Google+ Followers

sábado, 25 de setembro de 2010

A Praça Paris da Cidade do Rio de Janeiro.

A Praça Paris foi concebida para ser a joia da “belle époque” no Rio de Janeiro. Foi construída pelo prefeito Prado Júnior, entre 1926 e 1930, no aterro sobre a Baía da Guanabara, ampliando a Avenida. Beira Mar.

O traçado da praça é de um jardim clássico francês, considerado o mais rígido e formal de todos os estilos, que se traduz em formas geométricas e simetria perfeita.

Os caminhos desses jardins são clássicos e se caracterizam por alamedas largas e bem definidas, com cercas vivas e arbustos compactos perfeitamente topiados. As curvas são muito utilizadas, de forma organizada e simétrica, sem jamais perder a formalidade. Os canteiros são delimitados, além de integrar elementos decorativos em conformidade com o estilo, como lagos, bancos, colunas, caramanchões, luminárias, esculturas etc. Ao contrário de outros estilos, o jardim francês exige que as construções sejam sóbrias e formais, sob pena de perder seus objetivos. Devido à constante necessidade de podas, é considerado de alta manutenção e custo.

Esse estilo pretende estabelecer o poder do homem sobre o mundo natural. Assim, a vegetação é podada para dar forma a figuras geométricas, obedecendo a um rigor cartesiano, matemático, familiar ao ser humano, valorizando a grandiosidade das construções e espaços.

O jardim clássico francês é um produto do paisagista André Le Nôtre (1613–1700). Seu jardim mais conhecido entre nós é o de Versalhes, onde permanece a ideia de ordem e simetria. Versalhes foi imaginado pelo rei Luis XVI da França e criado em 1662 pelo jardineiro principal do rei, que levou 40 anos para deixá-lo completo.


No Rio de Janeiro dos primeiros anos do século XX, a sociedade brasileira desejava mudanças que vieram a ser refletidas no espaço urbano. A intenção era livrar-se do passado monárquico e colonial, importando um modelo cultural europeu, principalmente o francês, no intuito de atrair investidores com a imagem de cidade modernizada.

Assim a Praça Paris representou, no espaço urbano, o apogeu dessas mudanças, desejadas desde a proclamação da República. O prefeito Prado Júnior (1926-1930), buscando dar maior visibilidade à cidade, contratou o arquiteto-urbanista francês Alfredo Agache para dar as primeiras diretrizes do planejamento urbano da cidade. O Plano Agache reprisou a Paris iluminista de Haussman; e a praça, todo o estilo de André Le Nôtre.


Na composição, além do traçado geométrico, os elementos decorativos ali colocados foram reproduções de obras do jardim de Versalhes. No chafariz, por exemplo, os jorros de água são simétricos, com golfinhos posicionados para o centro, inspirados nos similares que existem no jardim do célebre palácio francês.


 

As esculturas em mármore de Carrara, alegorias das estações do ano, também são cópias das que estão em Versalhes. De acordo com as fotos, foram as únicas obras de arte instaladas na inauguração, cuja autoria até hoje desconheço. Atualmente, existem na praça vários bustos e homenagens que serão detalhados em futuras postagens deste blog.


Laurent Magnier (1684-1686)        


      Jean Baptiste Theodon - 1680

As topiarias da Praça Paris sempre foram referência do local. Até hoje, elas se mantém como único elemento decorativo vivo obrigatório na cidade, mesmo que ao longo do tempo tenham assumido formas e desenhos diferentes.

 
Anos de 1930                                         Anos de 1940


1951

A Praça Paris é um espaço do Rio de Janeiro cuja temática é preservada como ícone.