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domingo, 8 de maio de 2011

O terraço da Quinta da Boa Vista

Em 1808, quando a corte portuguesa de D. João VI chegou ao Rio de Janeiro, houve grandes dificuldades de se encontrar hospedagem para a família real, devido à precariedade das construções aqui existentes. Diante disso, o rei tomou posse de um palacete que existia na chácara da Quinta da Boa Vista. Em 1810, com a corte já instalada, foram executadas obras no palácio, por conta dos preparativos para o casamento de D. Pedro, príncipe de Portugal, com Maria Leopoldina. Assim se inicia a historia do terraço da Quinta da Boa Vista.

Na ocasião, preparou-se uma grande esplanada em frente ao palácio, onde se instalou o Portão da Coroa. Esse portão, segundo consta, foi presente do duque de Nothumberland a D. João VI. Tratava-se de uma cópia do portão da Sion House de Londres, tendo sido construído pela firma inglesa Coadi & Sfaiy. O portão embarcou da Inglaterra para o Brasil em 1813, acompanhado de operários para instalar a estrutura na Quinta da Boa Vista tal qual a existente na Inglaterra.

                                 



Mais tarde, D. Pedro I preocupou-se com o embelezamento do parque, determinando o plantio de grande número de árvores e palmeiras ao longo do terraço. Uma imagem de 1865 mostra o terraço ainda sem tratamento paisagístico, evidenciando a esplanada, com palmeiras alinhadas.

                                    
Imagem: Camillo Vedani, de 1865, que faz parte do acervo do Instituto Moreira Sales

Em 1869, o segundo imperador, D. Pedro II, trouxe ao Brasil o paisagista francês Auguste François Marie Glaziou, para executar novas obras. Na Quinta da Boa Vista, residência da família real desde 1808, Glaziou reformou os jardins e implantou o atual traçado do parque, inaugurado em 1878.

O traçado de Glaziou foi concebido no estilo romântico, em que predominam as curvas, com lagos, pontes, elevações e depressões, além de gruta e cascatas. Nesse período, foram construídos os lagos, arborizados alguns pontos, aformoseados outros e abertas alamedas – como a das sapucaias, que liga o portão principal ao palácio.


Com a proclamação da república em 1889, o palácio da Quinta sofreu diversas modificações internas para a instalação da Constituinte e, mais tarde, do Museu Nacional.

Quase vinte anos depois, o trabalho de Glaziou já se encontrava quase totalmente aniquilado, sem qualquer conservação. Então, mediante acordo estabelecido entre o Ministério de Aviação e Obras Públicas e a Prefeitura do Distrito Federal, o prefeito Serzedelo Correa encarregou a Inspetoria de Matas e Jardins da execução dos trabalhos de embelezamento, remodelação e saneamento do parque, em 1º de setembro de 1909, segundo o projeto elaborado pela instituição.

Os trabalhos no parque começaram em janeiro de 1910. O primeiro ato foi a transferência do Portão da Coroa para os fundos da Quinta, onde posteriormente foi instalado o Jardim Zoológico da Cidade.




Na antiga esplanada em frente ao palácio, foi construído um muro nivelando o terreno, dando lugar ao terraço, para vislumbrar a vista de todo o parque.

                                            Museu Nacional

Em menos de um ano, foram concluídas as obras de reforma da Quinta da Boa Vista. No dia 12 de outubro de 1910, foi inaugurado o novo parque. Ao longo dessas obras, também foram feitas diversas benfeitorias. Contudo, a principal realização foi a implantação do jardim em frente ao Museu Nacional, que modificou a ambiência do prédio. Esse jardim de traçado francês, retilíneo e modulado, contrasta com todo o parque, cujo traçado é romântico.


Duas escadarias laterais de gnaisse permitem o acesso ao terraço. Em um primeiro plano, todo o piso é revestido em ladrilho hidráulico. Em toda sua extensão, ele é protegido por um guarda-corpo que intercala vasos e luminárias. Dois grandes vasos decoram a entrada do terraço.



 Quatro esculturas de mármore de Carrara foram instaladas nos canteiros ajardinados. No central, está o busto de Nilo Peçanha, presidente do Brasil na época.

                                     


Vinte e seis anos após essa reforma, o parque recebeu o Tombamento Nacional, no dia 30 de junho de 1938. Foi inscrito no Livro Histórico volume 1, com inscrição 68, e no Livro Belas-Artes, volume 1, inscrição 154.

Várias intervenções ocorreram nas espécies plantadas no jardim. E a retirada das esculturas de mármore deixaram uma lacuna no terraço.



Em 1992, as estátuas que representavam os continentes – Europa, África, Ásia e América – foram retiradas do parque e guardadas no depósito da Prefeitura, devido ao vandalismo. Em 1996, elas foram transferidas para o interior do Museu Nacional, com o objetivo de serem contempladas e preservadas.

 1993

1993

                                                    1987

Em 1996, em uma iniciativa do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, com o objetivo de reverenciar vultos expressivos da trajetória do país, no ano de comemoração dos 200 anos do nascimento da primeira imperatriz, esposa do príncipe D. Pedro, foi solicitada a instalação de uma estátua da imperatriz Leopoldina no jardim do terraço, no local onde inicialmente estava o busto de Nilo Peçanha, que agora está na alameda das sapucaias.

Assim, atendendo ao pleito, no dia 18 de março de 1997, foi inaugurado um monumento criado pelo escultor Edgar Duvivier, reproduzindo a figura de D. Leopoldina acompanhada de seus filhos: a primogênita D. Maria da Glória, que viria a ser rainha de Portugal, e o caçula no colo, aquele que sucederia seu pai como imperador D. Pedro II.


                                    

Às vésperas da comemoração da reforma realizada por Nilo Peçanha, em 12 de outubro de 2010, o terraço da Quinta da Boa Vista será restaurado, recuperando assim o valor histórico e artístico desse importante parque histórico da cidade.


Incluído em outubro de 2012 o vídeo da restauração do terraço:
http://www.youtube.com/watch?v=rby2ohaTvus&list=UUi-xnu-MrwnbKx5TnpKfwSQ&index=1&feature=plcp



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