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sábado, 21 de agosto de 2010

O "Outono" de Jacarepaguá

Na Estrada do Rio Grande, precisamente no Largo do Rio Grande, no caminho que leva à sede do Parque da Pedra Branca, na zona oeste do Rio de Janeiro, existe um chafariz, implantado ali em 1923. O caminho recebeu tal nome por estar situado na região cortada pelo Rio Grande, que abastece o chafariz. O rio nasce no maciço da Pedra Branca e percorre grande parte do bairro carioca de Jacarepaguá. No século XVIII, a nascente fazia parte da grande propriedade de Francisco Pinto da Fonseca, o Barão da Taquara, local onde, por volta do ano de 1737, foi construída por Antônio Paio a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, no atual Largo da Capela, cujo nome oficial é Largo do Rio Grande.

                                        

O último dono da Fazenda do Rio Grande foi Francis Walter Hime (1885-1948) – avô do compositor Francis Hime –, que a comprou em 1935. Ele iniciou no local uma excelente criação de vacas leiteiras e cavalos puros-sangues. A fazenda funcionou como haras, produzindo cavalos de corrida até os anos 1970. Em 1968, parte das antigas terras dos Hime foi desmembrada para a instalação de uma subestação da Central Elétrica de Furnas. A partir de 1978, as terras foram sendo loteadas e a ocupação do local diluiu essa área rural. O chafariz inaugurado ali em 27 de agosto de 1923 pelo Barão da Taquara é obra do artista Mathurin Moreau. Originária das Fundições de Val D'Osne, a peça é um exemplo de como a beleza da arte em ferro fundido se espalhou pelo mundo entre o final do século XVIII e o início do século XX.

  A Sra. na foto é Francisca Leopoldina de Andrade da F.Telles, a baronesa de Taquara.

A figura jovem neoclássica masculina representa o outono e faz referência a Dionísio – ou Baco, para os romanos –, deus da alegria. Carrega cachos de uva e uma foice, onde se apoia. Até poucos anos atrás, o chafariz servia para a população local e para os animais, que ali faziam suas paradas durante as cavalgadas.


          

Quando o trânsito de veículos no local era pequeno, o chafariz era o centro do largo. Com o tempo, recebeu uma proteção e, depois, uma pracinha. Felizmente, ele ainda não foi cercado de árvores, mantendo sua posição como o mais belo exemplar daquela área.

                                                  


A cidade tem outra escultura do “outono”, também originária do Val D'Osne, compondo um conjunto que representa as estações do ano no Passeio Publico, no centro da cidade, mas não se trata de um chafariz.

Mathurin Moreau, nascido em Dijon, na França, foi introduzido à escultura na oficina de seu pai, Jean-Baptiste Moreau. Em 1841, ingressou na École des Beaux-Arts em Paris, onde foi aluno de Jules Ramey (1796-1852) e Auguste Dumont (1801-1884). Ele venceu o segundo Grande Prêmio de Roma em 1842. Mathurin Moreau expôs pela primeira vez no Salão dos Artistas Franceses, em 1848. Com uma brilhante carreira, ele ganhou várias medalhas e prêmios, bem como muitas comissões oficiais para executar seu estilo acadêmico, enfatizando alegorias e cenas de gênero e exaltando a graça feminina. Foi um dos principais artistas das Fundições do Val D’Osne