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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A Fonte Adriano Ramos Pinto - Fonte da Juventude

Entre as duas bocas do túnel em frente ao Shopping Rio Sul, no lado de Botafogo, esta a Fonte Adriano Ramos Pinto, toda em blocos maciços de mármore, cujo conjunto apresenta um grupo de mulheres, tentando escalar um cume em direção ao amor, representado por Cupido.

Quando a Cidade no início do século XX, passava por extensa remodelação urbanística realizada no quadriênio do presidente Rodrigues Alves, o prefeito Francisco Pereira Passos realizava grandes obras, entre muitas a abertura da avenida Beira Mar,onde se construiu novas muralhas, implantaram monumentos e jardins, os quais, converteram a orla dos bairros da Glória a Botafogo na nova atração comercial do incipiente mercado imobiliário da Capital Federal.

Na Glória, em 1904 com a demolição de um velho mercado abandonado, criou-se um belo jardim de traçado romântico ornado de estátuas.

Foi nesse momento que dois industriais vinícolas portugueses, os irmãos Adriano Ramos Pinto, do Pôrto, decidiram erguer e doar um monumento para novo jardim próximo à igreja da Glória. Quando os irmãos encontraram a maquete da escultura intitulada “Fontaine de Jouvence” , do artista Eugéne Thivier, logo trataram de encomendar a sua ampliação e execução. Assim, adquiriram um bloco de mármore de carrara com 37 toneladas e sete metros de altura.




A obra foi inaugurada a 24 de janeiro de 1906, porem as opiniões sobre a obra foram divergentes. O Prefeito que gostou muito da escultura, sentiu que as “performances” femininas eram muito insinuantes, chegando até em pensar em chamar o escultor brasileiro Rodolfo Bernardelli, o maior escultor nacional, para entalhar alguns saiotes nos “traseiros”...

Mas as qualidades artísticas da obra, falaram mais alto e a fonte ali permaneceu por quase trinta anos, até que, em 1935, o prefeito Pedro Ernesto mandou removê-la para a entrada do túnel do Leme.


                                                    

Até 1983 funcionou como fonte, quando foi suspenso o abastecimento de água e a fonte cercada por grades.
                                                   




Essa obra de arte tão delicada exposta a mais de cem anos, às agressões de vândalos e da natureza fez com que os rostos finos, os polidos contornos, sofressem com o tempo profundos desgastes.

                                                     


Contudo a história mais interessante surgiu quando conheci a publicação de Ana Filipa Correia, a "Fonte Adriano Ramos Pinto - O vinho do Porto e a arte da Belle-èpoque no Rio de Janeiro". Nesta publicação na página 48 apresenta uma foto da fisionomia original do cupido,de longos cabelos e olhar feliz... em nada se parece com a que hoje existe.

Decapada anos atrás, um falso elemento foi anexada a obra, descaraterizando o trabalho de Eugene, que poderia se perpetuar, sem essa importante pesquisa de Anna Filipa Correia.



Veja a ficha cadastral:
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=313&iMONU=Fonte%20Ramos%20Pinto