quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O Relógio da Carioca, um antigo lampadário.


O Largo da Carioca é assim conhecido desde 1723, quando o vice-governador Ayres de Saldanha mandou construir um chafariz próximo à ladeira que levava ao convento de Santo Antônio. Era o Chafariz da Carioca. O largo tomou, desde então, o nome do chafariz, que assim era chamado porque distribuía água captada do Rio Carioca. O sítio onde hoje se encontra era uma lagoa com o nome de Santo Antônio, antes mesmo de começar a ser construído, em 1608, o Convento de Santo Antônio.

O primeiro equipamento urbano ali instalado foi de iluminação, de acordo com a foto de 1890, definindo a centralidade do espaço.

                               

Mais tarde, provavelmente com a presença do paisagista francês Auguste François Marie Glaziou no Rio de Janeiro para reformar e implantar várias áreas da cidade, o largo recebeu um novo paisagismo. Não obtive informações desse período; contudo, fotos comprovam que existiu uma outra peça no centro do jardim, até hoje não identificada imagem Carlos Santos

Após a abertura da Avenida Central, atual Av. Rio Branco, foi instalado o primeiro lampadário decorativo da cidade, na Lapa, criado por Rodolfo Bernadelli em 1906, feito em cantaria e bronze. Em 1909, o Largo da Carioca foi o segundo local a ganhar esse tipo de iluminação publica especial, composta por peças ornamentais – neste caso, em ferro fundido realizado no Brasil.

O monumento é composto de uma base de cantaria circular, que sustenta um conjunto alegórico formado por outra base circular em ferro fundido, onde se apoiam três sereias aladas a representar o comércio, a indústria e a navegação.


 Data e o simbolo da cidade


 Navegação
 Industria
  Comércio

Sobre as alegorias, há o poste onde havia três luminárias superiores e três inferiores compondo o conjunto.

1910, da Biblioteca do Congresso americano.


 1914

 1930, Klerman Wanderley Lopes

 Museu da Imagem e do Som

Em 1947, na gestão do prefeito Mendes de Morais, o lampadário recebeu uma adaptação, sendo removidas as luminárias superiores e instalado o relógio.

1955

As três luminárias de cobre inferiores foram mantidas. Na base circular, foi instalada a máquina do relógio.

 

O relógio tem quatro faces quadradas, da marca Norma. Em cada face há um fundo circular, onde estão os números e ponteiros em ferro fundido e moldura de vidro. Finalizando a caixa, há uma pequena ponteira de ferro.

O Largo da Carioca sofreu inúmeras transformações urbanas, mas uma peça decorativa sempre fez parte da sua história. Em 1979, quando o largo sofreu sua maior intervenção, para a construção da estação do metrô, o relógio foi desmontado e guardado.
           
                                  

Em 1983, ao ser tombado pelo INEPAC (Instituto Estadual de Patrimônio Cultural), o relógio retornou ao Largo da Carioca, sobre o desenho de pedras portuguesas de Burle Marx.

 









6 comentários:

  1. Márcia Martins Olimpio13 de fevereiro de 2011 22:25

    Belíssimo trabalho, Vera! Preciosas informações e imagens no nosso Largo da Carioca. Obrigada e parabéns!

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  2. Obrigada Marcia. Sempre incentivando!

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  3. Parabéns, belíssimo documentário, eu como guia de turismo encontrei excelentes informações para passar para meus turistas.

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  4. Muito interessante essa história da evolução do Largo da Carioca.

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  5. É TRISTE ASSISTIR A DEGRADAÇÃO DA VERDADEIRA E BELA ARTE, TRABALHADA, MAJESTOSA E RARA, SENDO AOS POUCOS SUBSTITUÍDAS POR VERDADEIROS "CAIXOTÕES" LISOS, SEM BELEZA E SEM GRAÇA, FRUTOS DE UMA IMAGINAÇÃO "FUTURISTA" IDIOTA DOS QUE SE DIZEM SÁBIOS DO PROGRESSO. DAQUI A POUCO, SÓ SE VERÁ A ARQUITETURA LINDA E ARTÍSTICA EM FOTOS. LAMENTÁVEL! RODRIGUES.

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  6. acho correto a opinião sobre o moderno e antigo,outros paises souberam preservar o antigo aliado ao moderno,
    meu bizavo parece que fez a produção em ferro do relogio da carioca .(fundições kobler e cia)art nouveau,naturalismo , ecole de nancy etc

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