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sábado, 3 de abril de 2010

O Manequinho - Uma estátua símbolo dos cariocas botafoguenses

O Manequinho foi esculpido em 1906 por Belmiro de Almeida.

No livro de Magalhães Correia “Terra Carioca – Fontes e Chafarizes"; na pág 164, há o seguinte relato do autor:

“Há dias, encontrando-me como Belmiro de Almeida, na Tabacaria Lourdes, pedi-lhe o histórico da sua fonte e, prontamente, me Satis fez o desejo:

Queremos que fale do meu boneco, que o povo carioca batizou de “Manequinho”? Pois então escuta: Foi em casa de um amigo que observei a sua filhinha ensaiando os primeiros passos na alameda do jardim e notei uma coisa curiosa na proporção as crianças, nessa idade; tem o tronco muito maior que as pernas, que o não se verificava na formosa menina. Assim pensei no “Monekin Kiss”de Bruxelas e comecei a modelar o meu manequinho, servindo-me do modelo da menina.

                                     
    

Terminando o trabalho e passando o gesso, pensei em fundi-lo a cera e retoca-lo para o bronze; não encontrei porem, nessa época, quem pudesse executar o meu desejo, e quando fui a Paris, em 1911, levei o referido gesso, que foi elogiado pelo professor La Vernne e outros, em meu atelier à Rua de Bagneux nº 7; nessa ocasião recebi também a visita do saudoso Nilo Peçanha e de outros caros brasileiros. Ai mandei fundir em bronze a estátua e quando retocava a cera, fiz as alterações onde achei conveniente. A primeira fundição perdeu-se no momento de ser vasada em bronze. Depois ainda fundi outro exemplar, em cuja cera modifiquei a expressão do rosto.

Lembrando-me que os artistas do mundo civilizado dedicavam as suas obras as pessoas gratas e amigas, como fazem entre nós os poetas e escritores, dediquei uma ao meu amigo e a outra ao Prefeito Rivadávia Correia. Em 1912, expus a estátua, no edifício de Cinema Pathé, na Av. Rio Branco, e no dia da inauguração compareceu o Marechal Hermes da Fonseca, Presidente da Republica
.

Em 1914 foi colocando o Manequinho na praça Floriano, sobre dois degraus, conforme manda a estética, sob minha orientação colocaram também uma torneira, a fim de regular a pressão da água, que deverá ser inconstante."

Na peça original estava gravada a seguinte inscrição:“Homenagem ao carácter reto e independente do Dr. Rivadávia Correia.

                                                 

No periodo ( 1919) o prefeito Paulo de Frontim, como seu primeiro cuidado foi retirá-lo, mandando-o para um depósito. Num país tropical, onde se bebe água todos os instantes, a imprensa falou, a Sociedade Brasileira de Belas Artes protestou, mas tudo em vão.

Contudo na gestão do Dr. Aloar Prata,(1922) foi novamente colocada a fonte na praça pública, mas no fim da praia de Botafogo, pois o lugar antigo estava tomado pelo “ Manecão ”, e a inteligência artística da Prefeitura instalou a fonte sem os dois degraus, parte integrante da composição artística. Assim jaz a minha fonte, o meu querido Manequinho, num canto sujo de Botafogo”.


  

O Manequinho teve sua imagem definitivamente associada ao Botafogo na conquista do campeonato carioca de 1957, em jogo contra o Fluminense vencido por 6 x 2. Depois da partida, o jogador Didi, um dos craques do time, que tinha João Saldanha como técnico, repetiu o gesto do torcedor que, no campeonato de 1948, havia vestido o Manequinho com a camisa alvinegra. Desde então, tornou-se mascote oficial do clube e talismã nas decisiões.

Em 27 de julho 1990, o Manequinho situado em frente ao Morisco em Botafogo foi roubado provocando uma grande comoção dos cariocas, obrigando a Prefeitura a realizar uma réplica da escultura, que foi doada pelo botafoguense o Sr. José de Almeida Coimbra. A replica foi produzida pela Fundição Zani que há anos guardava um modelo original.

Em de 4 de novembro de 2002, o Monumento foi tombado pelo Município pelo Decreto 2221-02.

Em setembro de 2008, o Manequinho foi alvo de depredação. Vândalos quebraram a parte da peça que esguicha a água, chamada pela imprensa de "bilau".


Veja a ficha cadastral: