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domingo, 3 de julho de 2011

As obras francesas de mármore do inicio do século XX no Rio de Janeiro

O início do século XX no Rio de Janeiro é marcado por inúmeras transformações na cidade. Entre aberturas de grandes vias, implantação de canteiros ajardinados e arborização, surgiu espaço para as obras de arte como incremento da urbanização. Desta vez, dedico-me a falar das requintadas esculturas francesas de mármore carrara que estão em nossas ruas e que são muito representativas do grande valor de nossas obras públicas.

Um conjunto de peças que chama atenção é o do artista François Auguste Hippolyte Peyrol (1856-1929), filho de Hippolyte Peyrol, um dos mais célebres pintores franceses da época. François montou sua própria fundição, para manter a qualidade do seu trabalho, sendo um dos melhores escultores da sua geração. Diversas peças em bronze de sua autoria são disputadas até hoje nos leilões internacionais. O Rio de Janeiro, contudo, possui trabalhos seus em mármore carrara, em tamanho natural: as esculturas “Leoa à Procura” e “Leoa à Espreita”, inauguradas em 1906 e hoje dispostas na Praça Paris, na Glória.

 

A escultura “O Homem Derrota a Leoa”, também criada por François Auguste Hippolyte Peyrol, encontra-se no Parque da Catacumba, em frente à Lagoa Rodrigues de Freitas.

  

Também é de Peyrol o “Leão” que está na Avenida Edson Passos, no Alto da Boa Vista, originalmente instalado na Praça Marechal Floriano, no Centro


No Jardim de Alá, encontramos a peça “Proteção”, também de Peyrol.

 


Do mesmo ano de 1906, temos a escultura “Crepúsculo”, de Henri Weigele, que está nos jardins da Praia de Botafogo. Weigele nasceu em 20 de setembro de 1858 na cidade francesa de Schlierbach, na região de Haut-Rhin, perto da fronteira com a Suíça. Ele viveu e trabalhou em Paris, onde teve aulas com Jules Franchesi e desenvolveu uma reputação considerável trabalhando em bronze e mármore, tendo produzido obras figurativas de temas alegóricos e clássicos. Seu trabalho foi exibido no Salão de Paris em 1893, onde recebeu uma menção honrosa. Em 1902, Weigele se tornou um membro do Salon des Artistes Français. Em 1907, foi premiado com uma medalha de terceira classe, para dois anos depois receber uma de segunda classe. Suas peças de mármore com temas clássicos foram muito procuradas, como sua “Mulher Ateniense”, agora na coleção da Galeria de Arte Walker, em Liverpool, na Inglaterra. Entretanto, ele também foi um escultor de renome em bronze. Weigele morreu em Neuilly-sur-Seine, em 1927. Seus trabalhos podem também ser encontrados em Paris.


A “Poesia em Ruínas”, de Jean-Marie Joseph Magrou, inaugurada em 1910, é outra escultura francesa de mármore a embelezar o espaço público carioca. Ela está no canteiro central da Praia de Botafogo, em frente ao prédio do Centro Empresarial Rio. Magrou estudou no Lycée Henri IV e era muito interessado em mitologia. Sua paixão pela escultura foi despertada cedo. Em 1898, casou-se com Jeanne Rixens, sobrinha do pintor André Rixens (1846-1925). É autor de diversos monumentos. Magrou recebeu ordens do Estado do Jubileu de Louis Pasteur e da Sorbonne, tendo sido professor de escultura e desenho nessa prestigiada universidade francesa. Em 1907, participou da “Educação Cooperativa” criada por Marie Curie. Em 1931, publicou o livro “A Escultura e Beleza na Grécia Antiga.

 Outro conjunto que se destaca na cidade do Rio de Janeiro são as obras presentes no Campo de Santana. A escultura do “Pescador Napolitano”, por exemplo, situada em um lago do parque, é obra de François Rude (1784-1855). O artista nasceu em Dijon, na França, e trabalhou no negócio de seu pai até os 16 anos, recebendo ao mesmo tempo treinamento em desenho de François Devosges. Depois, matriculou-se na Escola Real de Desenho de Dijon e dali transferiu-se para Paris, em 1809, onde estudou com Pierre Cartellier. Em 1812, Rude recebeu o Prêmio de Roma. Seus maiores sucessos vieram após 1833, quando ele recebeu a cruz da Legião de Honra por sua estátua “Jovem Pescador Napolitano Brincando com uma Tartaruga”, original de 46cm x 61cm. A partir de então, Rude foi procurado para executar frisos e outros trabalhos para o Arco do Triunfo em Paris, conjunto conhecido como “A Marselhesa”, obra cheia de energia e movimento que imortalizou seu nome.
 

Também no Campo de Santana, temos as esculturas “Primavera” e “Outono” – de Gustave Frédéric Michel (1851-1924) – e “Verão” e “Inverno” – de Paul Jean Baptiste Gasg. Michel foi um dos mais famosos escultores franceses das primeiras décadas do século XX, embora hoje seja praticamente desconhecido. Pouco se sabe também sobre Gasg.

 


Finalizando, o Verão e o Inverno são de Paul Jean Baptista Gasg.

 

Por fim, temos a escultura da “Bailarina”, de Paul Darbefeuille (1855- 1930), fundida originalmente em ferro fundido no Val D’Osne, mas presente no Rio de Janeiro em mármore carrara. Dentre todas as peças aqui mencionadas, esta foi a que mais “passeou” pela cidade. Há registros de que ela fora inicialmente instalada na Praia de Botafogo, em 1908. Fotografias de 1954 a mostram no Jardim do Méier. Em 1960, ela estava na Avenida Presidente Vargas, em frente à Central do Brasil. Em 1992, a peça foi encontrada no Largo do Tanque, em Jacarepaguá, tendo sido transferida em janeiro de 1996 para a Praça Leony Mesquita, no mesmo bairro, onde permanece até hoje.
                                             
          Na Avenida Presidente Vargas
 No Jardim do Meier

 No Largo do Tanque

 Na Praça Leony Mesquita

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