segunda-feira, 29 de março de 2010

Chafariz da Praça Saens Pena um exemplo de preservação.

No século XIX  a Tijuca era uma área rural e o núcleo era conhecido como Bairro da Fábrica das Chitas. Foi o primeiro foco de urbanização da região, que era dominada por grandes propriedades.

A Fábrica na realidade não produzia, nela apenas se estampava tecidos vindos da Índia, e   se manteve em atividade por  vinte anos. Foi portanto uma  das primeiras do Brasil.

O inicio do século XX o Rio de Janeiro é marcado pela transformação da cidade e os espaços livres passaram a ser praças

Em 30 de abril de 1911, o velho e feio Largo da Fábrica das Chitas, se transformou na Praça, bela e elegante, com um coreto de ferro de traços orientais, tornando-a num espaço agradável, para as famílias residentes do bairro. A inauguração da praça com o coreto teve a presença do Prefeito Bento Ribeiro e diversas autoridades. 

Recebeu o nome  em homenagem ao presidente argentino, Roque Sáenz Peña, eleito em 1910 e que serviria até 1914, falecido antes de termino do seu mandato.

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                                       1911


A praça Saens Pena, foi denominada e reconhecida oficialmente como logradouro público pelo decreto nº 1165 somente em 31 de outubro de 1917, nome que marca  sua importância na cidade.

Somente em 1947, tenho notícias, de um projeto paisagístico para a praça, este na gestão do Governador Angelo Mendes de Moraes, que realizou muitas obras na Cidade. Através do arquiteto Azevedo Neto, funcionário da Prefeitura de então, criou-se o chafariz que existe até hoje, com um grande jorro lateral, inaugurado em 22 de novembro.

                      
                                                                                                                              anos 50

Contudo em 1977, a obra para a construção do Metro da Cidade do Rio de Janeiro, causou grande interfêrencia na praça. O coreto foi retirado e transferido para a Praça Catolé do Rocha em Vigário Geral, tendo sido inaugurado em 14 de setembro de 1977, pelo Prefeito Marcos Tamoio.

                                           
O chafariz foi desmontado e reconstruído somente em 1982, quando da inauguração da estação do Metro.

                                       1979

Trata-se de um exemplo de preservação, o chafariz foi refeito com o mesmo jorro, seguindo a curvatura na bacia e com o canteiro ajardinado no seu entorno, além do piso da praça que foi mantido em pedra portuguesa.

                                       1982

Em 1996, numa outra fase de renovação urbana da Cidade, o Projeto Rio Cidade, alterou o paisagismo da Praça. Foram instalados gradis e portãos, limitando o horário de frequencia da praça, instalaram novos brinquedos infantis e uma área especifica para jogos de carta.
No entorno do chafariz retirou o canteiro, alterou-se o desenho de piso, substituindo-se por placa de granito, mas o lago e o jorro foram mantidos, como o principal marco referencial da praça.
                             
 2006
   
 
   

Finalmente, em maio de 2012 se retirou a grade do entorno da praça, a pedido da Associação Comercial e a praça retornou a sua real dimensão e a visualização do chafariz.

Veja a ficha cadastral:
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=784&iMONU=Chafariz%20da%20Pra%C3%A7a%20Saens%20Pena

7 comentários:

  1. Cara Vera Dias,

    Prometo-lhe que, brevemente, tirarei 01 ou 02 dias para ler todos os seus Posts desde o primeiro. O tema deste seu Blog é um assunto que sempre me interessou bastante. Ele não é um mero "exibidor" de fotografias. Por trás, há um estudo e pesquisa a respeito da história de cada monumento/escultura, e com isto, há um texto muito bem explicado. Isto se chama Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural. Meus Parabéns!!!!!

    Aproveito este post para informar, off-topic, uma triste notícia, mas que é importante e que está publicada no O GLOBO de hoje (03/abril/2010), a respeito da instalação de câmeras de monitoramento para proteção do Patrimônio (esculturas, monumentos etc.)
    http://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/04/02/vidros-cameras-outros-equipamentos-tentam-evitar-vandalismo-contra-monumentos-916241814.asp

    É triste concluir que chegamos a um ponto em que precisamos investir em equipamento "vigilante" para coibir:
    - depredações de esculturas;
    - pixações de muros/paredes;
    - furto de tampa de bueiro;
    - estátuas/monumentos de bronze/ferro fundido;
    - lixo de todos os tipos que é jogado em vias públicas;
    - etc.

    As pessoas precisam se conscientizar de que as vias públicas nada mais é do que a extensão de nossas casas! Até, Hélio Shiino.

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    1. Considero seu comentário oportuno, mas lamentavelmente a segurança e o combate ao vandalismo exige agora camara para inibir e registrar os danos e os furtos.Acredito que somente investindo na educação poderei um dia mudar esse quadro.
      Obrigada

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  2. tenho 80 anos e estou começando agora meus contatos com a internet. sempre me interessei pela história das coisas .sinto como tivesse encontrado alguém para falar a linguagem que eu desejava. obrigado

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  3. Vera Dias,

    Gostaria de parabenizá-la pelo seu blog...muito importante termos essa excelente fonte de consulta sobre a nossa cidade.

    Belo trabalho

    Abs

    Leonardo Hersen

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  4. Prezada Vera, parabéns pelo site. Sou tijucano e leio tudo sobre o bairro onde nascí e vivo.Só fiquei com uma dúvida:frequento a Praça Saens Pena desde a década de 1950, e não me recordo do coreto mostrado nas fotos. Só o conheço de fotografias.Francisco Muniz

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