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domingo, 24 de abril de 2011

Os marcos do Rio de Janeiro



A cidade do Rio de Janeiro conta com vários marcos que resgatam sua historia, em torno de 127 catalogados no inventario de 2017. Segundo o dicionário Aurélio, marco é um sinal de demarcação, ordinariamente de pedra ou granito, que se põe nos limites territoriais, ou ainda uma coluna, pirâmide, cilindro etc. em granito ou mármore, para assinalar um local ou acontecimento.

Acredito que os mais antigos sejam os marcos imperiais de Santa Cruz. Tem-se informação de que eram douze e que foram instalados em 1827, ao longo da Estrada Real de Santa Cruz (antigo Caminho dos Jesuítas). Eram utilizados para fixar a distância – em léguas – do trajeto percorrido pela Família Imperial entre o Paço Imperial, no Centro, e Santa Cruz. Esses marcos em cantaria possuem um corpo prismático de base quadrada, encimados por uma pirâmide. Hoje se conhecem os de número 6, 7, 9, 10 e 11.

Endereços dos marcos imperiais:
Marco 6: Avenida Santa Cruz 3408
Marco 7: Avenida Santa Cruz 8670
Marco 9: Avenida Cesario de Melo 6460
Marco 10: Avenida Cesario de Melo 1426
Marco 11: Rua Felipe Cardoso 465

Desse mesmo grupo existem dois que são os marcos divisórios da Fazenda Imperial. O primeiro era na Avenida Cesário de Melo, próximo ao km 34, mas hoje está na Praça Ruão, em frente ao Regimento Vilagran Cabrita, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O segundo marco deste grupo está nos fundos do lote da Rua Damolândia, em Pedra de Guaratiba, também na Zona Oeste.

O Marco 11, localizado na largo entre a Avenida Felipe Cardoso e a Avenida Isabel, no bairro de Santa Cruz.

 


 Marco divisório da Fazenda Imperial de Santa Cruz – Praça Ruão

Estes marcos são os únicos na cidade do Rio de Janeiro com tombamento nacional. Estão sob as inscrições nº 4, no Livro Histórico Volume 1, e nº18, no Livro Belas Artes Volume 1, de 05/04/1938.

Espalhados pela cidade há inúmeros marcos rodoviários, os quais ainda não foram completamente inventariados. Estão, principalmente, na Zona Oeste, sobretudo nos bairros de Santa Cruz e Campo Grande, e nas estradas que cortam a Floresta da Tijuca. São do início dos anos 1930 e têm forma de lápide. Em sua face frontal, esses marcos trazem a indicação “ERF” (Estrada de Rodagem Federal) e informam a distância em quilômetros dali até o Centro. Na face posterior, há a inscrição “DF” (Distrito Federal), pois esses marcos são do tempo em que o Rio de Janeiro era a capital do país. Já as faces esquerda e direita registram a distância de duas localidades próximas.


Marcos das benfeitorias feitas na cidade sempre são instalados quando de sua inauguração e poucos resistem ao tempo.

Na Praça Dom João Esberard, em Campo Grande, um desses marcos resiste desde 1919, em referência à instalação da iluminação elétrica no bairro. A inscrição em mármore diz:

“Ao Prefeito Paulo de Frontim
O Povo de Campo Grande
Agradecido
Illuminaçáo Electrica
9-IV-1919”



Até pela sua própria natureza, os marcos são até hoje tomados como pontos de referência na cidade. Nessa mesma praça, por exemplo, há algo muito interessante: uma das primeiras indicações do nome de um logradouro. Pela sua raridade, está incluído nesta lista.



Verdadeiro monumento da art déco é o marco do saneamento do rio Guandu, em Santa Cruz, próximo à Ponte dos Jesuítas. Sua placa traz a seguinte inscrição:

“Obras de saneamento executadas pelo DNSP
Na Fazenda Nacional de Santa Cruz – Distrito Federal.
Iniciadas em 1928 durante a presidência do Dr. Washington Luis
e concluídas em 1933, na administração do Dr. Getulio Vargas 
 Chefe do governo provisório”
 


Outro marco sobrevivente do Rio de Janeiro está na Praça Washington Luis, em Sepetiba, também na Zona Oeste. Datado de 15 de novembro de 1949, ele se refere à iluminação da localidade e à construção da rede distribuidora. Uma placa registra a intenção do marco:
“Ao Prefeito do Povo
General Ângelo Mendes de Moraes
Ao Povo de Sepetiba – 30/07/1949
Pela instalação de luz elétrica”

           

Na Praça Edmundo Rego, no bairro do Grajaú, Zona Norte do Rio, existe outra relíquia, esta de 1935: um marco de inauguração da praça, com a relação dos executores da obra, em uma bela placa de bronze.

                     

Fatos históricos do país também estão referenciados em marcos. Na Praia Vermelha, Zona Sul da cidade, em novembro de 1964, foi implantado um grande bloco em granito com uma placa com o seguinte texto:
“Neste local e noutros pontos do país,
militares brasileiros fiéis
às instituições democráticas resistiram
à insurreição comunista de novembro de 1935".



Em Copacabana, na Avenida Atlântica, próximo ao posto 6, há um outro grande bloco determinando um marco. Inaugurado no dia 14 de março de 1971, ele registra a conclusão das obras de alargamento e urbanização da praia de Copacabana e a implantação do interceptor oceânico de esgoto sanitário da Zona Sul.

                                

Os marcos também deixam sua contribuição como homenagens às personalidades históricas. Este, na pista central do Parque do Flamengo, próximo ao Monumento aos Mortos na Segunda Guerra, reverencia o Infante Dom Henrique:
“1460 - 1960
Avenida Infante Dom Henrique
Homenagem do Brasil no VII
Centenário”


Recentemente, nos festejos da presença japonesa no Brasil, em 2008, foi instalado um marco comemorativo com os dizeres “Terra da Esperança” na Praça Arnaldo de Moraes, na Lagoa Rodrigo de Freitas, deixando a simbologia daquele momento na história da cidade.


Em uma cidade repleta de histórias e referências, como é o Rio de Janeiro, muitos marcos ainda precisam ser descobertos e relacionados como patrimônios históricos e culturais. Um fato que evidencia essa necessidade de pesquisa é a descoberta recente, em abril de 2011, do marco divisório do antigo Distrito Federal, atual município do Rio de Janeiro, erigido em 1929 na Serra do Mendanha, na Estrada do Marapicu, próximo à localidade chamada de Serrinha, em Campo Grande.

 

Vários marcos estão presentes no Parque Nacional da Tijuca este abaixo da  inauguração da Estrada da Pedra Bonita .



Outro marco importante é um Tributo de gratidão que esta no Alto da Boa Vista , na Avenida Edson Passos.  Trata-se de uma placa em mármore escrita em baixo relevo, tem o seguinte texto:
                     Tributo de gratidão 
Ao incansável zelo do Luiz Pereira couto Ferraz
Em promover o desenvolvimento em agradecimento da Tijuca 
Engenheiro o Shr Cap. Antonio Pedro Monteiro de Drumond
Obra o Shr. Henrique Clark - 1857

 


No Campo de Marte, em Realengo o marco faz referencia ao Levante de 1922. A placa tem a inscrição: 5 de julho de 1922. " Daqui partimos de armas na mão, pensando no Brasil." Escola Militar de Realengo.





Em março de 2012, através da Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Publicos da Cidade do Rio de Janeiro, os marcos imperiais da Estrada de Santa Cruz, foram revitalizados. Veja o video: http://www.youtube.com/watch?v=007V5-DFUiM&list=UUi-xnu-MrwnbKx5TnpKfwSQ&index=1&feature=plcp
Incluido em 20 de março de 2012





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