
No final do século XVIII, havia dois chafarizes no bairro da Glória, no Rio de Janeiro, erguidos por iniciativa do Marquês do Lavradio, D. Luiz de Almeida Portugal Soares d’Eça Mello Silva Mascarenhas. Eles foram construídos na rua onde, outrora, encontravam-se o cais e o boqueirão da Glória, hoje Rua da Lapa.

  Nicolao Antonio Facchinetti - Atribuído;

 O primeiro é o Chafariz do Caminho da Glória, cujo nome é uma referência ao trajeto que se fazia para chegar à Igreja da Glória. O outro é uma fonte que era conhecida por Pocinho da Glória. O chafariz, que ainda existe, recebia as águas que desciam do Curvelo, atendendo aos moradores e às embarcações que ali chegavam.

O Pocinho, que se situava onde hoje é o Largo da Glória, consistia em uma fonte, cujas quatro carrancas de pedra despejavam água sobre um tanque. Em 1839, essa fonte foi transferida para a Praça José de Alencar, de onde desapareceu, provavelmente com a instalação do chafariz de Val d’Osne que hoje está na Praça Nicarágua.

Chafariz da Glória

O chafariz é uma construção de pedra e cal, com tanque de cantaria (medindo cerca de 1m de altura, para depósito de água), piso de lajões de pedra (para onde vertia a água das quatro bicas), duas pilastras com um entablamento e um frontão curvo. Para referenciar o chafariz, há uma pedra em mármore com esta inscrição em latim:

“ALOISIO ALMEIDAE
MARCHIONI LAURADIENSI
BRASILIAE PROREGI
FRAENATIS AESTUANTIS MARIS INCURSBIBUS
 INGENTI CONSTRUCTO MURO
CONCILI REDDITIBUS ET DIGNITATE AUCTIC
PUBLICI REPARATIS AEDIFICIIS
AGGERIBUS  PERRUPTIS COMPLANATIS ITINERIBUS
COMMODIORIBUS EFFECTIS
RENOVATA URBE
SERVATORI SUO
SENATUS ET POPUCUS QUE SEBASTIANOPOLITANUS
P.
M D C C L XXII”



A tradução é do desembargador Vieira Ferreira: Ao seu conservador, Luiz de Almeida, Marquês de Lavradio, que refreou as inundações do mar, construindo um grande muro, aumentou as rendas e dignidade do Conselho, restaurou os edifícios públicos, cortou os outeiros, igualou, tornou mais cômodas as ruas, renovou a cidade, o Senado e o povo do Rio de Janeiro; ergueu em 1772”
Em 1905, o Prefeito Pereira Passos fez algumas alterações, acrescentando na parte superior um outro muro, sem atingir o primitivo, para esconder o aqueduto e o telhado da casa da guarda, visto sua pequena altura.


                           
                              Correia Magalhães



Há informações de que eram oito as bicas – duas de cada lado dos tanques das pilastras, uma de cada lado dos tanques laterais e duas no tanque central. O fundo do corpo central era de ladrilho, que aparece no desenho acima entre a caixa de pedra e a lápide de mármore, tendo ao centro uma jardineira em forma de concha, que já não existem mais.

Em 1906, Pereira Passos acrescentou mais um muro na parte posterior do chafariz, em toda a sua extensão de arco, também para esconder o aqueduto e o telhado da casa da guarda.  Esse novo muro arrematou o primitivo. Sobre as portas, dois óculos de forma retangular, com grades de ferro, ventilavam o interior da construção, mas eles não fazem mais parte do conjunto.


Não disponho de informações sobre alterações posteriores na construção, nem sobre a transferência de uso, de casa da guarda para uma subestação de bombeamento de água da Companhia Estadual de Abastecimento de Águas e Esgotos. O uso do espaço interno pela CEDAE já estava estabelecido há muitos anos.


No final do século XX, foram iniciadas as discussões sobre a manutenção desse chafariz, visto que inúmeros outros eram mantidos pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. O tombamento pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) garantiu a sua preservação, mas a conservação ficou a cargo da CEDAE.

  1998

Em várias ocasiões, a prefeitura foi acionada como responsável pela a limpeza e conservação  do chafariz, apesar de a propriedade e o uso serem do Governo do Estado.

Em 2005, em uma iniciativa da empresa vizinha Technip Engenharia, o chafariz foi restaurado, sob supervisão do IPHAN. Contudo, as ações de vandalismo se acirraram, danificando a peça sistematicamente.



                                       2009


  2011

Finalmente, em 2010, após inúmeras ações para manter a integridade do monumento, surgiu a proposta da execução de nova restauração a cargo do IPHAN, com a retirada dos equipamentos hidráulicos e elétricos e a construção de uma nova subestação por parte da CEDAE, desocupando o imóvel, que passou para as mãos da prefeitura através de um termo de cessão de uso, de modo a ocupar e garantir a sua preservação. Com todas as etapas vencidas, em outubro de 2012, uma nova restauração do Chafariz da Glória foi concretizada e a antiga casa da guarda passou a ser um local da equipe operacional da prefeitura.


 

 




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