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sexta-feira, 9 de julho de 2010

Mascate - o vendedor popular no Rio de Janeiro



Antigamente, os vendedores que iam de porta em porta oferecendo bijuterias, tecidos, roupas e outros artigos eram chamados de “mascates”. Hoje, os que percorrem escritórios, consultórios, salões de beleza e residências são “consultores” ou “representantes”. Mas o trabalho é o mesmo: oferecem o produto diretamente ao consumidor, em uma atividade informal que movimenta a economia e forma muitos comerciantes.

O termo “mascate” vem de "cidade da Arábia", de onde vieram árabes para o Brasil, a partir do início do século XVII, que exerceram a atividade de comércio.

No Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, a mascateação introduziu o comércio popular, com alta rotatividade de produtos, enorme quantidade de mercadorias vendidas, promoções e liquidações. Assim, ao longo dos anos, formou-se uma zona comercial de grande porte no centro da cidade, famosa por seus produtos baratos e de qualidade, o SAARA, sigla da Sociedade de Amigos das Adjacências da Rua da Alfândega.

Cabe ressaltar que os libaneses que vieram para o Brasil não buscavam as fábricas ou as propriedades agrícolas. Dedicaram-se ao comércio e às pequenas indústrias. Quando aqui chegaram, encontraram mascates portugueses e italianos que vieram antes deles. Entretanto, a mascataria se tornou uma marca registrada da imigração árabe.

Assim, o SAARA se firmou como uma verdadeira ilha árabe no centro do Rio de Janeiro. Lá os imigrantes sírios e libaneses encontraram um ambiente perfeito para se estabilizarem. Suas lojas são semelhantes a bazares árabes, com imensa variedade de mercadorias e o uso de técnicas populares de venda, ambiente realçado pelo aroma típico de suas comidas e temperos.

Em 18 de novembro de 1991, para marcar os 50 anos da Federação do Comércio Atacadista no Estado do Rio de Janeiro, a Confederação Nacional do Comércio ofereceu à cidade uma escultura que reproduz, em grande escala, o troféu “O Mascate”, esculpido originalmente em 1964 por Honório Peçanha para que a CNC pudesse homenagear os destaques da área. Ampliada e fundida em bronze pelo Atelier Mestre Liboredo, a obra está, desde então, no SAARA.

A escultura eterniza a típica figura do mascate: um homem que carrega cortes de tecidos em seu braço direito, enquanto sua mão esquerda abre um baú repleto de mercadorias. A imagem expressa uma das figuras que João do Rio propagou tão bem:

“Por onde passa o exército, chega a barbárie.
Por onde passa o comércio, chega a cultura.
O mascate leva, nas suas costas, os livros, as gravuras, os pigmentos para a pintura, papel e tinta, os remédios e as notícias do mundo e dos vizinhos.
Nosso mascate se alonga além das fronteiras de Laranjeiras, da Cidade Velha e percorre todos os caminhos".

Veja a ficha cadastral:
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=158&iMONU=O%20Mascate%20do%20Saara