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domingo, 3 de abril de 2011

Monumento a General Osório na Praça XV de Novembro, o primeiro do Brasil República

No dia 12 de novembro de 1894, dois anos depois da Proclamação da Republica no Brasil, foi inaugurado o Monumento ao General Osório na atual Praça XV de Novembro, no centro do Rio de Janeiro, reconhecendo, assim, a importância militar da Tríplice Aliança, acordo que unira Brasil, Argentina e Uruguai contra seu inimigo comum na Guerra do Paraguai (1864-1870), levando o trio de aliados à vitória. Tal aliança havia sido pouco valorizada pelo Império.






Foi em 1887 que o escultor Rodolfo Bernardelli recebeu a encomenda de criar uma estátua em homenagem ao general Manuel Luís Osório (1808-1879), militar que organizou e comandou as vitoriosas tropas brasileiras que invadiram o Paraguai durante a guerra. Mas foi somente em 1890 que o artista enviou o modelo da obra a Paris – isto é, após a proclamação da república – para ser fundida nas oficinas Thibaut, com o bronze dos canhões tomados do inimigo.


Quando de sua morte, em1879, o corpo de Osório havia sido embalsamado e levado para o Asilo dos Inválidos da Pátria, na Ilha do Bom Jesus, Baía de Guanabara. Porém, durante a construção da obra de Bernardelli, os restos mortais do militar foram transferidos de lá e depositados em uma urna nos alicerces do monumento.

As fotos mostram que, inicialmente, os canhões e espadas do monumento eram cercados por peças de madeira, não pelo gradil que foi adicionado mais tarde




Nas fotos de uma posterior festividade, nota-se a instalação das quatro pilastras de gnaisse nos limites do monumento.

                                      


Nesta foto de 1894, em que Bernardelli aparece retocando um dos painéis do monumento, já é possível verificar a presença do gradil que temos atualmente. 



                                                
Rodolfo Bernardelli no Monumento a General Osório , 1894. Registro fotográfico de Fernanda Mayrink/Agência JB.



Repare que a estátua de Osório está sem as botas de montaria. A estranheza acentua-se quando se verifica que na maquete modelada, que se encontra no Museu Histórico Nacional, ela aparece com as botas.

                                           


Este relato do professor Meneses de Oliveira, diretor da Seção Histórica do Museu Histórico Nacional, explica a divergência:

“Henrique Bernardelli, irmão do escultor, contou-nos toda história e pediu que fôssemos o cruzado da sua divulgação. Não foi engano de Rodolfo Bernardelli. Ele estudou tudo o que um escultor estuda para fazer um monumento daquele tipo: indumentária militar, ambiente histórico etc. E fez o que era certo. Vestiu o general Osório com o segundo uniforme, do qual fazem parte as botas. Quando a maquete ficou pronta, convidou a filha do homenageado, D. Manuela Luiz Osório Mascarenhas, e ela ao visitar o atelier, vendo o modelo, ela se dirigiu ao escultor e declarou – Está muito bonito. Mas é interessante que meu pai esteja com botas, quando desde 1866, ele não as pode mais usar até o resto da vida.


A pergunta de Bernardelli, ela esclareceu: - Choveu torrencialmente enquanto se desenvolvia a batalha do Passo da Pátria, na qual meu pai esteve combatendo durante 24 horas. Quando transpôs o rio, as botas estavam encharcadas e não podia tirá-las, observando que as pernas estavam inchadas. Ordenou ao seu bagageiro que lhe cortasse as botas a faca, o que foi feito. Voltando a combater, já no final dessa batalha lutou meu pai sem botas. Mais tarde, sob tratamento na cidade de Pelotas, o médico sugeriu a aplicação de uma ducha em cada perna, do que resultaram duas feridas de mau caráter, que não cicatrizaram.


Ante o que expusera a filha do Osório, Rodolfo Bernardelli resolveu fundir o monumento sem botas, inspirado no propósito de realçar, perante as gerações, o sacrifício do grande general. No dia da inauguração da estátua, Bernardelli foi acoimado de ignorante e a poucos pode explicar a razão daquela aparente lacuna do seu trabalho. Deixou em testemunho no Museu Maquete pedindo-me a seu irmão Henrique que encontrasse o caso aos colegiais que visitam o Museu. E assim o tenho feito.” (trecho extraído de: Monumentos da Cidade, Diário de Notícias, 1946)

Nesse monumento, impressionam os painéis fundidos em bronze, nas laterais do pedestal, retratando da guerra que expressam as violentas batalhas vividas pelo general.


Em 1903, quando a Praça XV de Novembro recebeu um tratamento paisagístico, o Monumento ao General Osório ganhou sua esplanada.

 


No dia 19 de novembro de 1993, Dia da Bandeira, foi realizada a exumação de Osório, cujos despojos foram transferidos do monumento para o Parque Histórico Marechal Manoel Luís Osório, no município de Tramandaí-RS, local onde se encontra preservada a casa simples em que o militar nasceu, em 10 de maio de 1808.

Durante a exumação no monumento, foram encontrados fragmentos em decomposição de uniforme militar, bordados, botas, dragonas, franjas, botões dourados, um par de esporas, uma espada de serviço de oficial general e as seguintes medalhas e condecorações militares: Medalha da Campanha do Uruguai e de Buenos Aires (1852), Medalha da Campanha do Uruguai (1865), Medalha da Campanha do Paraguai (1870) com passador de ouro número 4, Placa de Grã Cruz da Ordem do Cruzeiro do Sul, Medalhão pendente da faixa de Grã Cruz da Ordem do Cruzeiro do Sul, Medalha de Oficial da Ordem da Rosa, Placa de Grã Cruz da Ordem da Rosa, Placa de Grã Cruz da Ordem de Cristo, duas medalhas da Ordem de Aviz (Cavaleiro ou Oficial), medalha pendente da faixa de Grã Cruz da Ordem de Aviz e Placa de Grã Cruz da Ordem de Aviz.

O sabre de serviço que acompanhou Osório a seu túmulo encontra-se hoje exposto no Parque Osório.


Esta foto mostra que, nos anos 1970, parte do gradil havia desaparecido.


De 1994 até os dias de hoje, o monumento vem sendo dilapidado, mas ele passará agora por um processo de restauração. O registro fotográfico dos danos documentará as perdas sofridas, que serão agora compensadas.


                               


Perda da espada



Letras e flores em bronze com dizeres do monumento



Pontas das espadas em bronze



Portão de acesso ao pátio do monumento



As balas dos canhões



Grande parte das folhagens do gradil estão quebradas





Comentário: Em outubro de 2011, foi incluído um video da restauração do monumento.
Veja:
https://www.youtube.com/watch?v=dzxFsJyY55g


Em maio de 2014 o monumento sofreu grande perdas que deixo registrado  no relatório a seguir.


Relatório dos furtos no Monumento ao General  Osório da Praça XV de Novembro.

1.      Em 15 de novembro de 2011 o monumento foi reinaugurado com a reposição de todas as peças em bronze faltantes, através de contrato de obra especifico para essa restauração.

2.      Em 9 de abril de 2012 foi realizado registro na 1ºDP, após a constatação do furto do portão de bronze, a espada e uma placa de bronze comemorativa.

3.      Em 4 de setembro de 2012 foi registrado o furto das bolas do canhão em bronze, na 1º DP.

4.      Em 07 de novembro de 2012 foi encaminhado imagens de pichadores com imagens do Centro de Operações da Prefeitura  a 4º DP.

Registro dos furtos do mês de maio de 2014

-  No dia 5 de maio de 2014 foi constatada a perda de parte do gradil com a furto  de 6 metros do gradil. Como 2 canhões eram recolhido pelo Paço Imperial, foram furtados 4 canhões e 5 metros do gradil do lado direito do Monumento.

-      No dia 8 de maio de 2014 em nova vistoria permanecia a mesma situação, com o furto de parte do gradil do lado direito.


-   No dia 13 de maio de 2014, se verificou a perda de todo gradil do lado esquerdo , com o furto de 9 canhões e grade e mais 2 canhões e gradil do lado direito, restando deste lado somente 1 canhão e cerca de 1 metro da grade.


 


Neste mesmo dia foi realizado o registro de ocorrencia na 1º DP que no mesmo dia realizou pericia no local, bem como abriu um inquerito. Registro nº 004-03559/2014.

No final de semana seguinte, entre os dias 16 e 19 de maio foram furtados mais 6 canhões e gradil da parte frontal do monumento. No mesmo dia foi envio oficio a delegacia,  registro um aditamento ao processo para as providencias.



No dia seguinte foi furtado mais um canhão e  um trecho da grade da parte frontal e outro trecho do gradil foram furtados e novamente foi registrado na 1ºDP o furto das peças acrescendo o processo inicial.





No dia 21 de maio novamente  outro canhão lateral foi furtado acrescendo a lista de peça e furtos registrados.


No dia 22 de maio por ordem superior foram removidas todas as peças restantes, contudo foi alertado o risco de outras peças serem perdidas, porque os sucessivos furtos não haviam sido apurados.




 

Posteriormente, para garantir os paineis de bronze de Rodolfo  Bernadelli  foram  executados os moldes das peças, não encontrados no Museu Naciobal de Belas Artes.

   


No dia 03 de junho de 2014  foi entregue a 4º DP,  imagens do Centro de Operações da Prefeitura,  a fim de contribuir nas investigações.